Que a “baixaria” continue…

Que a “baixaria” continue…

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É muito estranho ver a reclamação geral das pessoas em relação as campanhas de Dilma e Aécio, alegando baixaria. Sempre que o papo surge, sou o único a dizer que estou gostando e muito, quero é mais.

 

Reclamam da falta de propostas e coisas parecidas, do debate sobre assuntos sérios, em discursos que refletem diretamente aquilo que jornalistas rasos como Fernando Rodrigues ou até um Boris Casoy vivem a pedir. Num primeiro momento, eu penso de forma talvez desonesta com muitos: E vocês iriam entender uma conversa mais elevada sobre economia e geopolítica, por exemplo? Num segundo, justifico os reclamantes: nem Dilma entende.

 

Mas o fato é: se lessem os melhores e os piores articulistas (sim, os piores, porque a política está cheia dos piores sujeitos, que acreditam nas piores e mais ineficazes ideologias, os articulistas ruins os refletem), não somente no mês e nem no ano da eleição, entenderiam melhor o cenário, saberiam os perfis dos candidatos e, por consequência, o modo com que pretendem e provavelmente irão lidar com as questões. Isto impediria, além do mimimi de clamar por saber das propostas na última hora, que fossem enganados tão facilmente. Todos, ou quase todos, podem ser enganados pelos melhores oradores e se verem inclinados à concordar com a melhor retórica, porém um conhecimento não só do candidato, que no caso de um voto majoritário, não representa apenas suas ideias, mas de um bloco, geralmente um partido, ajuda a minimizar tal engano. Se você acompanha o PT, se você lê quem fala bem e mal do PT, se você já leu o estatuto do PT, não tem como acreditar em qualquer afirmativa de Dilma Rousseff, no debate que seja, quanto a não avançar na legalização/regulamentação/descriminalização do aborto. Este é, apenas, um exemplo. Dentre muitos.             

 

Não adianta chegar agora, no segundo turno, e querer saber de propostas. A mentira chegará a você e, tendo aberto a poucos metros do chão o paraquedas, não poderá evitar o forte impacto que ela terá. Se é preciso treinar o olhar e a percepção em tudo, em política principalmente.

 

O clamor por propostas, portanto, é meramente uma afetação que objetiva impressionar quem o lê. Muita gente, acreditem vocês, acha que seu coleguinha de rede social realmente crerá nesse repentino interesse em política, julgando ser anterior ao período eleitoral. Ledo engano, a não ser considerando os demais afetados que se relacionam em círculo.

 

A campanha negativa, esta que, ao invés de buscar falar bem de si e de seus projetos e propostas, busca falar mal do adversário, é mais útil não só aos candidatos – que desconstroem o outro e herdam os votos por falta de opção –, mas aos eleitores e público em geral. Explico: é através dela que muitos fatos aparecem, que podemos observar como os futuros eleitos lidam com extrema pressão, que podemos avaliar quem mente não somente na hora de prometer o que vai fazer, mas também na hora de apontar o dedo contra o outro, dizendo o que o adversário não fez e o que roubou, visando ludibriar incautos, mas apenas mostrando-se leviano diante daqueles que se dão ao trabalho de pesquisar os temas.

 

Para o seu voto passar por uma real reflexão que lhe dará certeza ou não dele, nada como uma campanha negativa mordaz, que apresentará o pior do seu candidato. Não creia em tudo, claro, seria bom um apreço pela ética na hora de falar mal do outro, mas se esta falta quando tratam vidas, como no caso do aborto, imagine se marcaria presença no rigor da crítica ao adversário.

 

“Baixaria” não é inútil e, muitas vezes, nem baixaria é. Tenho certeza que grande parte dos reclamantes de plantão são “baixos” em muitos aspectos de suas vidas, dependendo de quem avalie. É baixo, por exemplo, não entender nada de um assunto e fingir que entende.