Viral: o mais do mesmo do Porta dos Fundos

Viral: o mais do mesmo do Porta dos Fundos

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Segundo o Aurélio, Viral pode ser definido como qualquer coisa relativa ao vírus ou causada por ele. Viral também é uma estratégia de marketing: vídeos bem produzidos que são postados na internet – e são assistidos por milhões de pessoas, se tornando um sucesso. E Viral também é o novo projeto do pessoal do Porta dos Fundos.

 

O Porta todo mundo já conhece. É o coletivo de humor idealizado pelo Antônio Tabet (do Kibe Loco), Fábio Porchat, Gregório Duvivier, Ian SBF e João Vicente de Castro. O coletivo ficou conhecido em 2012 após o vídeo do “Spoleto” ir ao ar e, desde então, já publicaram por volta de 190 vídeos. Apesar de dividir opiniões, o canal apresenta números impressionantes: segundo matéria publicada na Folha, o faturamento do coletivo chegou a R$ 3 milhões em menos de um ano de existência. E se você ainda não faz ideia de quem é Fábio Porchat e companhia, acompanhe os vídeos mais populares do canal do Porta dos Fundos no YouTube:

 

1 – Na Lata:

 

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2 – Sobre a mesa:

 

Link Youtube |

 

3 – Rola:

 

Link Youtube

 

Agora que vocês já sabem sobre o que se trata o Porta dos Fundos (sim, tem gente que nunca ouviu falar – meu pai, por exemplo), vamos ao Viral: o tema do projeto é a AIDS. Sim, isso mesmo. O roteiro é do Fábio Porchat e a ideia surgiu após assistir o filme 50%, no qual o personagem interpretado por Joseph Gordon-Levitt (500 Days of Summer, Inception, 10 Things That I Hate About You, Don Jon…) descobre ter câncer e conta com a ajuda de um amigo para lidar com a doença. Além do filme, Porchat foi buscar referências no seriado The Office, mais precisamente no episódio “Sex Ed”, onde Michael Scott (Steve Carell) suspeita ter herpes e decide avisar suas ex-namoradas sobre a possível doença.

 

Junta-se a isso uma viagem de Porchat à África e temos os elementos que compõem o roteiro de Viral. Beto, interpretado por Gregório Duvivier, descobre que possui o vírus HIV e com a ajuda do seu melhor amigo, Rafael (Fábio Porchat), decide entrar em contato com todas as mulheres que já “comeu” ao longo da vida até descobrir qual delas transmitiu o vírus. Nesse meio tempo, prepare-se para alguns (muitos, na verdade) palavrões e conversas relacionadas ao sexo e, se você não curte o assunto, o coletivo oferece outra infinidade de temas no canal do YouTube.

 

E Viral é, sim, um mais do mesmo do que já foi produzido pelo coletivo. Mas isso não significa que seja ruim, pelo contrário, pode vir a ter uma resposta positiva por parte do público, patrocinadores e pessoas como eu ou você. Além do mais, é importante ressaltar que houve um processo de pesquisa séria por trás dos vídeos. Em entrevista ao Estadão, Porchat disse que entrou em contato com ONGs e ativistas a fim de encontrar a melhor linguagem para a série, afinal, Viral aborda um tema delicado.

 

Então, quando o Victor Fortunato pediu que escrevesse algo sobre o novo projeto do Porta dos Fundos, eu torci o nariz. Não sou grande apreciadora do tipo de humor que eles fazem e, me desculpem, acho a coluna do Gregório Duvivier chata, mas o que a gente não faz em nome do jornalismo cultural, não é mesmo? Aceitei o desafio e assisti os três episódios disponíveis até agora e repito: se você não gosta do assunto ou possui algum tipo de pudor, não assista. Ou melhor, assista! O propósito do Viral é justamente esse: com uma dose de humor (e nenhuma didática, diga-se de passagem), desconstruir os preconceitos e os mitos sobre a doença presentes no imaginário das pessoas. E consegue cumprir o papel. Dê uma chance a eles e assista o primeiro episódio abaixo:

 

Link Youtube | Primeiro episódio da websérie “Viral”, do Porta dos Fundos.

 

Se gostar, siga a adienta.

Amanda Amaral
Amanda Amaral é graduanda em Jornalismo, mas professora por vocação. Gosta de Beatles, Alta Fidelidade e quer morar na capital. (Kkk #humor) No Twitter: @amandasaysno.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

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