Stephen Hawking não acredita em Deus. Eu acredito nele.

Stephen Hawking não acredita em Deus. Eu acredito nele.

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É sempre um médio choque para o mundo quando um grande e famoso cientista declara que Deus não existe. Stephen Hawking, aquele tortinho da cadeira de rodas, vive a fazer isso. Não sei se pelo prazer do “choque”, ou por uma descrença real, Hawking é recorrente no tema.

 

Dessa vez, declarou não apenas o popular “Deus não existe”, que vem seguido sempre daquele papo de que o Universo se criou do nada, foi mais longe. Hawking acredita que, no futuro, a Ciência nos será capaz de prover uma sapiência tal que não precisaremos mais de um “recurso celestial”. Haja fé!

 

É, bom, a mim não surpreende. Um sujeito entrevado, dotado de um cérebro brilhante, mas relegado a uma cadeira de rodas, haveria de achar que Deus não existe, que não olha por ele. Jesus, filho de Deus, divisor da história, ficou popular o suficiente para deixar uma ótima impressão sobre seu pai. O mundo D.C. crê, piamente, que o ser supremo que criou a todos é a própria definição de bondade. E que, portanto, não permite a existência do mal. Mas este é, infelizmente, um conceito superficial daquilo que se têm arquicomprovado quando o assunto é essa tal divindade suprema.

 

As culturas mais antigas não revelaram tais informações, os povos longínquos do Oriente, em especial aquele em que nasceu Jesus, não sinalizou nada do tipo. Tudo isto veio depois, a necessidade de se ver Deus como um ser incapaz de permitir a maldade no mundo veio depois, bem depois, quando a própria religião (cristã) começou a perder popularidade – e dar lugar a alguma coisa parecida (Humanismo?). E com menos popularidade, começou a ser estudada com menos critério, fato que nos leva a Stephen Hawking e sua descrença.

 

Jesus era judeu, mas foi rejeitado pelos judeus como Hawking rejeita o Criador. O Ocidente o abraçou, amém!, junto ao dogma da Trindade, novamente, amém!, mas então porque rejeitamos o Pai na plenitude dos entendimentos da religião cristã? João Pereira Coutinho dedicou uma coluna na Folha para dizer, depois de honrosa explanação, citando Karl Popper e Karl Marx, que Stephen Hawking é ignorante. Pulem de suas de cadeiras! O português disse isso mesmo, em belo e adjetivado português. Pois o cientista é mesmo, no que diz respeito a religião.

 

O mundo, afinal, não estudou o suficiente a religião que fez imperar parte deste conceito de bondade no mundo, para entender que a coisa é uma pouquinho mais complexa e que o conceito de livre-arbítrio anularia tal raciocínio. Claro, um homem como Stephen Hawking deve conhecer toda a arquitetura da teologia cristã a respeito do livre-arbítrio, mas assim como rejeita a crença em Deus, deve rejeitar tal lógica também. Para um homem “murcho”, incapaz de coisas simples como gritar e andar, a negação de tal hipótese mantém as coisas em ordem. Mantém o mundo sob seus pés, não acima de sua cadeira. Por isso acredito nele. Acredito na necessidade dele de não acreditar nalgo que o tornaria menos que um cidadão “comum”, algo abaixo disto.

 

Stephen Hawking é como aquele professor do filme “Deus não está morto”, que deu uma bombadinha no Netflix no último mês (no filme, inclusive, o cientista é citado; o professor ateu é seu fã). Ele está mais para odiar Deus, por sua condição, do que, como um gênio da ciência, ter certeza de sua inexistência. Cientistas têm, ou deveriam ter, menos certezas e mais suspeitas, isto ajuda no trabalho, mas quando um Stephen Hawking abre uma exceção neste assunto – e a exceção para se afirmar sem provas é sempre neste assunto -, não tenho como não desconfiar.

 

É meio que uma moda pós-moderna, quase um fetiche essa oposição entre ciência e religião. Eu acho desnecessária e defendo um resgate de como era há 100 anos, quando a Igreja Católica detinha o mérito que merecia, na boca do povo, como Instituição incentivadora de todo o saber e, portanto, da Ciência.

 

Ao ler as declarações de Hawking, que reforçam essa falsa dicotomia, as entendo como mais que naturais. Ele engenhosamente sabe que servirá em muitas “falácias de apelo a autoridade”, em discussões sobre o tema, como as do filme “Deus não está morto”. E isto ajuda a manter a realidade como lhe apetece, pois o mundo a nossa volta é como a maioria acredita que é. Ferrado como está, não é justo a seus olhos que, caso exista um Deus, ele mereça ser reconhecido.

 

A hipótese de inexistência, para um homem genial e potencialmente vaidoso, é naturalmente mais charmosa do que a via contrária, que, baseada no senso comum atual da crença religiosa (Deus bondoso), o rebaixaria ao status de preterido. Deus, ele não saberia porquê, teria abençoado a uns muitos seres “comuns” com o privilégio de sentir o solo sob seus pés diariamente e ele, mesmo sendo o tal da Ciência, não teria esse “direito”. Uma injustiça, evidentemente. Para ele. Para mim, talvez não.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Guilherme Santos

    não acho que seja questão da circunstância do problema dele, que antes de cadeirante já era ateu, a frase do Tomás de Aquino resume bem isso “To one who has faith, no explanation is necessary. To one without faith, no explanation is possible.”

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Não acho que seja tão assim. Estou com Bill Craig quando este diz que nutre uma fé racional.

      Sobre o cientista, poderia dizer então que antes da cadeira ele era ateu e depois “evoluiu” para neoateu. Existe um abismo entre as duas posições.

      • Guilherme Santos

        pode ter influenciado

  • Leonardo Tigro

    Para mim, essas declarações são claras tentativas de chamar a atenção de Deus, e não outra coisa. Vou ser sincero e assumir, eu, na condição dele, ia apelar pro ateísmo sim.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Tentativa frustrada. Deus já deu a ele um cérebro incrível, deixa o corpo como está – Inferno, aí vou eu.

  • franklin

    cura se tudo franklin mangerotti.

  • franklin

    curo tudo,franklin mangerotti.

  • franklin

    em uma semana havera varias cura,paraplegico tetraplégico,aleiados enfermos paralíticos.etc.