Os universitários brasileiros e os terroristas de Boston

Os universitários brasileiros e os terroristas de Boston

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No site do New York Times saiu dias atrás uma matéria sobre os terroristas de Boston que não foi citada por nenhum jornal brasileiro.

 

Ela narra em detalhes como foram os dias seguintes ao atentado na vida dos terroristas, especialmente Dzhokhar Tsarnaev, 19 anos, o universitário que acompanhou o irmão mais velho no ataque brutal que resultou na morte de três pessoas, mais de duzentos feridos e quase duas dezenas de amputados.

 

Segundo o jornal, Dzhokhar seguiu sua rotina de típico jovem estudante ocidental: Fingia que ia as aulas, perambulava pelo campus, fazia uso frequente do Twitter em desktops e smartphones, escutava rap, jogava videogame, paquerava as minas e fumava maconha.

 

Sim! Depois de praticar um horrendo ato terrorista, o estudante voltou a sua rotina, sem se preocupar com a consequência de seus atos.

 

Uma bombinha à toa, pra que ser importar. | Créditos: Ben Thorndike/Associated Press.

Uma bombinha à toa, pra que ser importar. | Créditos: Ben Thorndike/Associated Press.

 

Analisando todas as informações sobre Dzhokhar, chega-se a uma conclusão que pra mim não é nada surpreendente: O jovem era um típico universitário alienado. O seu cotidiano e as suas manifestações na internet são idênticas as dos jovens brasileiros que estudam nas nossas universidades e passam pela lavagem cerebral dos cursos de ciências sociais e filosofia, por exemplo.

 

O seu antiamericanismo tem o mesmo tom dos estudantes da USP, UFRJ, UNB e a maioria das universidades brasileiras onde o esquerdismo predomina e a educação não passa de condicionamento e manipulação. Dzhokhar acreditava, por exemplo, que o 11 de setembro foi uma conspiração do governo americano, em um tweet de 1 de setembro de 2012, ele diz:

 

“Idk why it’s hard for many of you to accept that 9/11 was an inside job.”
 
Eu não sei porque é difícil para muitos de vocês aceitar que 11/9 foi um trabalho interno.

 

Assim como os nossos estudantes, o jovem se considerava detentor de conhecimentos que a “mídia” esconde dos mortais comuns. Cinco dias antes do atentado, ele escreveu:

 

“Most of you are conditioned by the media”.
 
A maioria de vocês estão condicionados pelos meios de comunicação.

 

Novamente assim como alguns universitários brasileiros, ele achava que era detentor de algum conhecimento ou inspiração que as outras pessoas não possuíam. Oito dias antes dos ataques, ele anunciava que ia entrar em ação:

 

“If you have the knowledge and the inspiration all that’s left is to take action.”
 
Se você tem o conhecimento e a inspiração, tudo o que resta é tomar uma atitude.

 

A primeira mensagem escrita após o atentado foi:

 

“Ain’t no love in the heart of the city, stay safe people”
 
Não há amor no coração da cidade, mantenha as pessoas em segurança.

 

Repare no cinismo e amoralidade desta mensagem. (“Não há amor no coração da cidade” é um trecho de uma música do Jay-Z).

 

E ainda teve 39 RTs, mensagem de puro amor.

E ainda teve 39 RTs, mensagem de puro amor.

 

No mesmo dia, Dzhokhar anuncia novamente sua crença de que possui uma verdade exclusiva, típica arrogância de universitário “sabe-tudo”:

 

“There are people that know the truth but stay silent & there are people that speak the truth but we don’t hear them cuz they’re the minority.”
 
Há pessoas que sabem a verdade, mas ficam em silêncio, e há pessoas que falam a verdade, mas não são ouvidas porque são a minoria.

 

Em seguida ele favoritou o tweet:

 

“The sad part about the events in Boston today, is that some bs Hollywood director is gonna try n make a movie n profit from tragic events.”
 
A parte triste sobre os eventos em Boston hoje, é que algum diretor de Hollywood vai tentar fazer um filme e lucrar com essa tragédia.

 

Percebo as mesmas reações na internet brasileira, com muitas críticas ao capitalismo.

