O trabalho que eu sempre quis

O trabalho que eu sempre quis

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O que você quer ser quando crescer?


Qual criança não ouviu essa pergunta um dia? Não me recordo bem de quais eram as minhas respostas, só sei que queria trabalhar de bermuda, em uma sala com ar-condicionado, sentado em frente a um computador e rodeado por mulheres.


Deus quis que ao invés de trabalhar em um telemarketing, eu viesse parar em uma agência de publicidade (obrigado, bom Deus).


Sempre fui péssimo em matemática e muito bom com desenhos. Cogitei a remota hipótese de fazer Arquitetura ou Engenharia, mas os dois exigiam matemática extrema. Porém, na contra mão dessa indecisão, tinha algo nos comerciais de TV que mexia comigo. No Brasil não é muito difícil se interessar mais pelos comerciais do que pelos programas que a TV aberta te oferece, então, o momento dos comerciais era um dos mais aguardados.


O espírito vagabundo e libertino das agências de publicidade chamou a minha atenção. O glamour, a liberdade, ousadia, criatividade, as festas, premiações e todo esse ambiente que cerca uma agência de publicidade é tentador. É, mas as coisas não são bem assim não, pelo menos não para quem está começando.


Publicitário inocente, antes do primeiro dia de trabalho.

Publicitário inocente, antes do primeiro dia de trabalho.


Atender telefones, tirar xerox, buscar material em gráfica, revisar textos, ficar até mais tarde na agência colando adesivos em um material gráfico que nada tem a ver com você não é bem a vida que todo estudante de publicidade deseja encontrar.


Grandes marcas? Grandes campanhas? Para muitos, são coisas que eles ainda continuarão a ver somente na TV. Porém, entretanto, todavia, contudo, existem coisas que só a propaganda pode proporcionar a uma pessoa (além de muita olheira, noites sem dormir e vício em energéticos), como por exemplo: invadir a festa de aniversário da academia de dança da Adriana Bombom porque o seu amigo design desenvolveu o convite em troca de algumas cortesias.


Bom, eu não tenho do que me queixar, afinal, trabalho exatamente do jeito que me imaginei quando criança, de bermuda, em uma sala com ar-condicionado, sentado em frente a um computador e rodeado por mulheres. Não é tão glamoroso quanto achava que era quando criança, mas não posso dizer que não realizei meus sonhos de infância.

Diego de Lacerda
Filósofo de beira de esquina, publicitário, sonhador e empreendedor. Gosta de filmes, desenho animado e mais um monte besteiras sem sentido. É co-fundador desta revista e fascinado pela vida - não só a sua como a dos seus amigos. No twitter: @D_lacerda.

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  • https://www.facebook.com/profile.php?id=100000457205220 Luciene Dias

    Acho que nem nas agências grandes, com grandes contas, existe esse glamour todo que imaginávamos. 
    Mas ainda assim é a melhor profissão de todos os tempos da última semana!! rsrsPelo menos pra mim.

  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    O meu trabalho dos sonhos é um escritório pequeno, porém descolado, onde todo mundo trabalha por gosto e quando não quer fazer merda nenhuma, não faz. Horário flexível, brainstorm aberto a todas ou quase todas as vozes, essas coisas. Detalhe, sou o boss dessa história aí, hahaha.

  • Carlos Nani

    É, realmente a realidade realmente não tem todo esse glamour, mas não deixa de ser divertido.

  • Léo Monteiro

    Cara, quando você for citar esse lance dos convites da festa, nunca diga quem fiz isso… rsrsr