Um final feliz para o WEC

Um final feliz para o WEC

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No dia último dia 16, uma quinta-feira, chegou ao fim um dos mais excitantes eventos de MMA do planeta, o World Extreme Cagefighting que após 9 anos, e 52 edições, teve um desfecho a sua altura. Se compararmos com outros finados eventos, como PRIDE e RINGS, o WEC teve um final diferenciado, a marca não existirá mais, porém o casting de lutadores foi incorporado ao UFC.


Isso aconteceu por que em dezembro de 2006 o evento foi comprado pela Zuffa, empresa detentora dos direitos do UFC, e desde então existem especulações sobre a junção dos eventos. Quando a Zuffa assumiu o WEC, encerrou a divisão dos pesos-pesados de imediato, posteriormente as demais categorias maiores que 70kg também foram encerradas. Com isso o evento passou a ter somente as categorias mais leves (até 61kg, até 65kg e até 70kg) e se tornou referência mundial. Os lutadores mais leves, anteriormente pouco valorizados, ganharam popularidade através de lutas emocionantes. O WEC se tornou sinônimo de boas lutas, cresceu bastante e no mês de Outubro deste ano, era ,enfim, anunciada a fusão com o UFC.


A última edição, WEC 53,  foi simplesmente um evento incrível, no mais literal sentido da palavra. Disputas de cinturão,  finalizações, nocautes  e um golpe que entrou para história do MMA. Durante toda a transmissão também foram veiculados vídeos com momentos inesquecíveis e marcantes da história do evento. Podemos dizer que o WEC teve um final feliz, não só pelo excepcional evento de despedida, mas pela antecipação do fim. São raros os momentos onde um evento tem a oportunidade de planejar sua despedida. Sorte do WEC, que teve a chance de sair pela porta da frente.


WEC 53


A última edição tinha um bom card, mas eu jamais poderia prever lutas tão eletrizantes.


Kamal Shalorus X Bart Palaszewski


Shalorus é um wrestler de nível olímpico, um atleta muito forte, com mãos pesadas e por isso eu o considerava o favorito. Ainda que Bart tivesse a experiência ao seu lado, e fosse um lutador mais versátil, eu sabia a diferença que um ótimo wrestling pode fazer.


A luta mostrou que eu estava certo, após 3 duros rounds, Shalorus faturou a luta em uma decisão dividida.


Donald Cerrone X Chris Horodecki


Cerrone é um finisher, ele luta para não deixar a peleja nas mãos dos árbitros, sempre, seja em pé ou no chão. Dessa vez não foi diferente, apesar da “dureza” do adversário  (excetuando algumas fanfarronices, Horodecki é um bom lutador) a luta terminou com uma bela finalização no 2º round.


Após Cerrone aplicar uma omoplata, Horodecki tentava sentar para defender o golpe, Cerrone aproveitou e fez a transição para o triângulo. Não ganhou a finalização da noite, mas merecia!


Dominick Cruz X Scott Jorgensen


Dominick Cruz é o campeão absoluto da categoria, provou isso mais uma vez. Ele não é tão plástico como José Aldo, mas com certeza é tão soberano quanto, em sua divisão de peso. Juntando esta falta de plasticidade ao apreço gratuito que tenho pelo Jorgensen, comecei a acreditar na vitória do desafiante. Claro, Cruz era o favorito, porém não custava nada torcer pelo azarão.


Mas… Como torcida não ganha jogo, e nem luta, ainda mais de longe, Dominick Cruz atropelou Scott Jorgensen nos cinco rounds da luta. Ótimo boxe para MMA, movimentação intensa, principalmente de entrada e saída, wrestling top, enfim, o campeão.


Anthony Pettis X Ben Henderson


Anthony Pettis nas costas de Ben HendersonUma luta excitante que agradou o público e ao mesmo tempo foi efetiva. Só por isso já poderia receber uma ótima nota, mas teve muito mais. Última luta da história do WEC,  cinturão em jogo, vaga pela disputa do cinturão do UFC, elementos de uma luta tensa, certo? Sim, mas a tensão aqui chegou a outros níveis, sendo bastante claro:  ”A porrada comeu solta por cinco rounds!”.


Eu, que não acreditava no Pettis e achava o Henderson favorito, me surpreendi. Anthony Pettis demonstrou técnica, raça, talento fora do comum e acima de tudo, vontade. O não-ortodoxo Benson Henderson não ficou atrás. Lutão! Vitória de Pettis por decisão unânime.


Muitos elegeram este confronto como a luta do ano, será? Não sei, assim que acabou eu já considerava a luta da década, tamanho a emoção causada, mas a melhor do ano está de bom tamanho.


Brasil no undercard


Nessa despedida do WEC o Brasil não teve uma participação marcante, nosso campeão, José Aldo, não esteve presente, porém, no undercard, dois brasileiros lutaram e venceram. Foram boas vitórias, Renan “Barão”, da nova união, venceu a segunda luta no evento, ambas por finalização. Com um cartel de 25-1 ele chega “bem” no UFC.


Yuri “Marajó” fazia sua estreia após vencer o GP de pesos leves do Jungle Fight, quis o destino que sua estreia fosse  logo no último evento da franquia. Uma pressão a mais, afinal, ele podia perder e ser cortado antes mesmo de estreiar no UFC. Mas ele não se intimidou e conquistou a segunda vitória do Brasil na noite, com um nocaute no 1º round.


Resultado de todas as lutas do evento.


Inacreditável


No último minuto, do último round, da última luta, do último evento do WEC, Anthony Pettis protagonizou um momento que entrou para história do MMA. Pettis, um artista marcial, elevou o termo “artista” a um nível acima, veja o gif:


Pettis "caminha" na grade para acertar Henderson.

Pettis “caminha” na grade para acertar Henderson.


Na internet os fãs nomearam o golpe de walking the cage (andando na grade) e alguns até compararam este chute aos movimentos do filme Matrix, já o autor da façanha afirmou, na coletiva de imprensa após o evento, que não foi coisa do acaso, este era um golpe que ele  havia treinado em sua academia. Será?

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Diego de Lacerda

    Sentiremos saudades!
    Agora, aguardando a luta do século…

    Anderson Silva x Vitor Belfort

  • Weslley

    Parabéns pela matéria, ficou muito boa mesmo!

    Fica difícil acreditar que esses lutadores chegam a pesar menos que eu.
    Não estou duvidando da tecnica do Pettis, mas não me pareceu algo treinado.
    Mesmo assim, sendo ou não, com certeza ele vai buscar os direitos autorais. hahahaha

    • Fernando Henriques

      Valeu cara, obrigado! Eu que sou pesado, sei como é difícil treinar com um levinho com o gás 100%. rsrsrsr

  • Manuel Albuquerque

    Boa matéria. Noticiando tema pouco corriqueiro.

    • Fernando Henriques

      Esse tema é para os viciados em MMA!

  • Bruno

    Parabéns Fernando!
    Bom artigo!
    Tomara que o nível seja levado para o UFC, apesar de ser os mesmos lutadores a pressão é bem maior!
    Ossssss!

  • Eduardo

    Muito bom. Continue postando sobre o MMA.

    • Fernando Henriques

      Pode deixar, vou continuar. Estou com mais um artigo sobre MMA em produção. Aguarde!

  • medeirostm

    otima matéria, espero ver mais de MMA e lutas em geral! WEC vai deixar mts saudades! WARRR UFC com os novos lutadores

    warr jose aldo /!!