Os Justiceiros

Os Justiceiros

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No dia 1º de fevereiro de 2014 um menor de idade foi encontrado acorrentado pelo pescoço à um poste na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, endereço nobre da cidade. O jovem relatou primeiramente que foi punido por um grupo de três “justiceiros”, conforme noticiou a revista Veja, e depois deu uma entrevista a emissora Globo onde afirmou que foi torturado por um grupo de trinta homens em quinze motos.

 

É compreensível a confusão do jovem, depois de ficar preso pelo pescoço por horas seria impossível precisar com exatidão o número de “torturadores” neonazistas que o atacaram, mas pelo menos temos a ideia que ficou entre três a trinta homens.

 

Depois dessa brutalidade contra um menor indefeso de apenas 17 anos, que ainda não é responsável pelos seus atos, como era de se esperar os ativistas dos Direitos Humanos saíram do armário com suas bandeiras brancas nas mãos. Nessa onda de defesa dos direitos humanos encontrei duas declarações interessantíssimas: a primeira da senhora Yvonne Bezerra de Mello, coordenadora e fundadora do Projeto Uerê, primeira a chegar ao local e ligar para o Corpo de Bombeiro Militar para resgatar aquele pobre cidadão:

 

“— Eu não quero saber se ele é bandidinho ou bandidão, você não pode amarrar uma pessoa no meio da rua. Aquela área do Flamengo teve um aumento muito grande de violência e roubos recentemente. Como as coisas não melhoram, um bando de garotões se juntam e começam a fazer justiça pelas próprias mãos. Sei que tem muita marginalidade e a polícia é ineficaz, mas você não pode juntar um grupo e começar a executar pessoas — explica Yvonne, que estima que o rapaz tenha entre 16 e 18 anos. — Eu perguntei a ele quem tinha feito aquilo e ele disse que eram os “justiceiros de moto”. Ele foi espancado, levou uma facada na orelha, arrancaram a roupa dele e prenderam pelo pescoço. E ninguém na rua faz nada para impedir.”

 

Dona Yvonne com o menor ainda preso ao poste. É importante frisar que nenhuma discordância justifica ameaçar esta senhora de morte, conforme algumas denúncias apontaram.

Dona Yvonne com o menor ainda preso ao poste. É importante frisar que nenhuma discordância justifica ameaçar esta senhora de morte, conforme algumas denúncias apontaram.

 

Antes de tudo gostaria de deixar bem claro que não conheço a simpática Dona Yvonne, que deu esse depoimento com olhos marejados, não sei o que ela pensa sobre a sociedade, qual a sua ideologia política ou religião, se é honesta ou não, porém fica claro que ela é uma típica defensora dos Direitos Humanos. O único problema é que ela, como os outros, defende os Direitos Humanos apenas para vagabundos e malfeitores, por que no seu depoimento ela não faz alusão alguma as reais vítimas, os trabalhadores de bem que foram assaltados por esse delinquente juvenil, por que esse menor já tem três passagens pela polícia, duas por furto e uma por agressão. Agora queria ver ela e todos os outros defensores dos direitos dos marginais manterem o discurso quando estiverem lá aproveitando seu merecido dia de descanso e um pivete desse os roubarem, e não satisfeito os agredirem ou alguém da sua família perder a vida na mão de um “jovem” desse, aí eu gostaria que ela desse o mesmo depoimento.

 

O segundo depoimento me impressiona ainda mais, principalmente por ter sido dado por uma Deputada Federal: Benedita da Silva – PT/RJ. No alto da sua já conhecida santa ignorância, a deputada deu uma declaração onde afirmava que o menor realizava apenas “pequenos” furtos na região com frequência e que por este motivo fútil foi covardemente torturado (furtar uma idosa não é ser covarde, mas tudo bem) por um grupo de “Justiceiros” que o prenderam num poste para que a polícia o prendesse. No seu discurso ela afirma que aquilo era um absurdo, e que a polícia deveria ir atrás dos tais “Justiceiros” para que eles pagassem por isso.

