Os melhores do Rock in Rio 2015

Os melhores do Rock in Rio 2015

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Há 15 dias o Rock in Rio 2015 começava. Há quase uma semana acabava. Já está com saudade? Fizemos um apanhado do que consideramos que houve de melhor no festival desse ano e separamos em categorias não muito convencionais. Vale lembrar que certamente você discordará de algumas escolhas e que esse é o objetivo. Queremos alimentar a discussão saudável, portanto, sinta-se à vontade pra fazê-lo.

 

Melhor execução musical

 

Certamente muitos discordarão dessa, mas, particularmente, gostei bastante do Queen com Adam Lambert. Muitos tem criticado dizendo que o cara tenta ser o Freddy Mercury, ou que ele nunca sequer chegará a seus pés. Gente, ninguém jamais será como o Freddy. O cara é um ícone. E o Adam, pra mim, não parece querer imitá-lo. Ele tem seu próprio estilo. E ainda fez questão de dar um up pra que ficasse mais rock n’ roll sem ser caricato. Essa discussão de estilo pra mim é infundada, visto que ninguém nunca será melhor ou pior que outro, será sempre diferente. E apenas isso. Por isso, deveríamos focar no que interessa nesse caso, que é a voz. O cara manda muito bem. Nunca vi um outro cantor que tivesse tanta capacidade pra cantar essas músicas com tanta propriedade como ele. Além disso o show foi excelente visualmente e emocionou bastante o público. Pra mim, esse show não deveria ter sido na noite de abertura, e sim na de encerramento.
 

Queen e Adam Lambert mereciam mais do que apenas a noite de abertura


 

Melhor dia

 

Sem dúvida, pela qualidade das atrações, o melhor dia foi o primeiro Domingo, dia 20/09. Paralamas, Seal, Elton John e Rod Stewart no Palco Mundo e ainda John Legend, Magic! Baby do Brasil e Alice Caymmi no Sunset . Não assisti a esse dia, só um trechinho do show da Baby, quando o Pepeu esteve no palco. Mas ouvi amigos elogiando muito aos shows do Seal e do John Legend. Já os membros da realeza inglesa fazem sempre grandes espetáculos e tem um público fiel, além de terem um repertório invejável. Esse foi mesmo um dia de grandes espetáculos.
 
NOTA: Acho que a distribuição dos artistas nessa edição ficou um tanto ruim. Na maioria dos dias havia no máximo duas atrações de grande apelo, especialmente no Palco Mundo. Concordam?
 

Melhor música pra mosh

 

Essa categoria é bem difícil, visto que houve (felizmente) um vasto repertório de músicas dignas de um belo mosh. Mas escolhi Toxicity do System of a down por todos os elementos envolvidos. A música por si só já é digna, porém teve participação de Chino Moreno do Deftones (quase imperceptível, eu sei), diversas rodas simultâneas espalhadas ao longo cidade do rock e orquestradas pelo próprio Daron Malakian e algum insano com um sinalizador (!) no meio de uma dessas rodas. Se a imagem foi bela, imagine a sensação de estar lá…

 

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Melhor frontman

 

Outra categoria difícil de escolher. Ficarei com um empate quádruplo. Escolho James Hetfield (Metallica), Corey Taylor (Slipknot), Seal (o próprio) e Katy Perry (SÉRIO!). Escolhi esses usando um quesito principal: carisma. Os caras (e a moça) não precisam fazer muito pra conquistar o público. Mesmo assim fazem. Interagem. Tem presença. Coisa que muitos dinossauros não fazem ou tem. Apesar de fazer um belo show, musicalmente falando, Elton John, por exemplo, não cativa o público, não interage, faz um show estático.

 

Katy é uma figura a parte. Todos sabem e repercutem a respeito da sua falta de capacidade, musicalmente falando. Ela erra notas, grita sem técnica, perde fôlego… Mas rapaz, como ela é gente boa e zueira! Ela tem o carisma que as grandes popstars precisam ter. Leva o público ao palco e troca uma ideia, tira foto, zoa com a cara (mas sem ser ofensiva). Além do show em si ser bem legal visualmente falando, mas isso é outro tópico.
 