 

O penúltimo tweet de Dzhokhar é uma letra de música do cantor de rap Eminen:

 

“Nowadays everybody wanna talk like they got somethin to say but nothin comes out when they move their lips; just a bunch of gibberish.”
 
Hoje em dia todo mundo quer falar como se tivessem algo a dizer, mas nada sai quando movem os seus lábios, apenas um monte de rabiscos.

 

Mais uma vez a repetição do mesmo tema, a posse de uma verdade que os outros não tem acesso e o desprezo por quem pensa diferente. Já encontrou algum estudante brasileiro com o mesmo tipo de atitude?

 

A rotina de Dzhokhar após o atentado foi a mesma de nossos estudantes “revolucionários”, fumar maconha o tempo todo (tanto que os colegas de classe disseram aos jornalistas que procurassem os maconheiros da faculdade para obter mais informações sobre ele), jogar videogame, perambular pelo campus sem fazer nada e alimentar paranoias rebeldes de ódio ao “sistema”.

 

O que levou Dzhokhar a se unir ao irmão mais velho e partir pra ação, como ele anunciou no seu tweet, poucos dias antes dos ataques?

 

A única resposta é, ao que tudo indica, o Islã, apenas isso, uma interpretação radical do islã era o que faltava para que ele partisse para a ação e atacasse o país que odiava, o país que lhe deu tudo que tinha, a faculdade, o videogame, a cidadania, o dinheiro, as garotas, o Twitter e a maconha.

 

Daí chego a conclusão que, para os jovens brasileiros revoltosos deixarem de lado sua vida de vagabundo intelectual e maconheiro, que em tudo é muito semelhante a vida de Dzhokhar, e se tornarem terroristas, falta apenas uma coisa.

 

Que não encontrem.

 

Você universitário decente e estudioso, não se incomode, nós falamos de estudantes com este perfil. (Parte de um grupo de extrema-esquerda que invadiu a reitoria da USP para protestar contra a presença da PM no campus, em 2011

Você, universitário decente e estudioso, não se incomode, nós falamos de estudantes com este perfil da foto. (Parte de um grupo de extrema-esquerda que invadiu a reitoria da USP para protestar contra a presença da PM no campus, em 2011).

 

A conta de Dzhokhar no Twitter ainda está no ar (lá ele usa o nome Jahar, que é como seus amigos o chamavam): J_tsar.

 

Nota do editor: Entendemos o caráter altamente complexo, e de difícil afirmação, de uma associação direta entre universitários brasileiros e terroristas, ainda que focado em um perfil controverso. Porém, mediante o tom claramente provocativo do texto, resolvemos publicá-lo. Despeje sua ira, ou não, nos comentários.

Tavares
Uma personalidade à moda antiga: Ilustrador, designer, artista plástico, cinéfilo, empreendedor, místico. Ex-baladeiro, ex-fumante e quase alcoólatra, um homem de ação. Amante de pintura clássica, viagens, literatura, Iron Maiden, Jack Kerouac e Dostoiévski. Um autodidata revoltado e arrogante, que odeia a internet e adora a privacidade. (Um dos caras mais odiados da internet.)

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  • Felipe Mariano

    Concordo discordando, e discordo concordando…

    SEMPRE temos que deixar claro que não estamos generalizando, ainda mais quando fazemos tais comparações.

    Concordo quando voce diz que os habitos deste terrorista em particular, se assemelha ao de alguns estudantes.

    Discordo quando diz que estudantes revoltosos BRASILEIROS tem potencial para se tornarem terroristas. É muito mais complexo do que isso.

    O terrorismo vem em forma de radicalismo, nao importa se racial, religioso ou por escolha sexual, desta forma nao podemos aceitar que estudantes da USP, UFRJ e UNB (que tem o minimo de instrução necessário para passar no vestibular) possam agir desta forma.

    Claro que nao podemos generalizar nem para o bem, nem para o mal.

    Existem estudantes que poderiam colocar uma bomba em um congresso da Dilma, sim. Todos estudantes das faculdades fariam? Não.