 

Não que se espere nada muito diferente dela, que é companheira de partido do brilhante prefeito de São Paulo (Fernando Haddad), que instituiu a “Bolsa Crack” onde oferece um pacote de serviços aos usuários da droga, no qual inclui moradia, comida e dinheiro, sem nem ao menos cobrar tratamento e abstenção da droga, rebatizando assim a velha Crackolândia de Haddadolândia em sua homenagem. Mas voltando ao discurso da nossa Deputada, após o seu brilhante uso da palavra, o Deputado Federal Jair Bolsonaro – PP/RJ se pronunciou sugerindo que a Deputada desse uma prova de seu bom coração, uma vez que ela ficou escandalizada com a selvageria contra o pobre menor infrator, e sugeriu que ela adotasse o mesmo, e que se ela assim não o fizesse iria mandar um assessor dele ir até o menor para dar o endereço da nobre Deputada para que esse praticasse seus “pequenos furtos” na rua da mesma. Bolsonaro elogiou ainda a conduta e a iniciativa do “Justiceiros” que pela falta da presença do Estado atuaram de modo a expulsar esse meliante dos arredores do bairro. Abaixo o vídeo dos pronunciamentos da Deputada Benedita e do Deputado Bolsonaro:

 

Link Youtube | Jair Bolsonaro vs. Benedita da Silva.

 

No meio de toda essa discussão e repercussão me chamou a atenção a manchete no site “Pragmatismo Político”, a mesma matéria que publicou o depoimento da Yvonne, no qual dizia: “Jovem negro é acorrentado nu em poste por grupo de justiceiros”.

 

Confesso que quando li a manchete me interessei em ler a matéria, apesar de já saber da história fiquei realmente curioso, me estranhou o fato de terem feito questão de colocar na manchete que o jovem era “negro”. Fui ver do que se tratava e não me surpreendi, um texto tendencioso e descompromissado com a verdade. Onde o autor tenta induzir o leitor mais desavisado que o fato só ocorreu por se tratar de um negro pobre.

 

A verdade é que o jovem em questão realizava furtos na região colocando a vida de população de bem em perigo, acho incrível os militantes dos direitos humanos saírem em defesa de meliantes como esse, por que todos os dias pais, mães, idoso e crianças são vítimas, e por vezes fatais, desse tipo de marginal e nunca vi nenhuma ONG sair em defesa dessas pessoas que tiveram a vida abreviada por que um viciado delinquente na hora do desespero tirou-lhe a vida para conseguir dinheiro e sustentar seu vício. Quantas senhoras esse “menor” não assaltou nas ruas do Flamengo? Quantas jovens não foram postas em situação de risco com a presença dele no bairro? E se fosse alguém da sua família, estaria agora criticando os “Justiceiros”?

 

Os “Justiceiros” agiram corretamento? Lógico quem numa situação de ordem pública é inadmissível esse tipo de ação por parte da população civil. Quem tem que manter a segurança pública, patrulhar ruas e prender bandidos é a polícia, o Estado é o único autorizado a se utilizar da violência. Mas e quando ele se mostra ineficaz? Quando o Estado não se faz presente é justo a população ficar nas mãos de criminosos, sem direito de se defender? Nessa situação os “Justiceiros do Flamengo” agiram certo sim, em legítima defesa, pegaram o vagabundo – que a senhora Benedita chamou de “jovem que realizava pequenos furtos” – que estava colocando em risco os cidadãos de bem do bairro e bateram nele, deixando-o preso num poste para que a polícia desse destino ao meliante.

 

Mas o Estado que se preocupa muito mais com bandido do que com o trabalhador, depois desse episódio deveria reforçar o policiamento na região justamente para que a população não precise sair as ruas para caçar bandido, mas o que fazem? A primeira atitude foi deter 14 rapazes nas imediações do bairro, eles vão ser investigados por formação de quadrilha, corrupção de menores e tentativa de lesão corporal.

 

Um absurdo, esses jovens provavelmente tiveram pais, mães, irmãs, avós e amigos sendo vítima desses marginais travestidos de “menor infrator”, e depois de muito esperar pela ação do polícia na região resolveram agir de modo a minimizar a ausência do Estado. Agora serão investigados por formação de quadrilha!

