Supergirl, a série

Supergirl, a série

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Pegando carona no sucesso que tudo envolvendo super-heróis vem fazendo nos últimos anos, a CBS em parceria com a DC Comics lançou a série Supergirl. Assistimos ao episódio de estreia no Brasil pelo Warner Channel e preparamos essa resenha pra você, nosso leitor.
 

História

 
Kara Zor-El escapou de de Krypton logo após seu primo Kal-El ter sido enviado por seus pais à Terra. Já crescida, porém com apenas 13 anos, seus pais a incumbiram a missão de proteger seu primo ainda bebê quando esse chegasse ao seu destino. No entanto, logo assim que sua nave sai da órbita do planeta, este explode e assim cria uma onda que desestabiliza a nave tirando-a da rota e levando-a à Zona Fantasma, uma região que é um tipo de buraco negro onde o tempo não passa. Kara fica por lá durante 24 anos da Terra, até seu primo saber de sua existência e resgatá-la e levá-la à Terra. Lá, ele a deixa com a família Danvers. Kara ganha uma irmã adotiva e segue sua vida como auxiliar da magnata da mídia Cat Grant.
 
Inicialmente, sua história parece muito forçada e pobre. E isso faz o início do episódio ser muito corrido e até chato. Entretanto, se conseguirmos aceitar que isso faz parte do showbiz, afinal, trata-se de um episódio piloto onde é preciso convencer emissora e anunciantes a investir na série, dá pra engolir de boa e esperar que melhore depois.
 
Vale destacar nessa primeira parte do episódio a participação especialíssima dos pais adotivos de Kara, interpretados por Dean Cain e Helen Slater, que já foram no passado Superman e Supergirl (na série Lois & Clark e no filme auto-entitulado, respectivamente)
 

Os pais adotivos de Kara: Easter egg para os nerds atentos


 

Vida própria

 
Kara tenta levar uma vida normal trabalhando na cidade de National City a pedido do primo famoso que costuma usar uma capa e cueca por cima da calça pra salvar o mundo. Sabendo dos riscos e dos sacrifícios que uma vida dupla pode trazer, ela se esconde nessa vida um tanto insossa, ignorando seu instinto familiar de proteger a todos. Afinal, com grandes poderes vem grandNÃO, PERA! REFERÊNCIA ERRADA…
 
Sua irmã, Alex, interpretada por Chyler Leigh (que parece curtir esse lance de ser a irmã ‘recalcada’ da protagonista da série AND se chamar Alexandra), é a principal incentivadora dessa não exposição dos poderes da moça. No entanto, a própria irmã se vê envolvida num acidente de avião, o que força Kara a seguir seu Karma (HÁ!) e salvar pessoas em perigo.
 
E é a partir desse mundo que tudo muda: tanto a história de Kara quanto a série. Quando o episódio para de contar a história da origem da personagem de forma corrida e até desnecessária no momento, tudo fica mais legal. A Supergirl passa a existir de fato e tudo começa a acontecer: um vilão já surge pra atasanar, sua irmã revela seu segredo, seus pontos fracos (e fortes) são descobertos… Até um desnecessário (ou não) possível triângulo amoroso começa a se formar. Não precisávamos de mais uma série de herói focada em romance em detrimento a ação e drama da mesma. Por outro lado, como já foi dito, show business né…
 

Altos e baixos

 
A carga dramática potencial da série é ótima se explorada da forma correta. E isso muito provavelmente acontecerá, quando se leva em conta que o produtor da série é Greg Berlanti, o mesmo de Arrow e The Flash que fazem muito bom uso disso. Isso pra não falar de Everwood, pois aí já chega até ser um exagero de drama…
 
Além disso, tem toda essa vibe feminista, de mulher lutando de igual pra igual com os homens, e o mais importante, um ícone feminino que anda numa crescente mas esteve esquecida por muito tempo. Sem dúvida Supergirl tem tudo pra ser a maior referência das crianças e pré-adolescentes desta geração, mesmo com a iminente chegada da Mulher Maravilha aos cinemas no ano que vem. Afinal, Kara tem o perfil ‘menina desengonçada e boazinha’ que pode ensinar boas maneiras, assim como seu primo sempre fez. Mas não se engane, assim como o Superman de Snyder e Nolan ela também tem suas fraquezas e certamente chegará o momento em que falhará em ser um exemplo (inclusive, já no piloto vemos o mesmo questionamento que permeia a vida de Clark nessa nova versão cinematográfica: destruir a cidade pra salvá-la? Podemos confiar num alien? Tanto poder não seria na verdade uma ameaça?).
 