    Entendo o paralelo que voce fez, e concordo discordando… Assim como acho MUITO perigoso o que a Rede Globo está fazendo com esse papo de “direitos humanos no caso do matemático”.

    O terrorismo está na pessoa, não no meio que ela vive.
    Nem todo arabe é terrorista, nem todo padre é bonzinho.

    No mais, belo texto. Vale a pena a reflexão.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Exatamente Felipe, acho que o ponto é esse. Editando o texto, tentei visualizar o perfil no qual o autor se referia, houve até a tentativa de desvincular do todo na última foto, associando o arquétipo apresentado a imagem de estudantes com um perfil de protesto, digamos, mais incisivo, porém ainda assim é uma generalização. Então, fica o tom provocativo óbvio, se não para acusar, mas para aguçar o pensamento. Seu comentário é o ideal num caso desse. Assim como no caso Matemático, são problemas complexos demais para termos uma opinião 100% polida e nada mais. São muitas variantes.

  • luiza

    texto desnecessário!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Estamos analisando todas as reações Luiza, para considerar em momentos futuros similares. Como explicado em nota, é válido pelo tom provocador, mas é implicante por natureza. Até onde isso é mal? O Felipe, aí em cima, curtiu descurtindo, rs.

  • kaky

    a desinformação aumenta a desinformação , antes de escrever qualquer nota ou tentar influenciar outras pessoas com seus pensamentos limitados .. deve procurar informações .. em primeiro lugar esse rapáz acusado de terrorista não foi nem ele nem o irmão dele , procure se informar .. Isso foi uma ação do governo dá uma passadinha pelo face book Jahar é inocente e veja as materias ou no you tube já está repleto de vídeos provando a sua ino^cencia

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Você acredita realmente que ele é inocente? O que existe em Youtube e afins são teorias, mas até me consta, ele permanece preso, certo?

      • kaky

        sim … ele permanece preso mas agora compreendo o seu campo de visão já que você baseia seus ponto de vista informações adquiridas no New york time que é…………….pior do que a GLOBO …mas já que não posso deixar “links” aqui , estou deixando o titulo de um vídeo para que vc dê uma olhadinha Esse é um Ministro influente chamado Farrakhan veja o vídeo e ouça o que ele diz : ( Farrakhan on Boston Bombings: “We Have Many Questions”)

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Como lhe respondi no outro comentário: Posta a vontade. Me referia e refiro aos vídeos e links que depõem em favor do Jahar. É um espaço para debates, não haveria motivo para barrar isso. Quem lhe disse que não pode deixar links aqui? Na verdade, até estou curioso por eles agora.

          E depois vou tentar ver esse vídeo do Farrakhan.

  • kaky

    não creio que aqui terei a oportunidade de postar ” links” mas existe um grupo brasileiro no face book #FREE JAHAR BRASIL que começou agora lá já tem quase 100 pessoas .. e já contamos com um arsenal satisfatório de provas da inocencia desses dois jovens mas também existe outro grupo criado pelos amigos de “jahar Dzhokhar Tsarnaev is innocent ” que já conta com mais de 20.670 apoiadores dá uma passadinha lá , e pule os comentáios que são colocados pelos agentes do FBI eles não entram ali …para ajudar nas informações .. aliás eles nunca ajudam.. Twitter #FrreJahar. Refaça essa materia

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Kaky, não existe a possibilidade de refazermos essa matéria, visto que a mesma se baseia em matéria do NY Times e no fatos aceitos pela maioria do mundo como verdadeiros. Entendo e respeito seu pensamento e as manifestações que se forma, hoje em dia existe defesa para quase tudo que ocorre, e isso nem é ruim, na pior das hipóteses não acontece nada e na melhor algum inocente é solto. Nesse caso do Jahar, não creio que seja inocente, mas poste aqui tudo que você tem e acha que seria interessante compartilhar, não censuramos opiniões polêmicas em texto, quanto mais em comentários.

      Posta a vontade.

  • Trícia

    Sou uma garota brasileira, universitária.
    E sim, não me senti à vontade ao ler seu texto.
    Tenho 20 anos, praticamente a mesma idade do garoto russo.
    Minha família veio para o Brasil em um período difícil, buscando aqui uma vida melhor.
    Meu avô nasceu na Palestina, ele era muçulmano.