 

E com isso a população fica cada vez mais encurralada, sem chances de se defender, e o Estado que deveria prover a segurança, além de incompetente, ainda tenta lhe atar as mãos para que seja presa fácil de malfeitores que andam em liberdade, sem serem incomodados pelas forças policiais. E quando enfim recebem uma represália os ativistas dos “Direitos Humanos dos Vagabundos” são os primeiros a sair em defesa deles, e a mídia faz coro deixando a população civil eterna refém de bandidos, seja dentro de casa, seja na rua. Aqui gostaria de apoiar a ideia do deputado Jair Bolsonaro, se realmente tem pena de vagabundo adote um e o coloque dentro da sua casa, se assim o fizer dará um exemplo imensurável na sua luta pelos direitos humanos.

 

Campanha: #AtivistasAdotemUmVagabundo.

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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  • Daniel da Silva Mariano

    Olha só os “justiceiros” defendidos por vc, até estuprador tem no meio:
    http://noticias.terra.com.br/brasil/policia/dois-justiceiros-suspeitos-de-amarrar-jovem-a-poste-sao-reconhecidos-no-rio,945e69d0b0624410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
    Não sente vergonha agora de ter defendido esses bandidos?

  • Guest

    Mantenho-me fiel aos meus argumentos apresentados acima. Não vejo por que sentiria vergonha de apoiar qualquer ato direcionado a vagabundo, não vejo com bons olhos essa repressão partir da sociedade civil, como eu disse numa situação de normalidade pública é intolerável, porém quando o Estado não se faz presente, é aceitável sim. Quando não há cães pastores para proteger o rebanho de ovelhas, e elas vem sendo massacradas pelo lobo, iremos condena-la quando revidam o ataque covarde do lobo? Não, na falta do cão pastor elas tem que se organizar e se defender, foi exatamente isso que aconteceu. Agora se no meio de 14 haviam DOIS com antecedentes criminais que a polícia investigue e ele responda por esses antecedentes, mas não por ter batido em vagabundo, simples. Não defendo vagabundo. Agora quem deveria ter vergonha é você por defender os Direitos de delinquentes e malfeitores, você os defende por que provavelmente nunca foi vítima deles, no dia que for verá que de Humanos não possuem nada. E sabe o que eu acho disso tudo? Eu acho é pouco, agora, se tem pena faz o que eu sugeri no texto, adote um.

  • Guest

    Já fui vítima sim. E se pudesse, adotava sim. Mas como não tenho condições, cobro que haja políticas públicas para isso.
    Mas sabe qual o problema das pessoas quando discutem esse assunto? É achar que as coisas são simples demais, que se resolve as coisas tão facilmente. Como se não houvesse inúmeros fatores envolvidos na questão.
    Outra coisa que me irrita é que a gente não vê a mesma repulsa contra filhinhos de papai traficantes, bêbados que matam no trânsito, empresários que sonegam impostos, etc. Funciona assim: “Bandido bom é bandido morto, mas só se for pobre e favelado”.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Daniel, tenho certeza que o Carlos não pensa dessa forma. Criminoso é criminoso, não importa a renda da família ou dele.

    • Carlos Santos

      Daniel, também defendo políticas públicas para isso, tanto na área de recuperação quanto na área de segurança, mas como eu disse no texto se o Estado fosse presente e houvesse esse tipo de política, seria inadmissível a população civil tomar qualquer atitude violenta contra esses tipos de marginais, mas não é o que vivemos hoje, estamos vivendo um caos na segurança pública e a população está acuada, o Estado limita qualquer forma de defesa da população, vide Estatuto do Desarmamento, e não reprime o crime, então nesse cenário acho que o cidadão de bem tem o direito de se defender, e o Fernando conhece o meu perfil, bandido bom é bandido morto, não importa o quanto recebe, seja morador da favela ou de uma cobertura da Barra, por mim iriam todos para penitenciaria de Pedrinhas no Maranhão.
      Mas olha ai o ‘menor’ que você defende no noticiário outra vez:
      http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/menor-agredido-e-preso-poste-e-detido-no-rio-apos-assaltar-turista.html