Socorro, o planejamento mudou!

Socorro, o planejamento mudou!

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Fui contratada em uma agência para ser analista de mídias sociais de um determinado cliente. A princípio, tudo lindo. Escrevi textos, criei perfis nas redes sociais e estava esperando o momento certo de começar a ativação. Tudo estava indo às mil maravilhas, só que não. O cliente começou a pedir para que eu reescrevesse os textos e acertasse o tom que eles desejavam. Só que esse tom era completamente diferente do planejamento original e mudava completamente o direcionamento do job.


Reescrevi vários textos, alterei a forma. Inicialmente, a ideia era falar de maneira que pessoas leigas – os famosos dummies – entendessem do que estávamos falando e compartilhassem o conteúdo. Afinal, escrever nas redes sociais para um determinado público é algo muito instável. Você não pode sair escrevendo o que vem à cabeça, sendo que é isso que acontece em muitos perfis corporativos. Aliás, tem muita gente que nem sabe o que um analista faz, mas isso é caso para uma outra história. Bem, eu mudei o estilo, coloquei o que o cliente havia pedido – e ele pediu um monte de coisas – e mesmo assim não estava bom.


Oi, eu sou um dummie e quero entender o que você está falando.

Oi, eu sou um dummie e quero entender o que você está falando.


Continuei na agência e comecei a desenvolver outros trabalhos por lá, enquanto este projeto inicial ficou parado. Quando ninguém mais se lembrava do que se tratava o job, me chamaram para uma reunião: o projeto seria retomado. Para minha surpresa, não precisaria mais escrever textos para o blog, pois já havia alguns textos prontos que o próprio cliente escreveu para ser inserido nas redes sociais. Neste minuto eu parei, respirei, tentei acreditar que não estava tendo um surto, e tentei continuar ouvindo. Sim, era isso. O cliente escreveu três posts e eu deveria escrever mais dois. Claro, ele deve entender muito mais de textos para internet do que eu, que sou a especialista. No final, ainda tinha um prazo para reescrever todo o planejamento para a ação. Menos de uma semana para começar a produzir conteúdo e fazer com que as pessoas começassem a entender do assunto!


Daí eu me pergunto, e pergunto a vocês, caros #socialmediadadepressão, por que diabos então eles contrataram uma analista para escrever? Se meus textos não eram bons o suficiente, por que eles ainda insistiram em querer que eu divulgasse? Não faz sentido nenhum, concordam?


"Não faz sentido" e  "cliente" são quase sinônimos.

'Não faz sentido' e 'cliente' são quase sinônimos.


Definitivamente, trabalhar com social media dá muita depressão. Precisei de doses cavalares de café para não enlouquecer, pois ainda tinha que produzir o conteúdo, monitorar dados de outro cliente e produzir relatórios sem que ninguém nos supervisionasse. Não tá fácil pra ninguém.

Lívia Lamblet
Lívia Lamblet é jornalista, analista de mídias sociais e (metida a) Escritora - lançou um livro este ano. Carioca, moradora de Niterói, é altamente viciada em internet e tecnologia. Proprietária da página Analista de Mídias Sociais da Depressão e de dois perfis do Bukowski (Twitter e Facebook), além de um blog onde (acha que) fala sobre comunicação e mídias sociais. Enfim, vive de mimimi no Twitter.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Ótima estreia Lívia, essa coluna tem tudo para dar certo.

  • http://www.facebook.com/people/Beatriz-Villar/696183583 Beatriz Villar

    Nossa Lívia, essa situação foi barra pesada e remete a um outro problema que precisamos solucionar. Aliás alguns, tudo tem a ver como a comunicação se dá. A empresa tem que ser responsável por essa interlocução (mediação). Estamos vivendo um momento histórico que, para mim, não tem nada de depressivo, ao contrário, são descobertas fantásticas a cada momento. O caso é: tenho um especialista que é Analista em Mídias Sociais e um empresário de peso que é cinquentão. Como alinhar essas duas epistemes. Essa solução a ResultBox tem como meta. Vamos que vamos ;-)

  • http://www.facebook.com/people/Diego-de-Lacerda/100001697724667 Diego de Lacerda

    Pois é. Ninguém fica questionando o médico e fazendo o serviço dele, assim como em muitas outras profissões, agora internet, redes sociais, todo mundo entende. Ainda não sei pq ainda nos pagam pra fazer o que eles supostamente saberiam fazer com o pé nas costas. 

  • André Luís Marçal Júnior

    A máxima que diz: “O cliente sempre tem a razão” em TI é cruel. Temos que engolir alguns sapos as vezes. O que mais revolta é que estudamos alguns anos na faculdades, trabalhamos anos e uma pessoa que nunca trabalhou na área achar que é dona da razão. Nessas horas tem que pensar igual um colega meu do trabalho capitalista. 
    Cliente ta pagando por cada alteração e tempo gasto? Sim! 
    Dia do pagamento tá caindo o dinheiro na minha conta? Sim! 
    Ta pagando minhas conta? Sim!
    Então sorria!

  • Tagil Oliveira Ramos

    O diálogo não são duas pessoas falando, pois uma pode não estar ouvindo a outra. Parece ser o caso. Em nosso trabalho, há muito ainda de evangelização. O cliente parece saber o que quer. Mas é preciso que ele também aprenda da importância e da novidade desse novíssimo tipo de mídia. Aprendemos todos os dias e é preciso ter sempre humildade. Essa é a arte da vida… e como é duro estar sempre tendo que aprender. Mas nada mais gratificante para manter a mente jovem e criativa. 

    • Lívia Lamblet

      Acho fundamental aprender todos os duas também! No caso, eu não tinha muito poder de voz. Triste…