Rio de Janeiro: Em quem votar para governador?

Rio de Janeiro: Em quem votar para governador?

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Não foram poucas as pessoas que reclamaram das opções de voto para governador este ano. A insatisfação foi tanta que 700 mil loucos depositaram sua fé na nulidade Tarcísio Motta, simplesmente porque o professor sabia falar e ainda não tinha nenhuma grande acusação nas costas.

 

Mas, fazer o quê?, assim é a política e nos convém, como bons cidadãos, não abdicar de uma escolha dentre os que tínhamos, sempre no pensamento do “mal menor”. A lógica segue, agora no segundo turno, com Luiz Fernando Pezão e Marcelo Crivella.

 

A questão, para mim, já que a razão me impõe a aplicação de algum critério, é o quão petistas são os concorrentes. Estando o candidato “oficial” do partido de fora (metade do PT já apoiava o PMDB desde o primeiro turno, veladamente), analisemos como se relacionam Pezão e Crivella com a máquina vermelha de caos que governa o país.

 

Como falei, parte do PT não queria candidatura própria no estado e, se pudesse, nem teria saído da base do governo Cabral. E isto muito por influência do Lula e sua quase amorosa relação com o ex-governador. Lindbergh brigou internamente e saiu candidato, numa desastrosa e vexaminosa campanha que, muito antes do fim, já havia jogado a toalha e apontado Crivella como a melhor opção. No segundo turno, a lógica segue e o Bispo tem o apoio do paraibano que tenta ser carioca, mas o PT mesmo está rachado e os prefeitos do estado, por exemplo, apoiam Pezão (querem verba, afinal).

 

E se falarmos do PT fora do Rio, não há muito que se apurar. Tenta agradar a todos e não perder um palanque sequer. Se o Diabo romper com o partido e sair candidato por outra legenda, basta oferecer o palanque que eles apoiam.

 

Na mão contrária, que é a mais importante, precisamos entender como é o apoio que PMDB/Pezão e PRB/Crivella dão ao Governo e a campanha de Dilma à reeleição.

 

Claro que o PMDB apoia a presidente, sendo Michel Temer o vice na chapa dela, porém no Rio de Janiero a chapa do Pezão também apoia o Aécio. É meio estranho, mas isso aí. Pezão apoia tanto Dilma quanto Aécio, tem outdoor com Dilma num lado da rua e com Aécio do outro lado. Inclusive, isto foi motivo para Crivella critica-lo no debate da Globo: o pmdebista teria traído Dilma com isto, vejam só.

 

O senador Francisco Dornelles, vice do Pezão, é primo do Aécio. Temos, então, o imbróglio explicado. Dornelles não tem mais força que Maluf e Ciro Nogueira, atual presidente do PP, dentro do partido, que é base do governo Dilma, mas no seu estado, pelo menos, garante algum apoio ao primo mais novo. Ok. Mas o ponto não é esse. Elas por elas, o PRB e a IURD apoiam o PT há anos, são, aliás, a base evangélica dos comunistas (eu sei, é irritante); o partido que comporta todos os pastores e bispos da Igreja Universal tem um ministério no governo atual, criado só para manter o partido feliz e sorridente na imensa base do governo, o Ministério da Pesca. Aécio já anunciou que, se eleito, vai reintegrar tal pasta a pasta da agricultura. Imaginem como o PRB inteiro não torce por Dilma? Já o PMDB é um partido que, mesmo sendo o maior aliado do PT, tem uma base partida, cujo boa parte dos parlamentares já ameaçam ir para o lado da oposição há muito tempo — o alto escalão não deixa. Presumo que, por serem arrozes, estão com Dilma agora por quererem poder, mas ficarão ainda mais felizes se Aécio e PSDB forem quem os detiver. A paridade é maior.

 

Porém, há ainda uma outra questão além de tudo isso, que aproxima mais Crivella do PT que o seu adversário. Apesar de evangélico, Crivella tem um discurso “social” que encontra ressonância no discurso da esquerda e, portanto, do PT. Ele gosta do PT, gosta do que o PT vem fazendo e, mesmo nas pautas que teoricamente vão contra sua fé, não faz oposição ao partido, nem aquela bem tímida como a que fazem Garotinho e o seu PR quando o assunto é a agenda gay e o aborto. Crivella sequer se manifesta, do contrário, vive a costurar alianças entre líderes gospels mais progressistas e o governo federal.

 

Por essas e outras, e por bater no PMDB com um discurso de “neochavismo” que deveria resvalar no PT mas ainda não resvala, o considero mais petista que Pezão e, por enquanto, este é o melhor motivo para não receber meu voto.

 

Vejamos o que acontece no decorrer desta, porquê não?, interessante corrida eleitoral.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Victor Fortunato

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    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Fiquei no 15 mesmo, é menos petista.