O triste fim da mesa de bar

O triste fim da mesa de bar

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A Rede Móvel e o Wi-Fi são a materialização da vitória do homem sobre a distância. Facebook, Twitter, WhatsApp, Instagram, Skype, entre outras tantas Redes Sociais conseguem aproximar aqueles que se encontram distantes. Não permitem que os laços de amizade enfraqueçam.

 

Porém, como tudo nesta vida, este ferramental gerou efeitos colaterais, alguns gravíssimos! Se tornou um vicio pandêmico na sociedade cristã-ocidental.

 

As pessoas não largam seus Smartphones, iPhones e Tablets, para nada. Em todas as atividades do dia, eles estão a mão. Desde coisas banais como escovar os dentes às mais complexas como dirigir um carro, por exemplo. E há aqueles que não os largam nem durante suas relações sexuais.

 

Com isso as pessoas acabam se tornando reféns de seus aparelhos, e sendo abduzidas por eles para o mundo virtual, deixando o mundo real apenas como um mero papel de parede.

 

E aquelas atividades tradicionalmente feitas para reunir os amigos e estreitar os laços estão perdendo a sua natureza. Quantas vezes não observamos nas mesas de bar a cerveja esquentar no copo, um silêncio sepulcral tomar conta, e todos com suas caras nos seus respectivos smartphones?

 

Logo as tradicionais mesas de bar… Nem elas resistiram ao avanço tecnológico. Perderam a finalidade. Hoje chegamos ao bar e antes da primeira rodada de chopp já pedimos a senha do Wi-Fi. O primeiro brinde é apenas motivo para aquela selfie legal.

 

Ninguém comenta mais da última rodada do Brasileirão, da inflação e da loira gostosa da academia. E aquela última transa no carro? Virou assunto de grupo de WhatsApp.

 

Que saudade dos bons tempos… quando se fazia amizade com o garçom, quando se mandava bilhetes e pagava um chopp pra morena da mesa ao lado.

 

Agora mal se olha ao redor. O intuito de ir ao bar reduziu-se a tirar uma selfie do seu iPhone para ganhar likes no Facebook. Acabou a resenha, a piada ao vivo, o flerte, as apostas de bar. Lamentavelmente presenciamos o triste fim da mesa de bar.

 

Aquela mesa de bar eternizada no samba de Gonzaga Jr. não existe mais… Reginaldo Rossi, hoje, teria que encontrar outro lugar para desabafar… provavelmente postaria “se sentindo traído” no Facebook, e não teria o ombro amigo do saudoso garçom.

 

Culpa da maldita desta internet… aproximando os distantes e afastando os próximos.

 

Que saudade da mesa de bar…

 

#oprimeiroamexernocelularpagaaconta

 

Nota do autor: Texto escrito com a colaboração de Kadu Bastos.

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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