Política para iniciantes – Direita x Esquerda

Política para iniciantes – Direita x Esquerda

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De alguns anos para cá tem crescido o interesse do brasileiro por política. Tendo as redes sociais como grande combustível, uma parcela considerável da população brasileira passou a se manifestar acerca dos temas mais relevantes da política nacional. As discussões se estendem desde assuntos de cunho moral-filosófico como aborto e liberação das drogas, passa por assuntos econômicos como a absurda carga tributária brasileira, desemprego e inflação crescente e finaliza na própria política partidária com o acompanhamento de perto das investigações dos casos de corrupção e com uma pressão um pouco maior nos políticos eleitos.

 

No meu entender, tudo isso é muito bom. No entanto, essa é uma discussão que renasce no país após anos esquecida. E, por isso, é natural que haja um pouco de confusão em determinados momentos. Por conta dessas confusões, resolvi fazer essa série de textos, intitulada “política para iniciantes”. O meu objetivo na série é compartilhar um pouco do que aprendi sobre política e assuntos relacionados desde que comecei a me interessar pelo assunto.

 

Nesse texto em especial, meu objetivo é diferenciar direita e esquerda, ou pelo menos, trazer alguma luz ao leitor.

 

Antes de começarmos, gostaria de deixar bem claro que não pretendo trazer aqui um trabalho acadêmico porque isso estaria completamente distante de minha capacidade. Meu intuito é ajudar os iniciantes, i.e., aqueles que, porventura, nunca tenham tido contato com esses termos antes ou que os estejam usando sem saber ao certo os seus significados. Por isso, não entrarei nas nuances da matéria, mas farei uma distinção baseada nos pontos principais da direita e esquerda para evitar confusão.

 

Comecemos, portanto, falando um pouco a respeito do termo “esquerda”. De início, é importante que compreendamos que quando utilizamos tal termo estamos nos referindo a um conjunto de pessoas que seguem uma determinada linha de pensamento ou a essa própria linha de pensamento, dependendo do contexto.

 

Mas o que defende a esquerda? Em poucas palavras, a “Esquerda” acredita que o Estado deve atuar como uma espécie de pai da população e fornecer tudo o que ela possa precisar. Dando um exemplo um pouco exagerado, o Estado precisaria fornecer saúde, educação, segurança, bons empregos, transporte público, tv a cabo, internet boa, moradias confortáveis e etc para todos. Os indivíduos de “Esquerda” têm a tendência de ignorar a verdade universal que as pessoas devem trabalhar para conseguir as coisas na vida e que o Estado é ineficiente nessa tarefa de administrar as vidas dos indivíduos.

 

O filósofo Olavo de Carvalho tem uma citação interessante a respeito dos militantes esquerdistas. Ele diz: “… ao assumir a luta revolucionária, o mínimo que um sujeito espera é um cargo de comissário do povo. Afinal, não teria sentido que, após ter arcado com a responsabilidade de líder ativo na destruição do capitalismo, desse menos de si à ‘construção do socialismo’”.

 

Portanto, a esquerda se resume a esse sonho de entregar tudo nas mãos de um Estado magicamente benevolente que com extrema bondade e eficiência resolveria todos os problemas do mundo; e o militante esquerdista é aquele que vê a si mesmo como uma peça fundamental para essa revolução, mas não nota que há tantos outros tolos como ele que só estão aguardando o momento de serem descartados na lixeira mais próxima (discorda? Leia essa matéria e veja se mantém sua opinião).

 

Por outro lado, os ideais da “Direita” são um pouco diferentes. Você não verá um direitista verdadeiro defendendo a ideia de que o Estado deva fornecer tudo às pessoas; e as únicas igualdades pelas quais um direitista luta são igualdade de oportunidades, direitos e deveres. O direitista é amante da liberdade individual e, por conta disso, não deseja que o Estado se meta em sua vida. Para colocar em um exemplo simples, um direitista acha completamente estúpido e injusto pagar altos impostos por saúde e educação e, ao mesmo tempo, ter que pagar saúde e educação privadas.

 

Não é possível, porém, definir um padrão moral claro na direita, como se acreditou por muito tempo. Isso ocorre porque há, pelo menos, três diferentes grupos que a compõe: os conservadores, os liberais e os libertários (falarei dessas distinções em outro texto). Dessa forma, o ponto central que liga os direitistas é a luta constante pelo que se chama de Estado mínimo, i.e., um Estado com pouco poder de interferir na vida do cidadão.

 

Tendo dito isso, me dou por satisfeito com o avanço que tivemos hoje. Nos próximos textos, abordarei, aos poucos, algumas nuances que existem dentro desse espectro e espero atingir também os leitores mais exigentes, aqueles que já possuem um maior conhecimento na área.

 

 

Referência

 

O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, Olavo de Carvalho, pp. 216.

Pedro Henrique Franco
Pedro Henrique da Rocha Franco, nascido em 1991. Cristão, amante da leitura e apaixonado por futebol.

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  • Vitor

    Achei que ia ler um texto imparcial e informativo sobre política e li um texto que claramente tem um lado e não fala sobre a parte ruim que existe nos dois lados, fala somente da parte ruim de um lado e a boa do outro.