Síndrome X: Já ouviu falar? – Obesidade

Síndrome X: Já ouviu falar? – Obesidade

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A obesidade tornou-se uma epidemia em todo o mundo. Acredita-se por exemplo que em 2020, 40% da população norte-americana seja obesa. Em países em desenvolvimento como China e Índia, números também preocupantes foram observados.


A definição de obesidade é bem arbitrária e era feita normalmente baseada no IMC. Entretanto, este cálculo tem se mostrado altamente inconclusivo. O cálculo atual é feito através da porcentagem de “massa gorda”, sendo um percentual de 28% já considerado como obesidade.


Ainda é válido citar que uma deposição mais central de gordura corporal (tecido adiposo abdominal) é um maior risco à saúde do que uma distribuição periférica de gordura. Isso explica a maior incidência de infartos em homens do que em mulheres.


Isso aí, a culpa é dessa sua pança enorme.

Isso aí, a culpa é dessa sua pança enorme.


Doenças endócrinas, como hipotireoidismo ou Doença de Cushing, são causas raras de obesidade. Parece mais provável que a disposição genética, juntamente com o ambiente, sejam as grandes causadores do fator. Portanto, salvo as raras exceções, obesidade é simples de se explicar: o indivíduo comeu mais “calorias” do que ele gastou.


Sim, obesidade vem de comer de mais. Entretanto, comer de mais o que? Carboidratos, gorduras, proteínas? Por incrível que pareça, a resposta que parece mais óbvia (gorduras) não é a verdadeira. O acúmulo de gordura (triacilglicerol) tem grande relação com a alta ingestão de carboidratos.


Nosso organismo precisa manter uma concentração de glicose (glicemia) constante para satisfazer, sobretudo, as hemácias e a respiração celular (vital à nossa sobrevivência). Essa glicemia é baixa, em torno de 5 mMol. Quando nos alimentamos essa glicemia se torna excessivamente alta, se elevando a mais de 15 mMol (3 vezes mais do que o normal). Essa situação é altamente prejudicial ao organismo porque dificulta muito a respiração celular. É por isso que quando terminamos de comer nossa respiração diminui e nosso corpo induz o estado de sonolência. Portanto, podemos definir essa condição como uma situação de estresse ao organismo.


Não, você não ficou louco! Eu disse mesmo que comer pode fazer mal à saúde. Se fôssemos tratar a nível de necessidade, precisaríamos nos alimentar somente uma vez por dia e em uma quantidade bem moderada. Nós comemos porque estamos condicionados a comer, não porque precisamos.


Comer demais é 'apenas' um mau hábito. | Créditos: corposaun.com

Comer demais é 'apenas' um mau hábito. | Créditos: corposaun.com


Ora, nosso corpo foi criado para não desperdiçar de maneira alguma energia. Se você come muito, seu corpo vai dar um jeito de guardar essa quantidade excessiva de energia para uma situação de necessidade. Os carboidratos podem ser armazenados de duas maneiras, sob a forma de glicogênio e sob a forma de triacilgliceróis (gorduras).


Há duas principais vantagens para armazenar energia sob a forma de gordura. A primeira é que a quebra de gordura gera muito mais energia do que a quebra de um açúcar. E a segunda é que os triacilgliceróis não interagem com água e por isso ocupam muito menos espaço. Portanto, juntando-se o útil ao agradável, o nosso organismo resolve a alta glicemia (que pode ser mortal) retirando glicose do sangue numa velocidade absurda e armazenando-a da melhor maneira possível, na forma de triacilglicerol.


Além do citado, os carboidratos são mais facilmente metabolizados do que os lipídios. Associando-se isso tudo à alimentação moderna pautada em grande carga de carboidratos, posso afirmar que a obesidade vem da alta ingestão de carboidratos.


E porque é tão difícil controlar a nossa fome insaciável? Acredito que a ciência está próxima de responder a essa pergunta. Está sendo exaustivamente estudado um hormônio chamado Leptina. Esse hormônio foi identificado em ratos e tem relação com a vontade de comer, inibindo a fome.


O curioso é que esse hormônio também existe em nós, mas parece não ter efeito. Ou não tem efeito ou criamos resistência à ele, assim como acontece com a insulina na Diabetes Mellitus tipo 2. Ou seja, após anos ignorando a nossa falta de apetite o nosso corpo deixa de nos dizer que não temos mais fome.


Esse descontrole tem consequências sérias como o infarto e a Diabetes Mellitus tipo 2. No caso do infarto, a relação é bem simples, se você é obeso você terá mais triacilgliceróis circulando pelo seu organismo, o que implica num maior número das lipoproteínas plasmáticas e aumenta a probabilidade de desenvolver placa de Ateroma (vide primeiro artigo da série).


O papo é tranquilo, mas obesidade é coisa séria, não esqueça. | Créditos: David Smith

O papo é tranquilo, mas obesidade é coisa séria, não esqueça. | Créditos: David Smith


Já na questão da Diabetes a relação existe somente para a Diabetes Mellitus tipo 2. O que se sabe é que a circulação de Ácidos Graxos Livres tem relação com uma menor utilização de glicose principalmente pelo músculo (maior parte de nosso organismo) e isso poderia contribuir para a resistência à insulina. Além disso, os obesos geralmente têm glicemia elevada por muito tempo, o que por si só induz a resistência à insulina. Sendo assim, o obeso tem antes da Diabetes um quadro de resistência à insulina que evolui para a doença em 40% dos pacientes.


A obesidade é um problema seríssimo e merece extrema atenção. Ela faz parte dos distúrbios alimentares associados a características psicológicas que tem assolado o mundo atual. Neste aspecto, a população tem se dividido em três partes, os que deixam de se preocupar em controlar a alimentação (obesos), os que fazem esforços válidos para isso (como exercício físico e dieta) e os que “mantêm a forma” de maneiras prejudiciais (anoréxicos, por exemplo).


Mesmo com esse cenário tenebroso, ainda há esperança e “cura” para a obesidade e a Síndrome Metabólica. A solução é uma só: dieta e exercício físico. Aguardem o próximo artigo!

Pedro Henrique Franco
Pedro Henrique da Rocha Franco, nascido em 1991. Cristão, amante da leitura e apaixonado por futebol.

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  • FredGazim

    Estou gostando dessa série (mas não sou obeso, rsrs), muitos termos técnicos, porém o texto não é chato, dá pra entender as coisas na boa. Parabéns!

  • Pedro

    Obrigado! O intuito é esse mesmo, transmitir a informação da maneira correta e mais ligth possível!