O político morreu

O político morreu

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Era de esquerda? Era de direita?
Quais eram as ideias que defendia?
Com quem fazia as suas alianças?
Em quais pontos discordamos?
Lembramos de suas contradições?
Puxai a ficha, para que saibamos
até que ponto devemos lamentar.

 

Ele por acaso tinha algum inimigo?
Há alguém em quem colocar a culpa?
Existem circunstâncias mal explicadas?
Quais teorias conseguimos levantar?
Quantas pessoas podemos envolver?
Levantai todas essas informações
para que essa morte não seja vã.

 

Iremos mandar uma coroa de flores?
Faremos um pronunciamento oficial?
Trocaremos nossa foto no Facebook?
A quem permitiremos que lamente?
Quais discursos julgaremos falsos?
Vigiai, para evitar que alguém consiga
tirar um proveito maior que o nosso.

 

Preferíamos que fosse outro a morrer?
Queríamos que fosse de outro partido?
O que faremos para que todos riam?
Quantas piadas conseguimos suscitar?
Quantos likes somos capazes de atrair?
Relaxai, pois aquela dor está longe
e da nossa ninguém se compadece.

 

O que acontecerá a partir de agora?
Quem será indicado para o seu lugar?
Como isso afetará o cenário político?
Quais serão as novas estratégias?
Isso nos beneficia ou nos prejudica?
Considerai que não estamos mortos
e que a política é a própria eternidade.

Henrique Fendrich
Henrique Fendrich nasceu no sul, mora em Brasília/DF, é jornalista e escritor, mantém a Rubem, revista digital sobre crônica, publicou uma coletânea com textos seus chamada "Brasília quando perto", e gosta de ler tanto quanto de falar sobre o que leu.

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