Melhor coro da galera

 
Há de se fazer algumas menções honrosas nesse quesito:
 
1) Supla, que com seu irmão João Suplicy no Brothers of Brazil fez um belo show com o Glen Matlock (ex-sex Pistols), e mesmo tendo seu próprio pai na plateia, convocou o público a mostrar seus dedos médios aos principais partidos políticos do país, citados nominalmente na letra, incluindo o PT, do pai Eduardo Suplicy, e o PMDB, da mãe Marta Suplicy.
 
2) Não foi um coro por assim dizer como o supracitado, mas é algo do tipo. Roger (Ultraje a Rigor), já estava com uma camisa que provocava a presidente Dilma. Mas durante a música “Inútil”, que começa com os versos destacados na tal camisa, o público teve aquele típico momento de extravasar que a música, em geral, costuma nos proporcionar. No atual momento do país, não só político-econômico, mas também “futebolístico” por assim dizer, a canção serviu como um momento de catarse.

 

Dito isso, ficamos com um momento durante o show do CPM 22 onde há aquele famoso xingamento direcionado a presidente, exigindo que a mesma vá tomate cru. Como se não fosse suficiente o grito da galera (a ponto de ficar alto quando visto pela TV), o vocalista Badauí (o que diabos é esse apelido, aliás?!) ainda complementou de forma, digamos, a altura.

 


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Prêmio “Preciso Conhecer essa Banda”

 
Essa eu posso falar com propriedade pois realmente tive essa sensação ao ver lá, ao vivo. Confesso que nunca tinha ouvido falar do duo Royal Blood antes do evento. Cheguei ao local faltando apenas alguns minutos pra acabar o show dos caras, no entanto, tive tempo suficiente pra ser surpreendido pelo som que a dupla incomum tirava de sua bateria e baixo com (muita) distorção. Sim, não há uma guitarra sequer na banda. Isso seria já o suficiente pra surpreender, mas só chamou atenção. O que a prendeu foi a qualidade mesmo.
 
Além deles também me surpreendi com a banda Mastodon. Alguns amigos já haviam recomendado, mas eu nunca dei muita bola. Não que o som deles seja sensacional, mas, assim como o Royal Blood, também chamam atenção por uma peculiaridade: TODOS os membros cantam. Não é que façam backing vocal, eles cantam mesmo. Uma música é na voz do guitarrista, outra na voz do baixista, outra na do baterista… E todos mandam bem e tem uma característica vocal diferente.]
 

Mastodon e Royal Blood: boas surpresas. Pelo menos pra mim.


 

Momento mais rock n’ roll ever

 

Existe coisa mais rock n’ roll do que dar um salto do palco em direção à galera pra ser carregado nos braços por eles? EXISTE! Tentar fazer tudo isso, calcular mal a distância e cair direta e bisonhamente no chão. Isso, sendo transmitido ao vivo pro mundo inteiro. Ninguém foi mais underground que Mike Patton nesse sentido! E esse trocadilho precisa ser feito: Mike, você foi protagonista de um EPIC FAIL!
 

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Prêmio “Eu mereço o Palco Mundo”

 
Entendo a política dos organizadores de distribuir as atrações pelos palcos, colocando algumas atrações que atraem público suficiente pro Palco Mundo no Sunset e outros, digamos, menos expressivos, no Mundo. No entanto, em todas as edições sempre há aquela banda que dá um show espetacular no Sunset deixando a sensação de “pô, esse show merecia o Mundo, hein?!”. Nessa edição quem se encaixa nessa categoria é o Korn, sem dúvida. O show foi repleto de clássicos e com uma pegada intensa o tempo inteiro. Gostaria de Vê-los com mais espaço e atenção numa próxima edição. Eles fizeram por onde.
 

