Pessoas raras ou muitas pessoas iguais?

Pessoas raras ou muitas pessoas iguais?

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Não precisa ser especialista em relacionamentos para ver que as coisas andam meio fora do controle hoje em dia. Há ainda quem queira relacionamentos sérios, enquanto outras pessoas acham normal chegar agarrando e beijando alguém, para depois que amanhecer sumir e nunca mais dar sinal de vida. E não me refiro somente aos homens, não. Sei de muitas mulheres que fazem isso, também. É por isso que o amor anda meio desacreditado. Pobre do amor.

 

Por outro lado, quando a gente se depara com alguém que discorda desse tipo de comportamento, pensa ter encontrado um tipo raro, especial. E é mesmo, viu. Outro dia estava conversando com um rapaz que disse não ver graça alguma nesse comportamento que muitos homens têm e se orgulha em dizer que nunca ficou com alguém por puro interesse físico. O que ele ganha com isso? Meu respeito e minha admiração (acho que de muitas outras mulheres também). Mas, infelizmente, há quem pense que homens com atitudes como as dele são gays, por não irem logo para cima das meninas. Que pena dessas pessoas tão superficiais, com uma visão tão limitada. Acho que elas nunca vão entender o valor que homens como ele têm. “Sou da época que, para impressionar, o homem compôs Pretty Woman e não Sexy Bitch, disse ele. Será que o diferencial está nele ou os outros é que estão com problemas? Respondam-me, por favor.

 

Não. Meu amigo não é o personagem do Richard Gere em Uma Linda Mulher.

Não. Meu amigo não é o personagem do Richard Gere em Uma Linda Mulher.

 

Mas, se muitos homens se acham no direito de chegar agarrando e beijando e depois não ligam ou não procuram mais, é porque algumas mulheres permitem que isso aconteça, não? Sim. Infelizmente, sim. Se a mulher não demonstra respeito consigo mesma, como pode exigir que os homens o tenham? Sabe o que acontece, então? As mulheres pensam que todos os homens são iguais e os homens pensam que todas as mulheres são iguais. E aí já viu, né. Vira essa bagunça toda e a gente volta ao início do texto. Valorizar-se é o primeiro passo para que os demais nos valorizem também.

 

Outro dia eu soube de uma amiga que estava ficando há algum tempo com o menino e que estavam se dando bem. Ela estava gostando dele, até que um dia ele perguntou se não transariam. Ela disse que ainda não e sabe o que ele fez? “Esperou, afinal de contas, eles se gostavam?” Não. Terminou com ela. Pois é. Talvez ele estivesse acostumado com o tipo de mulher descrito acima. Enfim, ambos seguiram seus caminhos e, sem dúvida, quem saiu perdendo foi ele.

 

Talvez minha visão sobre isso tudo seja muito romântica, concordo. E talvez por isso eu me impressione tanto com pessoas que conservam valores, que respeitam os sentimentos alheios e, sobretudo, que se respeitam e valorizam os próprios sentimentos. Como já disse Daniela Mercury: “ai de mim que sou assim, romântica”. Ai de mim, ai do amor. Prefiro ter essa visão romântica a ter relações vazias.

 

Será que isso ainda existe?

Será que isso ainda existe?

Daniela Lusa
Formada em Desilusão com ênfase em Mágoas. É especialista em Decepções, fez curso de Artes Cínicas e já participou de várias peças, nas quais nunca gostou de fazer papel de idiota. Parou de alimentar as esperanças porque quem estava engordando era ela. Gosta de ser levada a sério, desde que a tragam de volta depois. No Twitter: @Danni_lusa.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    O editor pediu para avisar que a imagem de capa é uma homenagem a autora, uma eterna romântica.

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Óun, diga ao editor que eu amei as imagens!

  • Alessandra

    Mas gente! Esse texto plagiou meus pensamentos. Isso é crime! rs’
    Moça do meu coração, quantas palavras singelas e enfáticas pra explicar o que nós “românticas” pensamos. Penso igualmente a ti, e vivo isso no meu relacionamento. Também não quero ter relações descartáveis e é isso que me faz ser assim.
    Você é uma linda, e cada vez mais percebo o quanto pensamos igual.

