Os brasileiros no UFC 146
2Aconteceu no último sábado, em Las Vegas, a edição número 146 do maior evento de MMA do planeta. O Brasil, berço do esporte na era moderna, tinha cinco representantes no prestigiado evento, sendo um na luta principal: Júnior “Cigano”. Mas das cinco lutas vencemos somente duas. O que confirmou a má fase brasileira em 2012, onde o score atual aponta seis vitórias e onze derrotas no UFC.
Glover Teixeira vs Kyle Kingsbury
Glover proporcionou a estreia mais esperada do UFC nos últimos tempos, pelo menos para os brasileiros. Seu adversário, o americano Kyle Kingsbury, é oriundo do TUF 8 e mais conhecido por nós pela vitória sobre outro meio-pesado tupiniquim, Fábio Maldonado. Vitória esta até contestada por alguns especialistas, mas ainda assim uma vitória, que marcou a quarta seguida de Kyle no UFC. Ou seja, um veterano no evento, em boa sequência, contra um estreante. Quem seria o favorito? Glover, estranhamente.
Glover sacramentou uma sequência de 16 boas vitórias antes de entrar no UFC, a maioria em eventos nacionais, porém contra bons nomes. Ele só não ingressou no principal evento do mundo antes por conta de problemas com seu visto. Sendo assim, pelos vitórias no Brasil e até pela carreira pregressa nos EUA, Glover era mais experiente que Kyle e favorito para o combate, fato que se confirmou no desenrolar da luta. Glover “caçou” o americano com seu boxe e acertou um upper que quase definiu a luta. No solo, tentando sobreviver debaixo de socos vindos da montada, Kingsbury abriu espaço para o katagatame que encerrou a peleja.
Pela facilidade com que conseguiu a vitória, o brasileiro já deve enfrentar alguém do “segundo time” em sua próxima luta. Ele é um bom reforço para o Brasil nos meio-pesados, já que na categoria figuram os mesmos nomes há algum tempo.
Edson Barboza versus Jamie Varner
Trazendo os pesados como atração – as cinco lutas principais foram da categoria -, o UFC 146 “empurrou” um combate que prometia ser um lutaço para o card preliminar. A luta entre Edson Barboza e Jamie Varner era um embate nos moldes antigos, striker contra grappler. Não que ambos sejam unidimensionais, mas por terem suas capacidades tão elevadas em jogos tão distintos, a configuração natural era esta. O que ninguém esperava era um outra qualidade de Varner esquecida desde os tempos de WEC (ele foi campeão dos leves no evento), sua mão pesada.
Jogando bem fechado em pé, Varner esperou o momento certo para atacar, e o fez muito bem. O brasileiro sentiu os golpes e acredito que até se surpreendeu com a postura do americano; assim, em sua segunda investida com socos, variando com uma forte queda, Varner definiu o combate no GnP. Não houve deméritos de Edson, que nem chegou a encaixar seu jogo, o americano que veio muito bem e surpreendeu. Agora é treinar wrestling para poder ficar cada mais tempo em pé e soltar o muay-thai, em breve ele deve ser chamado novamente, tem moral alta no evento.
Diego Brandão versus Darren Elkins
O cearense Diego Brandão, primeiro brasileiro a vencer uma edição do TUF americano, veio como um furação para esta luta – seu estilo habitual. Só que do outro lado estava um gringo muito habilidoso na luta agarrada, pois além de sua base de wrestling (parece que todo americano é wrestler), mostrou muitas ferramentas nos demais aspectos do grappling, até por baixo. Assim, após tomar um passeio no primeiro round, mostrando muito queixo, Elkins voltou para a luta decidido a vencer.