Prêmio “O que eu tô fazendo aqui?!”

 
Seguindo a ideia da premiação acima, era de se esperar que houvesse alguém pouco conhecido no Palco Mundo. Mas, sério, nessa edição foi demais. Quem, em nome de Dio, é AlunaGeorge? E Sheppard? The Script? Sério, vocês REALMENTE conheciam esses artistas antes do Rock in Rio? E alguém conhece agora?
 

Prêmio “Ainda existimos!”

 
O Rock in Rio também tem o hábito de ressuscitar alguns artistas que a gente nem lembrava que um dia foram vivos. Ou até lembrávamos, mas achávamos que estavam realmente mortos.
Quem teve seu respawn esse ano foi o A-ha. A banda do vocalista Morten Harket (que nesse tempo de sumiço da banda certamente estava ganhando a vida sendo cospaly de Superman) fez um ótimo show, por sinal. A galera oitentista fez questão de encarar os adolescentes que aguardavam Katy Perry e deve ter saído muito feliz com um setlist que continha todos os grandes clássicos da banda, muito bem executados pelos membros originais da mesma.
 

Clark Kent. Jornalista, vocalista do A-ha e Superman nas horas vagas


 

Melhor cosplay de Axl Rose

 
Axl Rose não veio a essa edição do Rock in Rio. E na minha opinião só veio mesmo em 1991. Em 2001 foi um cover meio acima do peso e 2011 uma pessoa aleatória com uma leve semelhança de longe no escuro.
 
Mesmo assim o cara deixou um legado no evento. Uma marca. E Rihanna pareceu ter entendido a importância dele pro festival e, assim, resolveu homenageá-lo num curioso cosplay.
 
Tudo começou com o atraso. Axl Rose tem duas grandes marcas registradas em seus shows: sua dancinha característica e seus terríveis atrasos. Consta que em 91 ele simplesmente desapareceu e só ressurgiu com o horário do show já em atraso deixando todos loucos de preocupação. Em 2001 também teve atraso, mas o de 2011 foi recorde: quase 3 horas!
 
Riri, por sua vez, não tem o cacife do tio Axl. E os tempos, é claro, são outros. Existem prazos a se cumprir e patrocinadores enchendo o saco. Assim, ela subiu ao palco com apenas uns 30 minutos de lag.
 
Porém, cosplayer bom se atenta aos detalhes, e a bad girl também quis se assemelhar ao grande rockstar no quesito ‘não cantar a música toda’. Axl é roots, old school. Esquecia a letra mesmo. Ela veio com desculpinha (segundo seus fãs) de que era pra fazer um set mais vasto e que contivesse um pouco de toda sua carreira. Só que foi pouco demais. Algumas canções ficaram reduzidas a segundos, praticamente vinhetas. Bitch, please! Axl tocou por duas horas e meia em 2011! Ok, como eu mesmo disse, os tempos são outros, existem prazos a cumprir. Mas todo headliner tem duas horas de show. Será que não dava pra enxugar o repertório de maneira menos agressiva? Foram míseras 1h10min de show… Dava pra caprichar mais, não? Pra mim, o real motivo das músicas não cantadas por completo nos dois casos é dorgas o mesmo.
 
Entretanto, a melhor parte de um cosplay é sempre a caracterização. E foi nesse quesito que Rihanna mais se aproximou de Axl Rose. O figurino do cantor em 2011 ficou famoso, pois tratava-se de uma capa de chuva amarela, que mais parecia saída do episódio do Pica-Pau nas Cataratas. Riri obviamente não ficaria pra trás e resolveu aparecer com uma roupa também amarela mas nem de longe tão horripilantemente tenebrosa quanto a de Axl. Mais pareceu um Cospobre mesmo.
 
Enfim, apesar de todas as tentativas terem falhado de alguma forma, Rihanna merece reconhecimento pelo esforço, pois conseguir ser um Axl Rose não é pra qualquer um. Nem o próprio consegue mais.
 

O mito cria, o lixo copia.