    Eu admiro o Islã, você não pode associar o Islã ao terrorismo.

    Que tal acompanhar as notícias que acontece nesses países, o sofrimento que essas pessoas passam todos os dias?

    Sou católica, mas acima de tudo respeito o outro.

    O que não parece ser o seu caso.

    Desculpe, mas você expôs sua opinião, e estou aqui expondo a minha…

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Não falo pelo autor, Trícia, e nem sei se ele passará por aqui, mas como editor, ressalto a importância do texto em negrito: “uma interpretação radical do islã“.

      Existe uma diferença entre o Islã que você muito bem disse conhecer e não fazer mal, e aqueles que fazem da interpretação radical dessa mesma religião e usam como motivação terrorista.

  • giovana

    O texto é baseado nas matérias do NY Times que por sinal estão mentindo também! e ele só continua preso porque a maioria das pessoas acreditam nos jornais de puro sensacionalismo! Todos que pensam que seja o culpado é porque não correm atrás da verdade e ficam tirando conclusões precipitadas de jornais ridículos! aposto que se o NY Times e outros jornais, falassem que ele é inocente, TODOS acreditariam!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Penso que ele deve ter advogados e que, como era cidadão americano, será julgado. Sendo assim, essas provas infalíveis que o inocentam, deve aparecer frente ao júri e partir daí se fará o papel da Justiça. Recebemos fatos todos os dias, o tempo todo, de veículos grandes ou pequenos. Analisamos e escolhemos em qual acreditar, nada mais.

  • Bella

    Essa matéria tem simplesmente excesso de “amor” aos Estados Unidos. Vai lá dizendo que é muçulmano pra ver se eles vão gostar tanto assim de você!

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Podem até não gostar, mas a pessoa poderá exercer sua fé livremente, como fazem muitas pessoas em solo americano. A maioria da América, Norte, Central e Sul, ainda preza pela democracia e tolerância, apesar do terrorismo esvaziar muito isso.

  • Mauro Tavares

    Oi, eu sou o autor da matéria e queria dizer aos analfabetos funcionais que ela se baseia principalmente em tuits do Terrorista.

    E sim, ele é terrorista confesso.

    Inclusive, ele acreditava, como eu mostrei, que o 11 de setembro tinha sido um “inside job”.

    Há muitos traços da psicologia do terrorista semelhantes aos universitários brasileiros que entraram aqui pra defende-lo.

    Acabaram por se entregar.

  • Ingrid Souza

    Pseudo comunas-anarco-revolucionários-anti mídia-fãs de teorias da conspiação se ofendendo muito e desnecessariamente.

    Ridículos.

    O texto é APENAS um reflexão a cerca do comportamento estudantil brasileiros – fazendo uma ponte no Dzhokhar. Quem não conseguiu entender isso, não consegue entender muitas outras coisas. Então nem vale iniciar um debate.

    * Nem todas as pessoas que são aprovadas em um vestibular têm a capacidade de se formar, e passar no vestibular não dá aval de bom profissional pra ninguém.

    * Nem todo islâmico é terrorista. Nem todo o terrorista é islâmico. Nem todos que acreditam em algum Deus são fanáticos religiosos, mas estes são minorias.

    Sou graduanda em Ciências Sociais, amo meu curso, mas tenho que reconhecer que 40% não farão mestrado e serão profissionais de quinta categoria, afinal vagar pelo campus, ir a cervejadas, fumar maconha descaradamente e ler Marx/Lenin e achar isso o supra-sumo da literatura política é no mínimo pedir pra ser medíocre.

    Parabéns para o texto.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Obrigado por se pronunciar, Ingrid, como editor da revista banquei o texto pensando exatamente como você, e ainda o “estraguei” para explicar aos menos atentos que existem exceções. Era o óbvio, mas os comentários mostram que muitas vezes nem o óbvio é visto.

      Como parte integrante do meio que o texto crítica, sua corroboração com ele contribui muito ao debate.