O impetuoso brasileiro quando esteve por baixo não mostrou a mesma energia de quando ataca em pé e por cima, no solo. Defendeu-se bem, evitou um TKO no finalzinho do segundo round e até inverteu a posição no final do terceiro, mas não foi suficiente para vencer a luta na decisão. Outra derrota mais por méritos do adversário do que por deméritos próprios. Acho que para ele, que é um “pegador” nato, vale trabalhar melhor as mãos e o chão por cima, para finalizar. Sendo efetivo nestes aspectos, não dará oportunidade para que recuperações como esta se repitam.
Antônio “Pezão” versus Cain Velasquez
Cain é sem dúvida o segundo melhor peso-pesado do mundo (ele é melhor em pé do que o Cormier), por isso antes do evento dizia-se que Pezão teria a tarefa mais ingrata da noite. Mesmo sendo menor que seu oponente, Cain logo destruiu essa vantagem colocando o brasileiro de costas no solo. Até aqui tudo normal, Pezão é versado no jiu-jitsu e tem boas defesas no chão. Porém uma cotovelada encurtou a luta. Entrando entre os olhos do brasileiro, o golpe facilitou o trabalho de GnP do americano, que via seu adversário impossibilitado de defender golpes que nem sequer podia ver (Pezão ficou com a visão quase nula diante de tanto sangue escorrendo em seus olhos).
O brasileiro tinha sim chances de vitória, em 15 minutos, nos pesos-pesados, tudo pode acontecer, porém deu a lógica. Concordo que a luta foi mais rápida do que a maioria previa, ainda assim, o resultado era esperado. Para as próximas lutas com wrestlers – a maioria dos americanos – cabe ter uma atenção maior para não entrar no alcance das quedas do adversário.
Júnior “Cigano” versus Frank Mir
O que falar da luta entre Cigano e Mir? O brasileiro confirmou seu amplo favoritismo. Ponto. Frank Mir é um bom atleta, tem um belo histórico no evento, bate forte e tem o jogo de chão mais eficaz da categoria, porém seu estilo não casa com o eficiente jogo de boxe e movimentação do campeão Júnior “Cigano” Dos Santos. Cigano é mais um striker brasileiro que comprova uma nova máxima no esporte (Anderson Silva é o outro). Movimentação e velocidade são as maiores armas dos trocadores no octógono, tendo em vista o tamanho do mesmo.
Antigamente, quando chamávamos estes confrontos onde se misturam diversas técnicas marciais de vale-tudo, um lutador oriundo do karatê, muay-thai ou kickboxing raramente era favorito. O tempo passou e o esporte evoluiu, hoje quase todos os lutadores do UFC conhecem bem técnicas de finalização, trocação (de golpes) e quedas, porém cada um tem seu estilo predileto de lutar. O Toquinho e o Minotauro priorizam as finalizações, o Lyoto e o Vitor Belfort a trocação, já o Chael Sonnen e a maioria dos americanos gostam de derrubar e controlar a luta por cima. É essa diferença nos estilos de cada lutador que torna os combates interessantes. Mas falando dos campeões, vemos a fórmula “velocidade+movimentação” como um caminho de sucesso. Hoje o canadense Georges St. Pierre é a única exceção, o único campeão do UFC que prefere vencer suas lutas no solo.
Até o exímio wrestler Jon Jones busca primordialmente os golpes em pé em suas lutas. Os rounds de 5 minutos e o tamanho da área de luta são os principais fatores que viabilizam este estilo, e Júnior “Cigano” é um dos reis no assunto. Será difícil vermos alguém entrar lá, conseguir derrubá-lo e vencê-lo por ali, no solo. O Mir nem chegou perto, quem sabe o Velasquez.
Ah, ainda sobre esta luta temos o caso da Globo, que transmitiu a luta “ao vivo” trinta minutos depois de seu fim. Para finalizar o artigo, gostaria de colocar isso em debate. Será que exibir VT da luta, quando haviam anunciado transmitir ao vivo, causou um sentimento de enganação nos fãs ou a maioria ficou feliz em poder assistir a luta em canal aberto?
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Andre
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http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques









