Rock In Rio 2015, 2º dia (19/09) – Um dia sobre redenções

Rock In Rio 2015, 2º dia (19/09) – Um dia sobre redenções

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Até que enfim, as guitarras pesadas deram as caras na Cidade do Rock! Os “camisas pretas” correm pra frente do palco para conferirem bandas e artistas muito mais relevantes do que os apresentados na noite anterior (lembrando que o Queen + Adam Lambert começou após a meia-noite). É hora, então, de shows mais coerentes entre si e, curiosamente, com novidades tanto nacionais quanto internacionais. Hoje será um bom dia.

 

Começa, então, a jornada pelo “dia do Rock”, de maneira um tanto quanto confusa, com os paulistanos do Noturnall, uma banda com pouco mais de 2 anos de existência e já com dois discos nas costas. Obviamente, a banda trouxe músicas de ambos os lançamentos, que misturam Power Metal com Heavy Metal tradicional e pitadas de Thrash. Digo confusa, pelo fato de na segunda música aparecerem quatro dançarinas maquiadas como zumbis e começarem a fazer um “pole dance from Hell” no meio dos músicos. Depois é que fui me ligar que o nome da faixa era “Zombies”! Nada contra as meninas maquiadas dançarem em cima do palco, mas… pô, é esquisito mesmo assim. Não foi uma boa ideia e nem foi bem executada. Entretanto, a confusão não parou por aí. Mais algumas músicas pra frente, sobe ao palco, então, a Dona Maria, mãe do vocalista Thiago Bianchi, pra cantar “Woman In Chains” do Tears For Fears em dueto com seu filhote, que prometera à mãe que quando fosse ao Rock In Rio pela primeira vez seria pra estar em cima do palco. Apesar de ter sido um gesto bacana do filhão, foi outra bola fora, até porque ambos pareciam não conhecer a letra da música. Então, pra levantar o público, que até esse ponto estava com uma cara de “ponto de interrogação”, soltaram a cover “Cowboys From Hell” do Pantera. Daí pra frente foi jogo ganho, pois trouxeram Michael Kiske, o eterno ex-vocalista do Helloween, acompanhado por Mike Orlando, guitarrista do Adrenaline Mob, pra cantar mais umas três músicas e encerrar um bom show, apesar de confuso.

 

Depois veio Angra, tendo em sua formação o novo vocalista Fabio Lione (da banda italiana Rhapsody Of Fire), para se redimir do fiasco que foi o show de 2011, quando se apresentaram com Edu Falaschi – uma das últimas apresentações do vocalista com seus companheiros do Power Metal. E conseguiram! Trouxeram a participação de Doro Pesch, musa do Metal alemão e eterna ex-vocalista do Warlock, para um dueto com o guitarrista Rafael Bittencourt na faixa “Crushing Room”. Em seguida, apresentaram o novo guitarrista, Marcelo Barbosa, do Almah, que irá excursionar com a banda depois que o Kiko Loureiro sair em turnê com o Megadeth. Ainda, mais dois clássicos da banda, um seguido do outro, foram apresentados, com os 3 guitarristas se revezando em “Carry On” e “Nova Era”. Somente então trouxeram “Dee Snider”, um dos “arroz de festa” mais divertidos da gringa – que vestia a melhor camiseta do festival com os dizeres “FUCK IT”. ÓBVIO que “I Wanna Rock” e “We’re Not Gonna Take It” tiveram que rolar, novamente contando com Doro Pesch. Pá de cal no passado e bola pra frente, Angra! Excelente show.

 

O vocalista Fabio Lione e os convidados da vez, Dee Snider  e Doro Pesch.

O vocalista Fabio Lione e os convidados da vez, Dee Snider e Doro Pesch.

 

Depois do Power Metal “brazuca”, chegou a hora de aumentar o som e tirar as crianças da sala, porque começava um dos shows mais pesados do dia: Ministry, que contou ainda com a participação do vocalista Burton C. Bell (Fear Factory) pra aumentar ainda mais a fúria que rolou no palco Sunset. Confesso que não sou entusiasta de Metal Industrial, mas o que vimos no palco, com o vocalista Al Jourgensen vestido de bate-bola e com máscara de gás, não estava no gibi. Foi porrada seguida de porrada. Devo ter demorado pelo menos umas duas músicas pra perceber que o convidado já havia adentrado ao palco e vociferava as letras junto da banda. O curioso é notar a cara de bunda da plateia, sem saber o que fazer ou o que sentir. Provavelmente, se eu estivesse lá, também teria ficado tonto com o peso que a banda destilou da primeira à última música do setlist. Outro excelente show.

 


Link Youtube | Líder do Ministry, o bate-bola Al Jourgensen estava impossível, a repórter Laura Vicente que o diga.

