Postura 06

Postura 06

3

Vamos falar um pouco sobre a sua imagem. Sim, sobre como você se veste, se comporta, fala, gesticula e afins. Dizem por aí que a primeira impressão é a que fica. Confere? Nós, seres humanos, capacitados e dotados de intelecto, por vezes, muitas vezes, quase todas às vezes, rotulamos as pessoas sem ao menos conhecê-las. Mentira? Vamos a um pequeno teste.


Você está andando no centro da cidade da sua cidade (ficou legal assim?) e eis que se aproxima um jovem com calças amarelas moldadas em suas finas pernas, com uma camisa verde de gola V até praticamente o umbigo, botas de cano longo, um casaco roxo e um cachecol vermelho. Você diria que ele é:


(   ) A) Um magnata do ramo de petróleo e Gás;
(   ) B) Um pai de família com esposa e 5 filhos;
(   ) C) Um cover mal feito do Fábio Jr.;
(   ) D) Uma pessoa excêntrica, cheia de personalidade e que não está nem aí para o que você ou a sociedade pensa dela.


Acertou quem marcou a opção A: um magnata do ramo de petróleo e gás. Com todas essas opções ficou fácil você acertar, não? Ah, vai. Não venha dizer que você achou que ele era a opção C ou D? Não importa se queremos ou não, se fazemos de maldade ou não, de caso pensado ou não, sempre, sempre rotulamos as pessoas pelo que elas nos apresentam a primeira vista.


Esse mesmo indivíduo encontrará você dias depois em uma entrevista de emprego, na qual ele é o contratante e você o candidato a vaga de gerente de negócios da empresa na qual ele, por sorte do destino, é filho do dono, por consequente, seu possível patrão. Aposto com você $ 1,00 (que é pra valorizar) que as primeiras palavras que ele disser passarão em branco na sua cabeça, pois você estará se perguntando: “Esse cara aí não é aquele cara engraçado e esquisito que passou por mim dias atrás no centro da cidade da cidade onde eu moro?” Pronto, você já perdeu preciosas informações sobre a vaga que está concorrendo, culpa sua? Não.


Quando algo destoa, corre-se o risco de ser posto em prova a sua credibilidade. Cuidado com o que você fala ou faz nas redes sociais, as empresas estão cada vez mais antenadas aos futuros contratados e a internet, como vocês bem sabem, é um prato cheio de informações sobre aquele candidato, ou seja, você. Aí não adianta chegar naquela entrevista de emprego, e o entrevistador fazer aquela pergunta padrão: Quem é você? E então, você dá aquela resposta padrão que estava decorando antes de sair de casa: Sou responsável, pontual, discreto, gosto de ler, escrever, viajar e conhecer novas culturas. Quando na verdade o entrevistador está olhando para você e pensando… Nas comunidades que ele participa constam: eu odeio acordar cedo, baladas 24horas por dia 7 dias por semana, sou cachorrona mesmo, se meu chefe me estressa mando ele para Av. Brasil, 2443 – Rio de Janeiro – RJ, Odeio Nerds, prefiro assistir TV a ler um livro e se der mole eu to comendo.


O que você fala, como você fala, o que você faz, como você faz… Tudo isso interfere diretamente na sua vida, seja ela pessoal, profissional ou amorosa. O que você fala ou faz aqui, interfere diretamente ou indiretamente ali. O falar mal de uma pessoa pode ser definitivo na indicação de uma vaga de emprego, na construção da sua imagem ou naquela ajudinha quando o assunto é romance. Ou seja, se você não quer ser visto como um idiota, não aja como um. Pensar antes de falar ou agir é sempre muito sábio, vale a pena e evita alguns contratempos futuros.


E aí, vamos dar aquele tapa no “visu”, dar uma repaginada nas suas redes sociais e parar de gesticular que nem o bonecão do posto!

Diego de Lacerda
Filósofo de beira de esquina, publicitário, sonhador e empreendedor. Gosta de filmes, desenho animado e mais um monte besteiras sem sentido. É co-fundador desta revista e fascinado pela vida - não só a sua como a dos seus amigos. No twitter: @D_lacerda.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.
 
  • Fernando Henriques

    Grande Diego, mais um artigo mega útil nesta excelente coluna. A parte sobre as redes sociais é muito pertinente, atualmente as coisas são assim mesmo, vale mais ser “de verdade” do que fazer tipo na internet. Vejo o Facebook como uma rede onde as pessoas são mais verdadeiras, diferente do antigo Orkut – terra dos fakes. Acho que é coisa de época mesmo.

    Ah, o que têm na Av. Brasil, 2443 – Rio de Janeiro – RJ? rsrsrs.

  • Diego de Lacerda

    É como mandar ir tomar no C* com endereço e tudo! rsrs

  • http://www.ferreirakp.blogspot.com Kleiton Ferreira

    Caro amigo Diego!
    A eterna luta entre aparência e essência. O que nos diz uma imagem está relacionado diretamente com nossos conceitos. É algo muito nosso. Posso ver alguém com livros e notebook sendo carregados em frete a uma escola e afirmar que o elemento pé um estudante. Na verdade ele só ser um estudante na sua essência se estudar. A postura engana, mas é a imagem dela que processamos como verdades. Não podemos nos esquecer que vivemos num mundo de aparências, e ela conta muito. esperimente participar de uma entrevista para emprego usando bermudas e camiseta de praia. Somos, infelizmente, reconhecidos pelo que usamos e fazemos.
    Parabéns, belo texto.