Romero Jucá e Jô Soares, show de chapabranquisse

Romero Jucá e Jô Soares, show de chapabranquisse

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Romero Jucá (PMDB – RR) é senador pelo terceiro mandato seguido (ficará 24 anos no cargo!), governista por “instinto”, conseguiu a proeza de ser líder do governo nos mandatos de FHC, Lula e Dilma. Jô Soares, vocês sabem, já foi muito bom de humor, hoje nem isso, e de política nunca entendeu nada. Dá pitacos, sim, semanalmente, e as vezes nem nos faz querer arrancar os cabelos, mas só as vezes.

 

No dia 08/12/2014 a dupla se uniu no que foi chamado de entrevista, mas que poderia facilmente receber outro nome. Peça de propaganda, talvez. Editada, poderia até ser veiculada nalgum programa televisivo do PT.

 

O senador Jucá é daqueles que acredita que Lula endireitou-se para se eleger. Ele é o sujeito que, somente outro dia, descobriu que Dilma é socialista. Escandalizou-se com o fato e fez campanha para Aécio – na entrevista ao Gordo ele conta a vitória de seu candidato em Roraima, seu estado. Mas um mês depois, já estava de volta ao seu querido posto de líder governista no Senado, defendendo um projeto que salvou a pele da presidente socialista que ele não votou. Das duas, uma: ou ele é realmente muito confuso, carente de tratamento, ou é um calhorda profissional.

 

Na entrevista, disse que segue a mesma linha desde seu primeiro mandato, mesmo estando em navios completamente distintos e com comandantes diferentes. E é verdade, ele não mudou de linha porque não segue linha alguma. Embarca ainda servirem a melhor comida. E não entende nada do que acontece no país hoje. Deve achar que o Comunismo virou história e que o Bolivarianismo (que de Simón Bolívar carregar apenas o nome) é mito.

 

Com uma baita cara de pau, o senador defendeu que o PLN 36 deveria ser aprovado para que a “economia do país destravasse”, para que o país tivesse oportunidade de começar diferente “esse novo ciclo de econômico”. E daí extraímos uma máxima: apesar do diploma de economista, o sujeito é burro. Para ele, um novo mandato, com a mesma presidente e o mesmo partido, que tem a mesma mentalidade econômica retrógrada, é um novo ciclo econômico. Não sei em que teoria econômica Jucá, que afirma e reafirma que entende do assunto o tempo todo, se baseia para afirmar que o PLN 36/2014 ajudaria o país nessa seara, mas de uma coisa estou certo, sua rejeição certamente poderia. Com a possibilidade de um impeachment, pois caso não “fechasse as contas” a presidente poderia incorrer em crime de responsabilidade (conforme expliquei neste outro texto), aí sim, não só a economia, mas tudo o mais neste país teria uma chance de ser “destravado”.

 

Jô, como mestre chapa-branca que é, aproveitou cada segundo para pintar os governistas, defensores de tal PLN, de sãos e moderados, quase heróis, vítimas de ferozes e truculentos oposicionistas. O deputado Mendonça Filho (DEM – PE), um dos líderes da oposição, foi fritado. Tudo para que sua imagem bonachona de (sic) entendedor de política continuasse, na cabeça dele, intacta.

 

Na semana passada, o apresentador declarou no seu já tradicional programa semanal sobre política, com as tais Meninas do Jô, que era a favor da PLN 36, pois temia um impeachment – disse que, especialmente neste momento, faria muito mal ao país (notem que ele é tão bondoso, que sempre pensa no bem do Brasil, mas sem nem querer saber da opinião do resto de nós, que também compomos o “Brasil”). Ontem, levou Jucá ao seu programa, sem nem disfarçar, para apenas corroborar com o que havia dito na semana anterior, e que havia sido criticado por uma das integrantes da mesa. “Ele é senador, é economista, já foi do PSDB e concorda comigo”, algo assim. Aquele chapabranquismo cansativo de sempre.

 

Jô e Jucá fingem que o apoio ao PLN 36 foi uma atitude isenta, dizem que visavam apenas o melhor para o país. Que não queriam ver a imagem do Brasil ser arranhada ainda mais no exterior. Este mesmo país da Petrobras, que está sendo processada em corte americana (NY) por investidores que sentiram-se lesados com a desvalorização recente das ações da estatal, fruto de uma “cultura de corrupção” na empresa. O comunicado sobre a impetração da ação, divulgado pelo famoso escritório Wolf Popper, que representa os acionistas insatisfeitos, cita ainda que a tal “cultura de corrupção” consiste em um “esquema interno multibilionário de corrupção e lavagem de dinheiro”. Quer imagem mais suja para um país do que ter sua principal estatal arrolada num processo como esse? Não tem como ser pior do que isso.

 

Mas, na entrevista panfletária, a cada brecha eles frisavam que infringir a LDO e não cumprir a meta fiscal é ruim, mas que não aprovar o projeto que evitaria que isso fosse crime, conforme prevê a lei, seria pior. Uma lógica tosca de mal menor que só é real na mente deles e de outros chapa-branca.

 

Assista, se tiver estômago forte:

 

Link Youtube | Romero Jucá e Jô Soares, a dupla chapa-banca dinâmica.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • GaBriel Amaral

    Um é pilantra com carteira assinada e firma reconhecida. O outro é um gordo que a beira da morte resolveu voltar a ser o gordo idiota. Não assisti a essa sandice por sorte.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Voltar? Tenho dúvidas se ele algum dia deixou de ser idiota.