Prévias Republicanas – Ben Carson, o Radical?

Prévias Republicanas – Ben Carson, o Radical?

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Enquanto o Brasil discute se todas as formas de amor constituem família, a eleição mais importante do mundo começa a se desenhar. Nos EUA, Republicanos e Democratas já se movimentam para escolher o candidato que disputará a vaga na Casa Branca. Se Hilary Clinton lidera com folga as prévias dos democratas, a disputa no partido Republicano é bem mais acirrada e interessante. Nomes de peso no cenário político como Marco Rubio, Ted Cruz e Jeb Bush – Scott Walker abandonou a disputa na semana passada – disputam com Ben Carson, Carly Fiorina e Donald Trump, candidatos sem larga experiência política, mas que possuem currículos invejáveis e, por incrível que pareça, lideram as pesquisas.

 

Ben Carson é possivelmente o neurocirurgião pediátrico mais importante do planeta e foi o primeiro a separar gêmeos siameses unidos pela cabeça como já contei aqui. Fã dele que sou, gostaria muito que fosse o próximo presidente americano. O grande problema para Ben Carson é que ele não tem a veia política necessária para se destacar, por exemplo, nos debates. Trump chegou a dizer que lhe falta energia.

 

Energia, porém, não é problema para Carly Fiorina. Ela, que já foi assessora da campanha presidencial de John McCain em 2008 e candidata ao senado pelo estado da Califórnia em 2010, cresceu nas pesquisas após pronunciamentos assertivos e performances excelentes nos debates que participou. Não seria exagero dizer que ela foi a vencedora de todos os debates até agora. Mas Carly não é um sucesso somente no discurso. Ex-CEO da HP, ela foi a primeira mulher a liderar uma empresa entre as top 20 da revista Fortune. Além disso, obteve uma importantíssima vitória pessoal quando venceu um câncer de mama em 2009 – enquanto nossa “mulher sapiens” conseguiu a proeza de falir uma loja de 50 cents.

 

A estratégia adotada por Carly nos primeiros debates foi atacar francamente Donald Trump, o multimilionário popstar que liderava as pesquisas com folga até então. Trump é o típico falastrão politicamente incorreto. Sua posição firme sobre a imigração, suportada pela famosa jornalista e escritora Ann Coulter, juntamente com sua irreverência foram os pilares de sua performance até aqui. Sem contar, é claro, o dinheiro que ele dispunha (e dispõe) para investir na própria campanha.

 

As prévias republicanas estão cada vez mais acirradas.

 

Na última semana, as prévias do partido republicano ganharam uma polêmica vinda de onde menos se esperava. Ela surgiu de uma declaração de Ben Carson, justamente o menos polêmico entre os que lideram as intenções de voto. Ele foi taxativo ao dizer que não concordaria que um muçulmano presidisse a América, explicando melhor em entrevista posterior que se referia a muçulmanos que não tivessem negado a Sharia. Como era de se esperar, a imprensa americana fez um “auê” por causa de tal declaração. Carson, que antes não tinha energia, agora era o Radical. E o pior é que além da imprensa, Trump, Rubio e Jeb Bush também se mostraram contrários à declaração, tentando parecer moderados. Entretanto, o neurocirurgião mostrou personalidade e convicção para manter o que havia dito.

 

Apesar de muitos terem considerado uma declaração atrapalhada, eu acho que Ben Carson conseguiu chamar a mídia um pouco mais pra si, ganhando, assim, mais tempo para falar – já que nos debates ele geralmente não se destaca. Além disso, ele mostrou uma postura firme, digna de um verdadeiro líder. Algo, inclusive, que muito se cobrava dele.

 

Além do mais, convenhamos, o que ele disse foi correto e natural – mesmo que um pouco confuso. Não seria coerente que uma nação – ainda – majoritariamente cristã fundada com base em valores cristãos fosse liderada por alguém que professa uma “fé inimiga” do Cristianismo. Por mais atrapalhada que tenha sido a declaração de Ben Carson, não vejo motivo para histeria – e se eu fosse um eleitor americano, olharia com maus olhos os candidatos que tentaram se aproveitar da confusão e se mostraram contrários à declaração dele.

 

Mesmo com vários pontos negativos, Ben Carson permanece brigando pela liderança nas pesquisas e pode continuar crescendo se souber explorar essa recente polêmica. Fiorina, por sua vez, mostrou um crescimento fantástico nas últimas semanas e é, para mim, a favorita no momento. Já Trump vem perdendo força e não parece que vai conseguir se manter no topo por muito tempo. Os demais, no momento, correm por fora.

 

Concluo assumindo minha inveja. É impressionante ver tantos bons candidatos concorrendo à vaga do partido Republicano, o que possibilita aos americanos escolherem, de fato, o melhor candidato. Em terras tupiniquins, por enquanto, ainda temos que votar no menos pior e aturar a mulher sapiens dizer na ONU que o Brasil não tem problemas estruturais graves.

Pedro Henrique Franco
Pedro Henrique da Rocha Franco, nascido em 1991. Cristão, amante da leitura e apaixonado por futebol.

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