Sabe de nada, Conar…

Sabe de nada, Conar…

6

O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que a propaganda veiculada pelo site de classificados “Bom Negócio” e estrelada por Compadre Washington seja retirada do ar. O motivo: para o órgão, a peça é “desrespeitosa”.

 

Na verdade, não a peça inteira, mas, sim, um termo: “ordinária”. Precisamente, o bordão que consagrou o saudoso cantor do É o Tchan! foi considerado “ofensivo para as mulheres. Percebam que a fala de Washington é ligeiramente cortada quando este desaparece e o “inocente” marido diz que fez um bom negócio. De acordo com o Conar, apesar do corte, o bordão é “perfeitamente compreensível” para o público. O órgão diz ter recebido mais de 50 reclamações, vindas tanto de homens quanto de mulheres.

 

Também em inglês!

Também em inglês!

 

O que motivaria esse tipo de coisa?

 

Vontade de aparecer? Mostrar serviço? Talvez o próprio “Bom Negócio” querendo mais audiência do que já conseguiu?

 

“Sabe de nada inocente”!

 

Sou capaz de apostar que é só falta do que fazer mesmo.

 

Fica claro que o papel, não só do Compadre do Axé, mas também como de TODOS os outros protagonistas das demais propagandas é mostrar-se inconveniente, um peso, um estorvo. E, como tais, merecem ser “desapegados” pelo seu dono. (Ops, acho que peguei emprestado o bordão do concorrente…)

 

Ao usar a expressão considerada “chula” e chamar a esposa do seu antigo dono de “ordinária”, o aparelho de som (ou Compadre Washington se você preferir) está, tão somente, cumprindo seu papel de chato e supérfluo. E o melhor combate, portanto, é justamente fazer o que fez o antigo dono: “se livrar” daquilo.
Ou seja, a sanção já é aplicada na própria peça.

 

Pra quê o MIMIMI?

 

#imaginanacopa

 

Sabe de nada....

Sabe de nada….

Luciano Dodaro
Luciano é um profissional do mercado financeiro, formando em Publicidade e Propaganda, promotor de eventos e certificado em marketing. Um eterno entusiasta da Comunicação.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.
 
  • Wellington Cunha

    Quer dar risada com a piada pronta? Veja esta notícia: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/11/consumidores-reclamam-e-conar-vai-julgar-anuncio-feito-pelo-proprio-orgao.htm

    Pior que os dois comerciais do CONAR, assim como os do “Bom Negócio”, são muito bons, mas pq uma “micro”ria (não dá nem pra chamar de minoria um universo de 50 reclamantes entre todas as pessoas que foram atingidas pelo comercial, é simplesmente irrelevante este número) reclamou proíbem o comercial.

    No meu mundo ideal não haveria este tipo de proibição (isto sim é censura!) e quem se sentiu de alguma forma ofendido iria procurar a lei para exigir reparação. Lembrando sempre que o ônus da prova é de quem acusa.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Perfeito, Wellington. Não tem outro nome, isso é censura deslavada. A diferença é que geralmente vemos isso partir do Judiciário, mas dessa vez foi algo “interno”. Chocante mesmo.

      Entendo como um traço do politicamente correto, pensamento disseminado pela esquerda, é que reinante no país hoje. Estão aí as consequências.

      • André Luís Marçal Júnior

        Minha esposa trabalha nessa área, estava comentando que no EUA, permitem até uma marca em seu comercial falar algo ofensivo de uma marca rival.

        Acho que se tiver que proibir a propaganda, tem que proibir as musicas, assim como muito funks e etc…

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          O correto é não proibir nada. Cada um, em sua casa, que exercite o bom senso e julgue o que verá ou não.

          Funks fazem realmente muito pior, e esse comercial, na verdade, ofendeu meia dúzia. Ficou num ar um tempão e não causou mal algum. Foi um erro crasso do Conar.

          Os EUA é o paraíso da liberdade, não há comparação alguma com o Brasil, que é o paraíso do politicamente correto.

    • http://www.pitacopublico.blogspot.com Luciano Dodaro

      Me arrisco a dizer que até o Conar gosta de publicidade para si. Afinal, porque não pegar carona no sucesso e chamar um pouco de atenção.

      Eles precisam de um abraço.

      • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

        Bastante coerente, Luciano. Acho que é por aí.