O que é realmente o termo “Politicamente Correto”?

O que é realmente o termo “Politicamente Correto”?

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Odeio esse termo desde que percebi ser um instrumento de manipulação e enganação, um meio de criar uma subordinação maliciosa. Você, se um cidadão desconfiado, já deve ter percebido também que tal termo tem algo de “ruim” e “danoso” para nós pelo simples fato de que ele aparece principalmente na grande mídia. Talvez até pelo Estado também. E como vocês sabem, o Estado totalitário e a grande mídia são nossos inimigos.

 

Ser politicamente correto é ser mais um idiota útil. É ser apenas mais um tapado que vai ajudar certos caras a conseguirem o que eles querem, que é a manipulação total do nosso comportamento e até dos nossos pensamentos.

 

Não seja politicamente correto, seja você mesmo. Por exemplo: se você não gosta de roqueiros, pagodeiros, gordos, cristãos, negros, conservadores, austríacos, filósofos, estadunidenses, caucasianos, etc., ótimo. O problema é seu. Isso é ser politicamente incorreto. Você ter o direito de gostar ou não gostar de alguma coisa. É não se preocupar se seu jeito está agradando ou não, é ser quem você é, e ser conhecido por isso. Só não interfira na liberdade alheia.

 

Como eu não teria capacidade maior de explicar bem tudo isso, tomo a liberdade de trazer ao seu conhecimento uma explicação melhor que a minha. Aqui está um trecho de um livro que explica bem isso:

 

“É certamente um acaso, mas é interessante notar como no mesmo ano da constituição italiana tenha também sido escrito o romance 1984, de George Orwell, no qual, entre outras coisas, imaginava um mundo no qual o Estado havia criado uma nova língua que, pouco a pouco, ia substituindo a língua antiga. Termos da “arqueolingua” (o inglês antigo) como “livre”, na novilingua poderia ser utilizado apenas para “um campo livre de ervas daninhas”, mas nunca no sentido de “livre pensamento”. Seria tão absurdo dizer “Livre pensamento” quanto hoje é dizer “pensamento porta” ou “pensamento azul”. A palavra “liberdade” entendida como liberdade individual vinha simplesmente substituída pela palavra apologia (crime de pensamento).

 

Como na novela de Orwell uma nova linguagem, a linguagem politicamente correta, vem sendo lentamente introduzida na sociedade. Aqueles que realizam este processo podem ser identificados e são os intelectuais próximos ao poder, a inteligência do estado, os burocratas. Este não é um processo piramidal que no vértice podemos encontrar um “Grande Irmão” orwelliano. Ao contrário, como o próprio Orwell revela no último capítulo do seu livro, o grande irmão não existe. O grande irmão coincide com o sistema.

 

E assim que vemos estes intelectuais se “rebaixarem” frequentando transmissões televisivas de baixo teor cultural (mas com grande público) para ensinarem que existem novas palavras para definir aquilo que nos rodeia, palavras aprovadas por burocratas estatais, palavras que quando usadas não agridem os outros.

 

Não devemos dizer aleijado, mas deficiente. E então pessoa com necessidades especiais. Não se pode dizer preto, mas sim negro, e nem isso, devemos dizer afrodescendente. A burocracia nos impõe uma teia de palavras destinadas a enfraquecer, amaciar, amolecer, tornar vago o significado das palavras. Em seguida a empregada se torna uma secretária do lar, a escola torna-se um instituto de educação, os impostos sobre a televisão se tornam uma taxa de licença. São palavras que tem em si um significado e que tornam impossível a contestação.

 

Se quisermos sustentar um argumento como “A escola não é educativa” hoje ainda temos como expressá-lo. Mas, e amanhã? Faria algum sentido dizer “A instituição educacional não é educativa”? Se quisermos dizer “este deficiente não está apto para o trabalho” hoje ainda podemos dizer. Amanhã seremos forçados a dizer “este sujeito com necessidades especiais não está apto para o trabalho”. Como podemos dizer que “o trabalho socialmente útil é inútil” se a definição de útil já foi dada incorporando-a ao substantivo? Como podemos dizer que a função da prisão não é reeducar, mas de obrigar o condenado a ressarcir, se tivermos que dizer “instituição de reeducação” ao invés de “prisão”?

