Por que não te calas, Fabrício Werdum?

Por que não te calas, Fabrício Werdum?

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O gaúcho Fabrício Werdum teve o que podemos chamar de apresentação de gala contra o duro Travis Browne, no último sábado. Lutou com propriedade em pé, onde se esperava domínio do adversário, e deu o esperado baile no chão, quando lá esteve. Foi uma vitória com “v” maiúsculo do brasileiro, que brincou quando teve chance, um costume já, mas bateu e bateu doído no americano por cinco rounds (suspeita-se que Browne tenha fraturado uma costela). Enfim, deu um show. O que não inibe que para alguns fãs talvez tenha sido muito caro torcer por ele.

 

Em ótima fase técnica, Werdum parece involuir intelectualmente ao passo que seus movimentos de luta melhoram. Não que fosse grande coisa em algum momento de sua vida, não tenho informações a respeito que deponham contra ou a favor, mas em entrevista recente ele demonstrou, mais uma vez, seus déficits de caráter. Além de desrespeito à inteligência alheia.

 

Falando à Tatame, o lutador, sem nenhum pudor, defendeu André Dida na situação mais deplorável que o MMA nacional viveu desde que ganhou a TV aberta. E fez isso da pior forma possível, desmerecendo o ato. Ao invés de simplesmente dizer que entendia, pelo lado emocional em função da relação entre Wanderlei e Dida, ou que “essas coisas acontecem”, algo assim, “Vai Cavalo” preferiu ir além e fingir que somos todos cegos:

 

“O Dida foi no instinto. É parceiro e conhece o Wand há muitos anos. Para ser sincero, eu não sei se não teria feito o mesmo. Na hora do ‘vamos ver’, foi o instinto dele. E também nem foi para tanto, as pessoas supervalorizaram. Pegou um soquinho de nada”.

 

Um soquinho de nada? Ora, pois, então Dida estava a se vangloriar depois da confusão por ter dado um soquinho de nada no Sonnen? Meio doido, ele, não? E ainda disse que havia deformado a cabeça do Sonnen – deve ter um baita “soco de nada”.

 

Werdum tentou ser demagogo, mas acabou fazendo uma defesa descarada de uma atitude covarde e criminosa, que pode ser justificada emocionalmente, sim, mas sem que a culpa seja extirpada no processo. Só faltou falar que o Dida estava certo e que se fosse ele bateria mais.

 

Com esse papo de soquinho de nada, Werdum insulta nossa inteligência, por pensar que alguém vai comprar essa história – apesar de sempre existirem manés que compram mesmo –, e faz o mesmo ao falar da postura do Wanderlei, dizendo que foi o Sonnen que começou a confusão. Wand não o tinha empurrado logo no primeiro episódio, e dessa vez não cuspiu e fez o escambau para conseguir essa briga?

 

O que pode ser pior do que cuspir, gritar e botar o dedo na cara de uma pessoa, querendo chamá-la pra briga, e quando esta pessoa vai pra cima você ainda toma prejuízo, ou mesmo ser um sujeito que agride outro no chão, de costas e já no meio de uma briga? Defender esses dois. Somente o “Vai Cavalo” para aprontar uma dessas.

 

As vezes não é o cavalo que vai, é o jegue mesmo.

As vezes não é o cavalo que vai, é o jegue mesmo.

 

E digamos que Werdum é reincidente em tolices. Veterano do TUF Brasil, o peso-pesado esteve presente nas duas primeiras edições, como coach auxiliar da equipe de Wanderlei Silva na primeira e como técnico principal na segunda, ao lado de Rodrigo “Minotauro”. E nas duas vezes apresentou esse belíssimo caráter que o fez defender um técnico que agride outro covardemente. No TUF 2, como técnico da equipe amarela, era o maior agitador da bagunça que foi o programa. Brincadeiras despropositadas, violentas (o sequestro do técnico da equipe adversária Eric Albarracin é um bom exemplo) e ausentes de graça eram puxadas pelo marmanjo, que parecia não ter tido infância. Além da guerrinha com Juliano “Ninja”, que o chamou de frouxo.

 

Igualmente desagradável foi sua postura na primeira grande polêmica de um TUF nacional, quando Renato “Babalu”, também coach auxiliar da equipe do Wanderlei, e Daniel Sarafian, lutador da equipe de Vitor Belfort, se desentenderam.

 

Renée Forte, que havia perdido para Sarafian na primeira luta de ambos na casa, revelou para Babalu que o paulista do “Team Vitor” havia comentado que o “pegou” quando treinavam juntos; mais de uma vez. Forte levou adiante o que ouviu, como quis ouvir, em postura contestável, mas não é esse o ponto. Babalu, porradeiro nato das antigas, enquadrou Sarafian na porta do vestiário de sua equipe. O carioca, cria da Luta Livre, afirmou claramente: “Vou te meter-lhe a porrada, hein moleque.”

 

Sarafian, a princípio, calou-se, mas depois peitou Babalu e saiu esbravejando pela casa. Afinal era um técnico a enquadrar um lutador, teoricamente aprendiz, e ainda de outra equipe. Quando Belfort, técnico de Sarafian, foi saber do ocorrido, deu de cara com o “advogado” Werdum, que foi categórico:
“Ninguém ia bater em ninguém, Babalu foi falar com ele, perguntar pra ele, e achei que ele ficou grandão. Porquê? Aqui têm as câmeras, dá para separar, mas na rua é diferente…”. Werdum falou com tamanha certeza, que Belfort só poderia acreditar, pareceu até que o selvagem da história era o Sarafian.

 

Mas não foi bem assim. Fora a idiotice do “na rua é diferente”, uma fala que condiz mais com alunos de ginásio do que com lutadores, ficou claro que o gaúcho deu uma maquiada no ocorrido ao contá-lo pro Belfort e demais técnicos.

 

Link Youtube | Polêmica entre Renato “Babalu” e Daniel Sarafian no TUF Brasil 1.

 

Fabrício tem cidadania espanhola, residiu no país por muitos anos e tem grande torcida lá, como se viu no ADCC de 2009, realizado em Barcelona. Bem que merecia ouvir do Rei Juan Carlos o mesmo que certa vez este disse à Hugo Chávez: ¿Por qué no te callas?

 

Se no passado em algumas derrotas Werdum passou boa parte da luta arrastando a bunda pelo tablado, hoje, aos 36 anos, está no auge. Mas quando fala continua sendo um mané.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • VICTOR FORTUNATO

    Belo texto Fernando… Talvez por eu nunca ter sido um atleta de alto nível, não entenda esse crime todo de falar que num treinamento voce ganhou de determinado atleta… de dizer que fu finalizado uma vez etc.. mas enfim,nunca fui fã do werdum e provavelmente nunca serei.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Você já treinou grappling? Falar de treino é desonesto porque no treino você se coloca em situações de treino, para aprender, para testar coisas, ser finalizado é o de menos. Já num combate, você dá tudo, não abre brechas, não arrisca… Por isso é desonesto contar vantagem de quem pegou no treino. Comentar, ok, contar vantagem é bobagem.

      • VICTOR FORTUNATO

        falando nisso abriu uma filial da Grappling fight team aqui em frente de casa rs

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Vai lá aprender e ver como é mais divertido que striking. E depois a gente marca um treino.