 

Assim que o Ministry deixou o palco, entrou em ação o Korn, show esse que não vi por inteiro. Também nunca fui fã da famigerada onda New Metal, surgida na segunda metade dos anos 90; muito menos curto a sonoridade do Korn e os vocais nasalados do Jonathan Davis, mas o pouco que eu vi, da metade pro final, foi suficiente pra perceber que a banda estava afiada e focou mais nas músicas que ganharam clipes, ou seja, foram no que não ia decepcionar o público: “Did My Time”, “Freaks And Ladders”, “Falling Away From Me” e “Freak On A Leash”. Mesmo eu que nunca ouvi um disco inteiro do Korn, conheço essas músicas. Portanto, acho que eles fizeram o certo ao focar nos “hits” pra agradar gregos e troianos.

 

Em suma, todos que tocaram no Sunset estrearam no festival (exceção feita somente ao Angra) e foram bem sucedidos. Estou no aguardo pra que retornem em futuras edições. Talvez num palco maior.

 

E por falar em palco, perdi a abertura no palco Mundo, que é o maior dos dois. Nela se apresentou a banda francesa de Death Metal (outro estilo que também não curto) Gojira, que lá fora faz um sucesso estrondoso. Infelizmente, fiquei devendo uma conferida, não podendo comentar a respeito. Mas do show seguinte, eu posso comentar: Royal Blood, um duo britânico com um disco e um EP nas costas, que misturam Garage Rock com pitadas de Blues e Hard. A dupla deu uma boa agitada na galera, mas facilmente poderia ter se apresentado no Sunset, devido ao “vazio” que fica no palco, afinal são apenas dois músicos e o pano de fundo com a capa do disco. Se estivessem em um palco menor, talvez a força do som dos caras tivesse um efeito mais satisfatório. Porém, ainda assim, foi um ótimo show, feito somente com baixo e bateria, tendo inclusive menção a “Iron Man” do Black Sabbath, no finalzinho.

 

Depois que a dupla terminou sua apresentação, dobraram a meta no Mundo trazendo o Mötley Crüe, quarteto advindo da Los Angeles oitentista (o famigerado “Rock Farofa”), que está fazendo a sua turnê de despedida e também aparece aqui no Brasil pela primeira vez. Obviamente, focaram nos vários hits criados nos anos 80, além de algumas músicas do último trabalho de estúdio, “Saints Of Los Angeles” (2008). Show pirotécnico, agitado, pra cima e com direito às dançarinas e backing vocals mais gatas que pisaram no palco nessa edição. O único ponto negativo fica para os vocais anasalados e irritantes de Vince Neil. As músicas são muito bacanas e muito bem executadas, os músicos estão afiadíssimos, mas os vocais não ajudam (“déjà vu” alguém aí?). Outro estilo que nunca fui um entusiasta, mas tenho que dar o braço a torcer. É Rock Farofa? É sim; mas é muito bom. E recomendável.

 

Chegamos, então, ao final desse dia. Entrando em cena, finalmente, o maior representante do Thrash Metal (e prata da casa): Metallica. Mesmo que a banda faça uma performance merda, será um show acima da média. Simples assim. E isso não é babação de ovo, é constatação. Já começaram atropelando a própria intro do show, onde rola a trilha principal de “Três Homens Em Conflito” do Ennio Morricone, com “Fuel”, uma das poucas músicas que se salvam nos lançamentos da segunda metade dos anos 90. Depois disso, não pararam mais: “For Whom The Bell Tolls”, “Battery”, “Ride The Lightning” e por aí vai – parece que a banda fez algo diferente nesse ano; a execução das músicas seria baseada na votação dos internautas, o que é uma grande bobagem, visto que esse povo sempre vota nas mesmas cartas marcadas. Tiveram, então, um problema nos “PAs” durante “The Unforgiven” e o público começou a gritar “Ei, Medina, vai tomar no cu!”. Uma manifestação justa e espontânea.

 

De volta ao show, o Metallica recomeça “The Unforgiven”, agora sem obstáculos em seu caminho. Daí pra frente, continuaram com o as músicas dos anos 80, com exceção de “Turn The Page” (cover de Bob Seger) e “Whiskey In The Jar” (cover tradicional irlandês), que abriu o “bis” e foi seguida por “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman”. A minha única “bronca” com o Metallica é que eles poderiam trazer mais músicas “lado B” de seus discos e também do injustiçado (sem trocadilhos) “… And Justice For All”. Tirando isso, o show do Metallica segue impecável de ponta a ponta. Há a promessa de voltarem ao Brasil, dessa vez com um novo disco debaixo do braço. Estou no aguardo pra que isso aconteça e para que tenhamos uma versatilidade maior nas músicas executadas.

 

Encerramos assim o segundo dia de festival que duvido muito que será superado. Mas vamos que vamos, por que amanhã tem mais coisa boa vindo por aí… ou não.