 

Já não é possível ter opiniões próprias. Estas são julgadas como comportamento. Por exemplo, o código penal Europeu prevê o racismo e a xenofobia como crimes, entendendo por racismo e xenofobia “a crença de que uma pessoa é diferente da outra por pertencer a um grupo étnico, religioso ou social”. Além do fato de a xenofobia ser uma fobia, um distúrbio psicológico e não um crime, as leis desse tipo fazem com que uma pessoa possa ser incriminada apenas por ter expressado a sua opinião, sem jamais ter agredido ninguém, ou, se um dia inventassem uma máquina que lesse os pensamentos, apenas por ter pensado de modo racista.

 

O politicamente correto é talvez a arma mais sutil da máquina estatal, uma arma oculta que, dia após dia, nos priva da possibilidade de nos defendermos. E se o politicamente correto é a arma do estado, o meio, a mão que a segura é a educação cívica.”

 

Obs.: O texto acima foi extraído do livro “Estado? Não, obrigado!”, onde o autor demonstra que o Estado autoritário sempre fez e sempre fará mal aos cidadãos. Quanto mais poder tem o Estado, mais perigoso ele é. (Grifos meus.)

 

O italiano Marcello Mazzilli é o autor do livro.

O italiano Marcello Mazzilli é o autor da peça literária.

 

Uma outra citação interessante é o livreto online da “Free Congress Foundation” chamado Political Correctness: A Short History of an Ideology, editado por William S. Lind.

 

Segundo Lind, o Politicamente Correto quer alterar o comportamento, o pensamento e até as palavras que nós usamos. De modo significativo, isto já foi feito. Quem controlar a linguagem, controla o pensamento. O Politicamente Correto é apelido para o Marxismo Cultural. O esforço de traduzir o Marxismo da economia para a cultura não teve início na tão falada rebelião estudantil dos anos 60 (que teve forte adesão de universitários brasileiros). Ela tem suas origens nos anos 1920 (pelo menos) e nos escritos do comunista italiano Antonio Gramsci.

 

Em 1923, na Alemanha, um grupo de marxistas fundou um instituto dedicado a fazer esta tradução: O Institute of Social Research (mais tarde conhecida como a Escola de Frankfurt). Um dos fundadores, George Lukacs, declarou o seu propósito como sendo uma resposta a questão: “Quem nos salvará da Civilização Ocidental?”

 

Entendeu agora? Busque conhecimento.

Douglas Eduardo
Douglas Eduardo é um Cristão politicamente incorreto. Gosta de criar discussões. Acredita que o debate aperfeiçoa os argumentos e não teme mudar de opinião. É contra o conceito de minorias e até mesmo contra algumas descobertas científicas. "Estude os dois lados de um assunto de maneira tão aprofundada no lado contrário quanto na posição tomada".

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  • Roger

    muito bacana.

  • Messala

    Ele é muito menos conhecido que o Karl Marx, Engels, Lenis e Trotski, mas ele é o verdadeiro gênio do mal. Sem Gramsci o comunismo ia ser só mais uma ideologia ultrapassada.

    • Douglas Eduardo

      Por causa dele que a introdução lenta e gradual por meio da cultura que o socialismo/comunismo ainda existe nos dias atuais.
      O problema é que esse sistema de governo é o mais eficiente para quem quer o controle total da população.

    • Jas Aso

      Tem também o trio da Escola de Frankfurt que atuou dentro dos EUA e são os pais do politicamente correto. Herbert Marcuse, Georg Lukács e Theodor Adorno (pior que esses merdas eram gênios).