O grande ponto fraco desse piloto, se considerarmos a correria dele necessária e comum, certamente foram os (d)efeitos especiais. Fica a esperança que nos episódios vindouros, e mais provavelmente, na próxima temporada, a verba entre e seja investida nesse campo. Afinal, a série da super heroína mais poderosa da atualidade não pode apresentar efeitos que não sejam condizentes com sua história e personagens. As cenas de ação nessa série precisam ser executadas com excelência pra que sejam empolgantes.
 

Tem futuro?

 
É muito boa essa safra de séries e filmes de heróis. Dos anos 90 a meados dos 2000 foi difícil pros nerds verem seus ícones serem destruídos por adaptações mal feitas, roteiros fracos e mamilos polêmicos. A pergunta que fica é: até quando durarão esses ventos a favor?
 
Sabemos que uma hora essa onda passará, e temos que tirar proveito dela o máximo (nós e os estúdios). O que não queremos é que não saibam a hora de parar ou se empolguem com o sucesso e não consigam conduzi-lo bem.
 
Arrow é um bom exemplo de como as coisas podem se perder. A história focou muito onde não precisava, introduziu elementos demais de forma desnecessária e emprestou/roubou personagens de outros heróis (oi, Batman!). A razão é simples: não há mais tanto a contar. Arrow poderia, por exemplo, se fundir com The Flash, ou começar a dar brecha para uma criação de uma Liga da Justiça. Sabemos que não acontecer, já que a DC fará isso no cinema.
 
Supergirl corre um risco parecido. Afinal, por mais que a personagem tenha uma história própria, certamente pegará muito de Superman. O Super Cyborg, grande inimigo do Superman, aparecerá na série, por exemplo. Afinal, Hank Henshaw, seu alter ego, é o chefe da irmã de Kara na agência secreta pra qual ela trabalha.
 
O ideal seria que a DC fizesse um universo unificado, sem medo de ser taxada como cópia da Marvel, afinal, tem potencial pra fazê-lo de forma muito mais eficaz. Afinal, os direitos de todos os seus personagens estão sob seus domínios. Porém, crossovers entre as séries Flash/Arrow e Supergirl está, pelo menos por enquanto, descartada (especialmente por serem de emissoras diferentes). Além do que, há tempos, sabemos que o Universo onde se passam todas as séries não é o mesmo dos filmes. Isso explica o motivo de não vermos o rosto do Supinho quando esse encontra Kara e a entrega à família Danvers, pois, em teoria, nunca o vimos. Resta ao público torcer pra que a série não vire um novo Smallville, desandando totalmente.
 

Infelizmente esse encontro deve ficar só na Variety mesmo


 

Conclusão

 
Para o público nerd em geral, a série é obrigatória. Há muitos easter eggs espalhados e promessa de muito mais por vir. Além disso, quanto mais dermos audiência pra tudo que os estúdios lançam, mais chances teremos de ver outras que ainda não existem e queremos. E mais conteúdo de nosso interesse com cada vez mais qualidade.
 
Para o grande público, Supergirl merece atenção por tudo que ele abordará, desde os dramas pessoais, como os possíveis momentos cômicos e, especialmente, o que a personagem promete representar para as meninas.
 
Conforme foi dito no início do texto, esse episódio piloto não foi empolgante como poderia (e deveria) ser. No entanto, já vimos isso antes. The Flash mesmo não teve um piloto de tirar o fôlego do início ao fim. Assim, vale o voto de confiança que engrenará, afinal, elementos pra isso existem. Kara é muito jovem, assim como Barry Allen. Há muito a se desenvolver na vida de um personagem com tanto a viver e com tanta complexidade. Supergirl, definitivamente, merece sua atenção por mais tempo do que esses 40 e poucos minutos de duração do episódio piloto.

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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