Procurando Dory – Mais um grande acerto da Pixar

Procurando Dory – Mais um grande acerto da Pixar

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A parceria Disney-Pixar acertou mais uma vez com a continuação de Procurando Nemo. O filme é divertido e ao mesmo tempo tem seus momentos dramáticos; suave e ao mesmo tempo trata de assuntos sérios. Vale cada momento e cada centavo gasto, como já é de se esperar.

 

Antes de falar sobre o filme em si, preciso comentar a respeito do belíssimo curta que precede o longa principal. Uma história muito bonita com começo, meio e fim e sem uma fala sequer. Mais um exemplo da Pixar mantendo o nível num ótimo curta, que merece ser premiado, nem que seja pela belíssima fotografia.

 

O belo curta Piper que é projetado antes de Dory é mais um ótimo acerto da Pixar e digno de Oscar, mesmo sendo muito simples

 

Sobre o filme de Dory, a história começa contando desde a infância da carismática peixinha azul até o momento em que ela encontra Marlin, no exato momento em que ele tem o filho levado por um barco.

 

Essa sequência inicial, onde Dory é uma criança, é muito tocante. Não há como não se emocionar com o problema sério de perda de memória recente que atinge uma criança indefesa. Além disso, o drama atinge em cheio pais (como eu) que tem empatia e se colocam na posição dos pais da criança, já que estes querem ajudá-la, incentivam, brincam… no entanto, são superprotetores, ou pelo menos não sabem exatamente como lidar com as aparentes limitações da mesma (assim como Marlin, o pai de Nemo, no primeiro filme).

 

A pequena explosão de fofura que é a pequena Dory, apresentada na sequência inicial e que torna a aparecer em vários flashbacks ao longo do filme

 

Essa parte do filme é curta, cerca de dez minutos. E mostra as desventuras da pequena que se perde dos pais e vive uma epopeia ao longo dos mares para tentar encontrá-los por anos, sendo que fazer isso sofrendo de perda de memória recente torna a tarefa muito mais difícil. Mais uma vez a empatia entra em cena, pois qualquer um que consiga imaginar como deve ser assustadoramente difícil estar sozinho grande parte de sua vida, não ter uma família e sequer se lembrar deles ou como encontrá-los de novo, pode sentir a dor de Dory.

 

Depois que passamos da parte da apresentação do background histórico da protagonista, o filme corta para depois de Marlin já ter encontrado o filho. É nesse momento em que devido à circunstâncias do filme, ela acaba se lembrando que procurava os pais quando o destino a levou ao encontro de Marlin e, consequentemente, de Nemo. Coloquei o termo ‘destino’ em destaque, pois é uma palavra que aparece em diversas ocasiões no filme e tem importância na história.

 

É claro que quando Dory sai em busca dos pais ela acaba se perdendo também dos novos amigos e é que começa toda complicação da história. Vários personagens altamente carismáticos cruzam o caminha de Dory e ajudam em sua busca. Inicialmente revemos alguns personagens secundários do primeiro filme. Breves passagens mas que acrescentam bem ao clima descontraído do filme. Mais adiante, temos os personagens novos que nos conquistam aos poucos e intensamente. O principal desses novos personagens é Hank, um polvo de sete tentáculos, mal-humorado. A princípio ele é irritante, e dá sinais de que poderia ser um vilão. Mas logo ele se encanta com o charme inato da protagonista e por tabela nos encanta junto.

 

O mal-humorado Hank, que acaba se derretendo pelo carisma da nossa protagonista

 

Na verdade, não há um vilão no filme, a não ser (talvez) a condição de Dory. E isso é uma das coisas mais mágicas do filme. O problema de Dory é uma coisa seríssima, e isso é tratado, sim, como tal. Mas não de uma forma que nos sintamos culpados por achar aquilo engraçado, nem mesmo que os roteiristas são monstros por colocar dessa forma. Existem outros personagens com limitações, o próprio Nemo o tem. Esse assunto foi ligeiramente abordado no primeiro filme e é o tema principal deste, sem que seja tão óbvio pra quem não está atento a isso.

 

Confesso que só fiquei sabendo das supostas polêmicas do filme após tê-lo assistido, e digo que são totalmente infundadas. Os caras acham chifre em cavalo. Não vi nada sobre casal lésbico, sequer faço ideia de quem sejam (nem imagino como isso seria um problema, mas isso é minha opinião), não vejo problema com as piadas que são feitas com seres deficientes. E nem faço a menor ideia do que possa haver pra ser polêmico no filme. Eu apenas me diverti e me emocionei com uma bela história de superação, que consegue não ser ‘mais uma’, não ‘chove no molhado’ nem é óbvia.

 

Existem diversos plot twists no filme. Quando você acha “Ah, agora vai!”, não vai. Até mesmo quando você pensa “Deu ruim de vez!” encontra-se uma saída mirabolante ao melhor estilo O que Dory faria?. Aliás, as frases de efeito, chavões e gírias estão ótimas no filme. Assisti ao filme dublado e digo que as adaptações pros termos atuais estão muito bem encaixados e naturais.

 

Em suma, Procurando Dory é mais um excelente filme da Disney-Pixar, que pode não estar no Olimpo atingido por Toy Story, Monstros S.A. e até mesmo Divertida Mente, mas que certamente emociona e vale muito sua atenção. Leve sua família ao cinema pra se emocionar e rir. Ou vá sozinho mesmo, pois na sessão que assisti, em uma sala de cerca de 300 lugares, pelo menos uns 200 eram adultos, muitos ‘desacompanhados de criança’, que preferiram assistir a uma animação a um filme de drama (Como eu era antes de você), uma comédia (Contrato Vitalício) ou terror (Invocação do Mal 2). Ou até mesmo do que simplesmente ir passear e comer uma pizza no shopping. Quer prova maior do sucesso do filme?

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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