Ronaldinho Gaúcho: Da glória à escória. <br />Ou nem tanto assim.

Ronaldinho Gaúcho: Da glória à escória.
Ou nem tanto assim.

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O Ano era 2004 e Ronaldinho fazia sua primeira temporada no time Catalão. Talvez não soubéssemos ainda o quão longe iria ou quão grande aquele sujeito viria a ser. Não que fosse desconhecido, mas certamente não imaginávamos que o dentuço encantaria de tal forma o mundo.
 
Apesar do tão curto hiato, acredite você ou não, os tempos eram outros e o mundo era bem menos fresco. Provavelmente, se naquele fim de semana Neymar lá já jogasse a tão criticada lambreta sobre Bustinza, passaria despercebida, tudo porque Ronaldinho resolveu aplicar não apenas um chapéu, mas três nas ‘vítimas’ Javi González e Carlos Gurpegina. Quis o destino, aliás, que a vítima do futebol moleque em ambas ocasiões fosse o pobre Athletic de Bilbao.
 
Naquele ano, o mundo abriu os olhos para o Jar Jar Binks brasileiro, comparado-o a todos os deuses do futebol clássico e moderno. Posteriormente viria a ser eleito por duas vezes melhor jogador do planeta e realizar feitos provavelmente ainda mais incríveis, como o inesquecível clássico com o Real Madrid em 19 de novembro de 2005, quando marcou dois gols e foi aplaudido de pé pela torcida do maior rival.
 

Ronaldinho Gaúcho: Melhor do mundo

Ao Lado de Thierry Henry, o craque recebe o prêmio de melhor jogador do planeta.


 
Ronaldo brilhou nos campos espanhóis, encantou o mundo e conquistou uma legião de fãs, que afirmavam às vezes com orgulho, outras em tom de brincadeira que não viram Pelé ou Maradona, mas viram-no jogar. Foi sem sombra de dúvida a pedra fundamental da reinvenção do clube catalão, que há muito não tinha mais o prestígio de outros tempos. E aqui afirmo, sem titubear: Em seu auge, na temporada 2005/2006, seu futebol foi mais encantador que o de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar juntos.

 

Milan

 
Em 2008, o jogador trocou as cores da camisa azul-grená, pelo rubro-negro de Milão, clube pelo qual atuou até a temporada 2010/2011 da série A italiana. Foram pelo menos duas temporadas em alto nível, que se não se comparavam ao auge no Barcelona, era suficiente para se destacar como principal peça do clube de Galliani.
 
Foi durante sua passagem pelo San Siro, que Ronaldinho foi eleito pela revista britânica World Soccer o jogador de futebol da década, sendo depois liberado gratuitamente para negociar com clubes como Flamengo, Grêmio e Palmeiras.
 

O Retorno às Américas: 4 anos, 4 clubes e nem tanta glória assim

 

Em 2011, após 10 anos na Europa, e a recisão contratual com o Milan, Ronaldinho era o sonho de 10 em cada 10 clubes do país. Após muita polêmica, barganha e questionáveis ações de Assis, o irmão / empresário do jogador, eis que surge um bordão como justificativa para a escolha do novo time: “O Flamengo é o Flamengo”.

 

Após a frase que conquistou a massa rubro-negra, o “show man” viveu uma relação de amor e ódio em curtíssimo tempo. Ronaldo disputou algumas partidas discretas e um memorável jogo no turno do brasileiro de 2011, contra o Santos de Neymar e cia (esta, por sinal, me recordo como a melhor partida de futebol que assisti na vida). O final desta relação, todos conhecem: Uma recisão de contrato nada amigável, muita irresponsabilidade por parte da então presidente rubro-negra Patrícia Amorim, e um processo que corre sob o mais alto sigilo.

 

Depois de muita polêmica, devido às famosas festas em seu condomínio e uma passagem para lá de discreta pelo rubro-negro carioca, o jogador passa de sonho de consumo a, praticamente, ‘persona non grata’ em quase todos os clubes do país. Foram realizadas algumas pesquisas com torcedores dos clubes da série A, e a grande maioria não desejava ter o dentuço, por razões compreensíveis, até que surge Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, bancando a negociação e fazendo, talvez a maior aquisição da história do clube. Resumo: Bom para todos. O Atlético Mineiro, que era considerado no máximo um Botafogo sem praia, assumiu o Status de Campeão da América.

 

Após duas temporadas e muita idolatria no Galo, Ronaldinho resolveu continuar se aventurando e após boa passagem partiu em direção ao México para assinar com o não tão badalado Querétaro, onde após uma temporada não tão brilhante repetiu o feito realizado contra o Real Madrid, sendo mais uma vez aplaudido de pé pela torcida rival.
 
Aos 35 anos, Ronaldinho rescinde o contrato com o clube mexicano e novamente aparece nos noticiários em negociações com alguns clubes, dentre os quais, o Vasco da Gama, que chegou a declarar, através de seu presidente que Ronaldinho estava 90% fechado com o clube cruz maltino. Os 10% fizeram falta e Ronaldinho acertou com o Tricolor das Laranjeiras.
 
Sua passagem se resumiu a 9 jogos, nenhum gol, nenhuma assistência e nenhuma firula que valesse o preço do ingresso. Gaúcho teve no máximo uma passagem sem sal pelo tricolor, revezando bastante entre o banco e o campo.
 
Não sei exatamente o que esperavam dele, mas certamente não o gênio que brilho no Camp Nou. Este lá mesmo acabou.
 
Ronaldinho certamente não voltará a brilhar. Pode ser que nos surpreenda , jogando em mais um clube carente de “estrelas”, aprontando as suas e nos fazendo de bobos.
 
Mas hoje, a certeza é que deixa o Fluminense como quem nunca lá esteve. Não deixará saudades. Não deixará sua marca.
 
Não deixará nem mesmo um bordão.

Guilherme Barauna
Músico, cristão reformado e antagonista do politicamente correto. Consumista voraz do que a internet pode proporcionar sem abrir mão de um bom livro. É pai da Luíza e Mestre Jedi no tempo livre. Criador do seucursodeexcel.com.br Twitter: @glmbarauna

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