O voyeurismo mundial

O voyeurismo mundial

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Entre o fim de uma suposta guerra ao “terror” mal sucedida, a eminência de uma guerra nuclear contra a Coréia do Sul e um sórdido jogo de espionagem, os simples e reles mortais se sentam em seus sofás, de frente paras as suas televisões aguardando morbidamente o desenrolar de cada fato aqui citado.

 

Quem de fato dita as regras da nossa realidade? Caro leitor, você poderá reconhecer essa resposta ao se identificar com o conteúdo desse texto.

 

O ser humano está em uma constante busca por algo que possa substituir a sua fatídica realidade, ou seja, uma forma de fuga de uma vida calejada e aprisionada por compromissos impostos por sua incapacidade de viver sem o outro. Tal fato acabou por se tornar algo culturalmente aceito, fomentado por uma sociedade enclausurada dentro de um psiquismo doentio. Uma das verdades é que por uma total falta de independência psíquica, somos interdependentes do meio social que se relaciona com a nossa compreensão de mundo, formando assim a nossa subjetividade.

 

Os seres humanos são “aleijados”, ou seja, a sociedade é um paraplégico, incapaz de aceitar a sua condição, para aí sim lutar (reconhecermos que não damos conta de tudo e que esse tudo nos afeta) e vislumbrar um novo modo de existência. Bom, vocês já entenderam então que até aqui estamos falando da relação de tomada de consciência humana. Para tal modo de existência, seria necessária a capacidade desses sujeitos se reconhecerem como membros dessa sociedade, e como tal devemos ser ativos dentro dela. Mais ao contrário desse movimento positivo há um fato negativo que tenta tomar as nossas vidas; e aqui estamos falando da passividade humana, onde acabamos por nos render ao gozo narcísico (tirânico) que nos leva a sentar em nossos sofás, diante de nossos espelhos mágicos (nossas televisões), incapazes de realizar qualquer movimento voluntário.

 

É você?

É você?

 

Então, caro leitor(a), você pode entender que estamos constantemente na condição de voyeur? Somos passivos por não expressar nenhum movimento voluntário de ajuda, mais ativos no gozo, já que nos deleitamos ao observarmos as notícias de mortes e destruições alheias.

 

A Síria nesse momento se transformou no foco do voyeurismo mundial, já que esse país está acometido por uma crise de sangue e poder, cuja realidade só o nosso inconsciente é capaz de lidar. Armas químicas altamente letais foram supostamente lançadas pelo governo de Bashar Al-Assad e causaram a morte de mais de mil pessoas – da própria população síria – de forma brutal e agonizante.

 

Ninguém sabe quem foi! Tal afirmativa seria uma forma inconsciente não só dos políticos, mas do mundo, seria um alargamento de uma brecha passiva e permissiva a leviandade de “loucos” que se acham imperadores, de tal modo que essa loucura narcísica e animal se transformam em atos de uma animalidade tremenda que também faz parte de nós, mais que não damos conta conscientemente e por isso inconscientemente queremos observá-las nos outros para nos deleitarmos com a nossa “superioridade de controle ao doentio”.

 

O que de fato sabemos é que as demais nações fecharam os seus “olhos” para os crimes que estão sendo cometidos diariamente lá na Síria… Para que se possa frear o animal sedento por mais prazer originado no sofrimento do outro, líderes religiosos na sua “apatia” ideológica soltam palavras de ordem a esmo, enquanto a politicagem da boa vizinhança continua a pairar sobre o mundo “real”. Enquanto isso relatos de morte continuam aparecendo, alicerçando um medo que nós invade, com uma pequena pitada de excitação do que poderia vir acontecer. Seria mais um holocausto ou entraríamos no início do fatídico “fim do mundo” (como pregam religiosos)? A resposta pouco importa. O que de fato devemos prestar atenção é que fim do mundo ou não, importa ser ativos na prestação de auxílio ao próximo. Como disse Freud: “a felicidade é algo inteiramente subjetivo”, mais devemos pensar, é claro, em como estamos construindo essa felicidade, se é com a dor do outro ou por prestar ajuda a quem precisa sem se esquecer, é claro, de nós.

 

Enfim, somos humanos e, portanto, não tão iguais assim!

Daniel Tavares
Daniel Tavares é estudante de Psicologia, curte games, filmes e seriados. Acredita que "cada um de nós é um universo a ser descoberto", e se considera um observador da psicologia por trás dos entretenimentos. Destaca sempre a capacidade que temos em exemplificar fatos da nossa vida de maneria lúdica sem deixar de trazer um conteúdo significativo que pode gerar mudança interior.

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  • josenildo

    Gostei muito do comentário pois é isso mesmo, somos alienado a ficarmos só olhando em frente da TV vendo os nossos ( representante ) conduzir mais um capítulo dessa luta que parece ser figura repetidas que no final já sabemos no que vai dar mais mais mais banho de sangue. Valeu Daniel pelo comentário !!!