Uma aventura chamada Pedra da Gávea

Uma aventura chamada Pedra da Gávea

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Eu não sou muito bom com datas… Definitivamente não sou bom com datas. Porém, existem momentos nas nossas vidas que é praticamente impossível de esquecer, ainda mais quando envolve adrenalina, aventura e boas risadas. Sou amante de aventura e viciado em adrenalina, quando isso é aliado ao contato com a natureza, fica muito bom, com a companhia de amigos então, fica magnífico.


E uma dessas aventuras aconteceu na Pedra da Gávea, talvez a mais marcante. A Pedra da Gávea, pra quem não conhece, fica no Rio de Janeiro, entre São Conrado, na Zona Sul, e a Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Um exuberante monumento natural de aproximadamente 842 metros de altitude. Ela é simplesmente o maior bloco de pedra do mundo, e quem já subiu sabe que lá de cima é possível ter uma visão privilegiada das mais belas paisagens do Rio de Janeiro, como o Parque Nacional da Floresta da Tijuca, incluindo o Corcovado, a Pedra Bonita, as praias de São Conrado, Ipanema, Leblon, Lagoa, Niterói e a Barra da Tijuca.


É ou não é uma bela vista?

É ou não é uma bela vista?


Essa então...

Essa então...


É, mas pra ter essa visão privilegiada a Pedra da Gávea te oferece alguns desafios, e é sobre eles que quero falar hoje.


A subida por si só já é uma aventura muito agradável, misture a ela amigos sedentários – com medo de altura – e uma pitadinha de chuva. Pronto, uma receita perfeita para lembranças inesquecíveis e boas risadas. Já subi umas três vezes essa belezinha e tenho lembranças sensacionais para contar de cada uma delas. Como disse no início, sou péssimo com datas, então, não sei o que veio primeiro e o que veio depois, mas garanto, aconteceu de verdade.


O começo da trilha é bem leve, acho que de propósito para alguns desavisados começarem com alguns comentários como: “Molezinha, dá pra fazer em 30 minutinhos.” Gosto de ouvir isso, sei que lá pra cima eles vão engolir essas palavras, se tiverem saliva pra isso.


Só que a Pedra da Gávea, ah, essa sim é uma caixinha de surpresas. O grau de dificuldade vai aumentando um pouco, algumas pedras enormes, alguns troncos de árvores baixos, outros altos e nenhum ponto de água, pelo menos não até agora. Não é legal avisar ao seus amigos aventureiros sedentários que só existe um filetinho de água que jorra de uma pedra e fica lá em cima, bem lá em cima.


Os sedentários já não estão achando assim tão fácil, começam a ficar para trás, linguinha pra fora da boca, mãozinha no joelho e carinha de que está tudo bem, relaxado, apenas apreciando a natureza. Falar em natureza, a maior parte do tempo a trilha é em mata fechada, o que não torna a subida menos linda que o topo.


Fernando Henriques completando a metade do percurso. E olha que ele não era tão sedentário assim.

Fernando Henriques completando a metade do percurso. E olha que ele não era tão sedentário assim.


Pra deixar tudo mais excitante e cruel, quando chegamos próximo a esse filetinho de água, é possível ver uma bela cachoeira na qual você não consegue chegar, pelo menos não com facilidade e segurança. Você vê a água, deseja a água e não toca na água. Pra não dizer que é totalmente cruel, a natureza te oferece um filetinho dessa imensidão de água geladinha, fresquinha, desejável mais do que nunca.


Quando você percebe no semblante dos seus amigos que eles estão prestes a desistir, você sorri e chega a uma parte aberta da mata e tudo muda de figura, os semblantes mudam, as bocas ficam abertas e babando com tanta beleza. Só essa visão já valeria o passeio, mas isso nem é a metade da beleza que está por vir.


Não sei se antes ou depois da mata abrir, mas existem alguns pontos bem críticos, onde você tem que fazer um pequeno rapel pelas pedras, algo bem seguro e tranquilo, mas não se esqueçam, elas são sedentários, com certo medo de altura e já estão exaustos, subir escadas já seria um grande desafio nesse momento.


O visual compensa qualquer sacrifício, é uma visão do mundo e do Rio de Janeiro que poucos cariocas ousam vislumbrar, só os fortes sobrevivem e vivem a vida olhando por um ângulo que poucos olharam.


A única parada para lanche fica na Praça da Bandeira, uma paradinha obrigatória para repor as energias, esperar os retardatários, e dar boas risadas sobre as aventuras vividas até agora.


Alessandro, Diego Albuquerque e Marcelo Geovane (e eu batendo a foto) na Praça da Bandeira, aguardando os retardatários.

Alessandro, Diego Albuquerque e Marcelo Geovane (eu tirei a foto) na Praça da Bandeira, aguardando os retardatários.


Chega de descanso, a aventura tem que continuar, depois dessa parte já dá pra ver o topo da Pedra Bonita, e depois daquilo tudo, ainda parece muito longe… E realmente é.


A subida continua com mais pedras, raízes, árvores, terra e agora um pouquinho de barro que forma uma escada. Imagine esse trecho com um pouquinho de chuva… Imaginou? Já brincaram de ensaboar uma lona e tentar ficar de pé descalço em cima? Quem foi criança sabe do que eu estou falando.


Pronto, chegamos ao ponto crítico da caminhada, a parte do rapelzinho básico, tranquilo. Tranquilo pra quem? Esqueceram que além de sedentários eles tinham medo de altura? A famosa Carrasqueira é responsável pela desistência de alguns aventureiros desavisados. É uma subida íngreme, de certa dificuldade, mas nada absurdo, não é? Tenta falar isso para o amigo que subiu até 2/3 da pedra e simplesmente travou. Isso mesmo, travou. Não conseguiu subir mais e nem descer, ele estava literalmente abraçado a pedra. Nem o fato de dizer que mulheres já subiram aquele ponto e não travaram, que uma senhora de 65 anos subiu e não travou, mexeu com o brio daquele jovem aventureiro, a essa altura ele não estava nem um pouco interessado em saber dos outros, ali era ele, seu medo e aquela pedra enorme.


Olha eu aí, subindo a famigerada Carrasqueira.

Olha eu aí, subindo a famigerada Carrasqueira.


É claro que com jeitinho as coisas acontecem, depois de muito insistir, em mostrar os caminhos da pedra, o nosso amigo conseguiu enfim subir, afinal, já estávamos tão perto que desistir não era uma opção.


Depois da Carrasqueira tudo é festa, vem o Portal dos Fenícios, as pedras fraturadas – onde você escala segurando nas raízes das árvores -, simplesmente fantástico, até chegarmos ao topo, enfim o tão sonhado, esperado e desejado topo.


Agora é contemplar a bela cidade do Rio de Janeiro, toda sua beleza, suas praias, suas formas, sua essência. A visão é tão magnífica que explicar através de palavras seria praticamente impossível, então, vamos narrar em forma de imagens.


Vista da Pedra da Gávea I.


Topo da Pedra da Gávea.


Um bom local para pensar na vida.


Curtindo a vista e aproveitando para garantir uma boa foto.

Curtindo a vista e aproveitando para garantir uma boa foto.


Ah! Já ia esquecendo, lá em cima, para os mais ousados, tem a pedra mais alta de todas as pedras, o topo do topo e pra chegar até lá existem mais dois pequenos desafios, um pequeno rapel e uma escalada um tanto quanto apertada por entre as pedras. Nada demais, se ao descer um amigo não fosse atacado por um enxame de abelhas. Ou ele continuava o percurso em meio a abelhas ou se jogava lá de cima, a primeira opção era a mais segura no momento.


O Alessandro foi o 'sortudo' que encontrou com as abelhas.

O Alessandro foi o 'sortudo' que encontrou com as abelhas.


A recompensa. Eu, Renato, Alessandro e Fernando, que subiu lá com muito custo (risos), no topo do topo.

A recompensa. Eu, Renato, Alessandro e Fernando, que subiu lá com muito custo (risos), no topo do topo.


Aí sim, agora sim, enfim conseguimos chegar ao topo, aos 842 metros de altitude dessa deliciosa, surpreendente e hilária aventura. Parabéns, você acaba de fazer parte de um seleto grupo de guerreiros.

Diego de Lacerda
Filósofo de beira de esquina, publicitário, sonhador e empreendedor. Gosta de filmes, desenho animado e mais um monte besteiras sem sentido. É co-fundador desta revista e fascinado pela vida - não só a sua como a dos seus amigos. No twitter: @D_lacerda.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Uma aventura que estou protelando em repetir, rsrs, mas só de fazer parte do seleto grupo de guerreiros que já foram ao topo – e até o topo do topo, com uma ajuda dos amigos (foto anexo) – já fico feliz.

    Algumas subidas mais leves, no momento, são melhores pra mim, rsrs.

  • http://www.facebook.com/people/Diego-de-Lacerda/100001697724667 Diego de Lacerda

    Uma das melhores sensações que eu já tive. Repetirei outras vezes, nunca me canso de olhar o Rio por um ângulo único que é o da Pedra da Gávea. 

  • Anderson

    Infelizmente eu não pude ir nesse dia, espero que um dia vocês se empolguem novamente e eu vá rsrs
    Quero parabenizar o Fernando que pelas fotos vi que estava exauto mas aidna sim chegou até o fim e ao topo do topo!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Valeu cara, eu realmente fiquei exausto. Não é mole transportar 120kg até o topo, para você imaginar, é como se fosse 2h subindo escadas – fora o rapelzinho, a Carrasqueira…

      Vamos marcar outra sim, você precisa ver o Rio lá de cima.