Rock in Rio 2015 (3º Dia) – Garçom, traz um pouco de tudo… e <br />mais um pouco.

Rock in Rio 2015 (3º Dia) – Garçom, traz um pouco de tudo… e
mais um pouco.

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Acredito que dos sete dias de festival, esse terceiro dia foi o mais eclético de todos, pois os artistas dos mais variados estilos acabaram por se reunir em ambos os palcos do festival, para shows com um saldo pendendo mais para o positivo, e não o contrário.

 

Começamos o dia acompanhando Alice Caymmi, neta do grande Dorival, um verdadeiro “multiartista”. Ela focou mais nas músicas de seu segundo disco, lançado no começo de setembro de 2014 (“Rainha Dos Raios”), com duas surpresas no meio do caminho: “Paint It Black” (Rolling Stones), numa nova roupagem, até porque a moça foi acompanhada de quartetos de metais e de cordas, e “Black Dog” (Led Zeppelin) ao final da apresentação; apesar de ter uma boa voz, faltou um pouco mais de interação e movimento dela no palco. Eumir Deodato também deu as caras mais ao finalzinho da apresentação, executando “Also Sprach Zarasthustra” (Strauss), mais conhecida como a música-tema de “2001: Uma Odisseia No Espaço”, além de “Summertime” (Ella Fitzgerald) e a já mencionada “Black Dog”. Considerei um show morno, no final das contas, nada de realmente impactante ou mesmo memorável.

 

Depois subiram ao palco Baby do Brasil (ou Baby Consuelo, como preferir), junto com seu ex-marido e o filhote, Pepeu Gomes e Pedro Baby, respectivamente; o trio arrebentou no palco, com Baby e Pepeu agradecendo a Deus sempre que possível, e trazendo hits dos anos 80 e duas músicas dos Novos Baianos (“Tinindo, Trincando” e “A Menina Dança”). A banda de apoio também não deixou a desejar, recheando muito bem a execução das músicas, e até botando o povo pra dançar no finalzinho com “Todo Dia Era Dia De Índio” e “Masculino/Feminino”. Pena que o set deles foi curto, mas que valeu a espera, valeu. Altamente recomendável.

 

Pepeu e Baby botaram pra quebrar no Rock in Rio.

Pepeu e Baby botaram pra quebrar no Rock in Rio.

 

Depois de um excelente show, veio o pior do dia: Magic!, uma banda meia-boca que junta Pop com Reggae e que só agrada quem tem mentalidade de menos de 12 anos; é quase um The Police sem talento e carisma, com músicas arrastadas e que não empolgaram em nada, definitivamente esse quarteto canadense não vale uma conferida. Dói menos arrancar os cílios com uma pinça do que se atrever a assistir a um show deles. Passe longe.

 

Pra encerrar os shows do palco Sunset, veio John Legend com seu Pop baseado em Soul Music; fez uma boa apresentação, mas as músicas escolhidas não empolgaram, devido ao set ter sido baseado mais naquelas típicas músicas românticas pra pegar as menininhas, quando ele poderia muito bem ter feito um show mais “pra cima”, pra levantar a galera, mas valeu a conferida, até porque o cara tem presença de palco e uma voz afinadíssima, além de uma ótima banda de apoio. Ele começou bem, com “Made To Love”, mas terminou pra baixo, tocando “Glory” (vencedora do Oscar de 2015 na categoria de “Melhor Canção”). Contudo, saldo positivo pro cara, mais pelo seu carisma do que pelas músicas executadas.

 

Abrindo o palco Mundo, Os Paralamas do Sucesso, veteranos do Pop Rock nacional, tocaram 20 músicas no total, e até apresentaram covers de Tim Maia, Ultraje A Rigor e Legião Urbana, além de menções a outras músicas como “Every Breath You Take” (The Police) e “Sociedade Alternativa” (Raul Seixas). Falar desse trio é chover no molhado, dada a vastidão de hits que eles tem nas costas: “Cuide Bem Do Se Amor”, “Lanterna Dos Afogados”, “Meu Erro”, “Óculos”, “Loirinha Bombril”, e por aí vai. Outro show imperdível.

 

Começando então, as atrações internacionais, veio o Seal, com seu Pop romântico eletrônico, mostrou muito carisma e presença de palco, além de uma voz afinadíssima, já abrindo com dois de seus maiores hits por essas bandas: “Crazy” e “Killer”; na hora em que o show começou, pensei que ele estava se arriscando, visto que boa parte do público desconhece a discografia do cidadão, e se arriscou mais ainda, por ter tocado várias músicas de seu disco novo que nem foi lançado ainda! Ou seja, apesar de ter interagido bastante com a plateia, o povo não teve como responder mais ativamente ao show, até porque as músicas também não foram tão empolgantes assim, o que tornou o show do Seal quase um “déjà vu” no mesmo dia, em paralelo com o do John Legend. A galera até que se divertiu mais no finalzinho com “Life On The Dance Floor”, mas já era tarde demais. Show morno e burocrático.

 

Adentra então ao palco Mundo, na minha opinião, a verdadeira atração do dia: Elton John, com mais hits na bagagem do que todas as atrações do dia combinadas. Com um set um pouco mais longo do que o apresentado em sua passagem pelo festival em 2011, e também com poucas trocas dentro do repertório, abriu com “The Bitch Is Back”, e daí pra frente foi clássico seguido de clássico: “Bennie And The Jets”, “Candle In The Wind”, “Levon” (estendida), “Tiny Dancer”, “Philadelphia Freedom”, “Goodbye Yellow Brick Road” (esta também estendida com um solo de piano), “Rocket Man”, e não parou mais. Finalizou com “Your Song” no “bis” e deve ter satisfeito a todos. Um dos melhores shows do festival, disparado. Só espero que caso ele seja escalado novamente para futuras edições, que o deixem finalizar o dia e tocar no mínimo umas 20 músicas (que ainda seria pouco).

 

Finalizando esse dia, surgiu então Rod Stewart, com um show visualmente mais complexo do que o de Elton John, devido à quantidade de “entra e sai” de músicos por música, além das quatro ou cinco trocas de roupa do cantor. Stewart trouxe vários covers em seu repertório, todas muito bem executados por ele e por sua banda de apoio (aliás, as backing vocals do Rod estão de parabéns, pois estão no mesmo patamar das trazidas pelo Mötley Crüe na noite passada, tanto pela beleza quanto pelo talento e carisma); teve cordas, solos de saxofone, as backing vocals mandaram versão pra “I’m Every Woman” (Chaka Khan), abriram com “Having A Party” (Sam Cooke), tocaram “Have You Ever Seen The Rain?” (Creedence Clearwater Revival), além de trazer alguns de seus maiores hits, “Rhythm Of My Heart”, “Forever Young”, “Baby Jane”, “Maggie May” e “Da Ya Think I’m Sexy?”.

 

Obviamente, Rod finalizou a grande festa com “Sailing” (Sutherland Brothers), eternizada em sua voz rouca. De fato, a palavra “show” define bem o que Rod Stewart apresentou nesse fim de dia. Também vale uma conferida, pois a diversão é garantida.

 

Rod Stewart: Cafona, porém certeiro.

Rod Stewart: Cafona, porém certeiro.

 

Fechamos então, o 3º dia de festival, e esperando que os venham mais surpresas e novidades por aí, até porque, os 2 próximos dias serão dedicados à galera da camisa preta. Quem aí está preparado pra bater cabeça?