    Beijos minha menina ;)

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Alessandra, minha linda, esse é um dos motivos pelos quais tem minha admiração.
      Beijo beijo!

  • Rodrigo Cotton

    Texto maravilhoso, como de costume, Dani! Você é um achado!

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      E você sempre tão amável, Rodrigo. Obrigada!

  • http://twitter.com/LaDMoue

    Muito bom, igual a todos os seus textos Dani! Eu espero muito que sim, isso ainda exista. Se existem mulheres como nós e homens como seu amigo, que se respeitam e acreditam que em um relacionamento entre duas pessoas possa haver, acima de tudo, sentimento reciproco do que apenas interesses vazios e superficiais que duram uma noite só e que cada vez abre um buraco maior em cada pessoa, homem ou mulher.

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Obrigada, Lá! Fico feliz que compartilhe do meu ponto de vista sobre relacionamentos. Beijo!

  • Fabiano

    Como essa menina Daniela consegue ser tão maravilinda? ela escreve tudo de uma forma tão simples e adorável.

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Ah, Fabiano, é você que lê dessa forma. Obrigada por me ler.

  • Pedro

    Excelente texto!

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Obrigada, Pedro!

  • Jéssica

    Muito digno!

    Hoje em dia as pessoas que pensam assim são inclusive vistas com maus olhos. O romantismo não é muito bem aceito.

    Parabéns Daniella! .

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Eis um mal: o romantismo não ser muito bem aceito por todos.
      Obrigada, Jéssica!

  • http://twitter.com/lainebento Elaine Bento

    Por isso estou sozinha. :(

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Disse bem, “está” sozinha. Calma, gata ;)

  • http://www.facebook.com/samilyfontenele Samily Fontenele Silva

    Adorei o texto. E confesso que é difícil se dá valor, ou seja, por vezes resistirmos a algumas tentações, mas é isso mesmo.

  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Esse texto combina com esse outro aqui, que não foi relacionado, mas é muito bom: http://www.feedbackmag.com.br/feliz-dia-dos-solteiros/.

    De autoria do grande Pedro Henrique, que comentou por aqui também.

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Muito bom o texto do Pedro, concordo com ele!

  • Fernanda

    Desculpa, mas deixa eu ver se eu realmente entendi…. se no caso descrito acima o rapaz foi um idiota com a sua amiga, a culpa é das mulheres que acostumaram ele assim? Sério?

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      O que diz no texto é que talvez ele estivesse acostumado com outro tipo de mulher. Foi isso que entendi é achei bem verídico.

      • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

        Exatamente, Fernando.

    • http://twitter.com/DanniLusa Dani Daniela

      Não, Fernanda, não foram “as mulheres que o acostumaram assim”. ELE é que estava acostumado com outro tipo de mulher.

  • Guilherme Gondim

    Essa reflexão é muito pertinente visto que o mundo está se vulgarizando de maneira tão desordenada. Hoje os padrões exigem pessoas de comportamento exibicionista. Aqueles que vão a contramão disso são vistas com olhares preconceituosos. Afinal, como dito no texto, o certo é o que a maioria acha ou o que nossos princípios clamam?

  • Juliana

    Talvez esteja tarde e você não esteja vendo mais os novos comentários, mas enfim, que bom ver que existem mais pessoas que pensem assim! Sério, hoje parece ser fácil encontrar qualquer tipo de pessoa com os gostos mais diversos de música, cinema, livros, opiniões, mas é tão difícil encontrar alguém que não sejam adeptos ao ato de “ficar por ficar”, que consideram o beijo e contato físico como algo exclusivo a pessoas que querem algo sério. Parece fácil achar um hinduista, que gosta de filmes italianos e escuta música celta, mas díficil alguém que não tenha ficado com mais de 15 pessoas com menos de 18 anos.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Infelizmente, não posso discordar. Estamos aqui (Feedback Magazine) para dar voz a esse “resgate” emocional.

  • http://www.facebook.com/fernando.wanderley.3 Fernando Wanderley

    Muito bom o texto. Concordo plenamente. Estamos numa época de precarização da afetividade. É bom saber que ainda existem pessoas dignas por aí.