O Mal do Terceiro Mundo

O Mal do Terceiro Mundo

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A valorização das coisas abjetas e fúteis é o mal do Terceiro Mundo. Na ânsia de parecerem importantes no cenário mundial esses países periféricos trilham pelo caminho do fortalecimento econômico para chegarem ao protagonismo no tabuleiro mundial. Acreditam que através de uma economia forte irão passar de peões para rainhas.

 

Este imediatismo, em curto prazo, gera resultados, disso não tenho dúvida. Porém, o tempo se encarrega de devolvê-los aos seus lugares de origem: o subúrbio mundial.

 

Nicolau Maquiavel, lá no século XV já dizia que devemos estudar os eventos históricos para repetirmos os êxitos e evitarmos os equívocos de outros personagens. Um breve olhar pela história nos mostra que os eventos se repetem de maneira sistemática, muito possivelmente por essa falta de cuidado na análise da história.

 

Nenhum plebeu se tornou nobre apenas pelo seu acumulo de capital. A história está repleta de exemplos, tanto individual, quanto em escala nacional, que acumulo de capital sem sabedoria finda em fracasso.

 

Não há exemplo melhor do que da dupla ibérica. Portugal e Espanha que um dia chegaram a dividir o mundo entre si e por séculos tiveram impérios grandiosos além-mar, não tardaram a sofrerem com um declínio inexorável, que os fez voltarem ao segundo escalão mundial.

 

Os ibéricos alcançaram riquezas imensuráveis, porém, lhes faltavam o mais importante: uma nação com valores morais bem fundamentados, não à toa a França pós-Revolução sofre cada vez mais com o mesmo declínio dos seus vizinhos. As histórias desses países se assemelham com inúmeros ganhadores da Mega Sena, os quais se viram milionários da noite para o dia e anos depois estavam de volta ao ostracismo.

 

Por outro lado, no contra ponto da balança, podemos citar o exemplo da Inglaterra que por séculos é protagonista mundial. Exercendo papel relevante em inúmeras questões que envolvem o globo, desde a abolição da escravatura à luta quase que solitária, em alguns momentos, contra o expansionismo continental de Napoleão e, posteriormente, de Hitler.

 

Os ingleses se mantêm no topo não apenas por sua solidez econômica atual, ou por ter tido um império onde “o sol nunca se pôs”, uma vez que gigantescos impérios portugueses e espanhóis também tiveram, eles se mantêm por terem uma nação forte.

 

Também podemos citar Alemanha e Japão, como exemplos. Alemanha, devastada depois de travar uma guerra de grandes proporções em seu território, e o Japão, destruído por duas bombas atômicas, se reergueram num curto espaço de tempo após a guerra. E hoje são exemplos para o mundo.

 

Você pode argumentar que estes países receberam grandes ajudas financeiras dos americanos no período pós-guerra, e por isso se reconstruíram, mas isso é um sofismo barato. Basta olhar para o continente africano, o qual recebeu na década de 1980 cerca de 83 milhões de dólares em ajuda humanitária para perceber que dinheiro não é tudo.

 

A diferença entre japoneses e alemães dos africanos é que são culturalmente superiores. São grandes países, possuem grandes nações e detêm matéria prima de qualidade para trabalhar.

 

E o Brasil, enquanto não aprender com os exemplos do passado e valorizar o que é perpétuo vai continuar a ser um país do futuro.

 

Enquanto nossa prioridade for o crescimento econômico, continuaremos “anões diplomáticos”, sem peso atômico em escala global. Temos hoje a 9ª economia do mundo e isso nem de longe nos eleva ao status de grande nação. Podemos ter sucessos econômicos imediatos, como já tivemos em outras épocas, mas sempre serão efêmeros, e estaremos fadados a retornar com o rabo entre as pernas para o nosso lugar. E num ciclo burro voltaremos a erguer nosso castelo de areia na beira da praia, nossa estátua de bronze com pés de barro.

 

João Ubaldo Ribeiro foi preciso quando disse que um país precisa de matéria prima. Num olhar crítico e desprendido de vaidade, quanto matéria prima temos certas qualidades, mas nos falta o essencial. Somos matérias primas defeituosas e distantes daquilo que o país precisa. Nossa brasilidade congênita nos atrapalha, nosso “jeitinho” nos atrasa.

 

Costumo dizer que o nosso maior problema é educacional, mas não apenas didático, nos falta, também, educação moral. Somos um país onde o corruptor critica o corrupto. O mesmo que “molha” a mão do guarda para não ser multado é o que sai dizendo: Por isso que este país não tem jeito.

 

Um amigo meu diz que a diferença entre o cidadão comum e os políticos corruptos é a oportunidade. Aquele que leva pequenas vantagens na vistoria do Detran, por exemplo, se tiver acesso as volumosas verbas da Saúde também desviaria dinheiro. Isso está impregnado na nossa personalidade.

 

Essa falta de caráter inerente ao brasileiro é o resultado de décadas de políticas de deturpação moral. Hoje elas estão materializadas em diversas militâncias que visam destruir o que ainda nos resta de conduta moral essencial para a construção de um povo. Essa deturpação não nos transforma numa “sociedade moderna” livre de preconceitos e mais igualitária. Essa agenda conduzida pelas militâncias esquerdistas nos atrasa como país e nos condena a irrelevância.

 

Enquanto não nos dedicarmos em resgatar a base moral que vem sendo minada nos últimos anos e nos transformamos em matérias primas que o país precisa, com solidez moral inabalável, seremos eternamente um país subdesenvolvido.

 

Eu como um otimista incurável tenho plena convicção que podemos um dia deixarmos de ser este país do futuro e iremos nos tornar uma realidade, seremos um gigante no tabuleiro mundial, nossa opinião será respeitada e não desprezada como hoje.

 

Para isso duas coisas são de total importância: primeiro, cuidarmos das nossas crianças, protegê-las das garras de seres abjetos que visam destruir tudo que foi construído durante séculos, precisamos salvar as gerações que estão por vir e segundo, e mais importante, reconhecer nossos defeitos individuais, nos livrarmos da vaidade que nos cega. Isso procuro fazer diariamente, já identifiquei meus defeitos como matéria prima e busco trabalhar para que corrigi-los, para melhorar a cada dia e ser o cidadão que o país precisa.

 

E você, o que tem feito?

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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