O jornalismo e eu

O jornalismo e eu

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Se definir não é muito divertido. Não sei se os organizadores do Curso Abril de Jornalismo 2015 sabem, pois colocaram tal tema como requisito para todos que queiram ingressar no curso (“Quem sou eu e porque escolhi o jornalismo”).

 

Em geral, não funciona, pois somos acríticos por natureza para com nós mesmos. Porém, queria me inscrever no curso e, vá lá, na correria de um dia qualquer, descrevi a mim e ao meu hobbie preferido: sou um conservador hiperativo, perfeccionista com o que menos importa e amante da escrita por acaso. Formei bacharel em Ciências da Computação em 2007, amo tecnologia e amo a computação – áreas distintas, é bom observar –, mas amo igualmente (mais?) a comunicação, que conheci quando fui sócio de um amigo estudante de publicidade. Fazíamos sites e afins, no começo do segundo boom da internet, e enquanto programava percebia que, talvez, somente as “letrinhas”, embaralhadas logicamente, que fazem mágica, diga-se, talvez não seriam suficientes para mim.

 

O tempo passou, a parceria acabou e segui, veladamente, com aquele namoro com a comunicação. E o namoro evoluiu. Tenho também um veia empreendedora que, mesclada com meu hiperativismo, não me deixa ficar parado. Vivo a inventar moda, e algumas dessas modas pegam. A Feedback Magazine pegou, projeto que fundei com mais três amigos, uma revista digital focada em conteúdo especializado, analítico e opinativo. Fazemos jornalismo cultural, claro e evidente, e também um quase jornalismo esportivo – vai melhorar –, além de outro altamente politizado (digo a sério, compreendendo o termo de forma literal e não o entendimento senso comum que o coloca quase como sinônimo de ativismo e engajamento); o orgulho da casa. Enfim, meus três amigos não duraram um ano sequer. Trabalhar e não ganhar por isso não é para qualquer um, talvez só para os amantes. Como amo a comunicação, sigo com o projeto até hoje, sendo grato por poder ter um espaço para escrever e ser lido. É o que importa, afinal.

 

Mas a escrita ainda é um hobbie para mim, algo que talvez possamos mudar com este curso da Abril (impossível!). Como se pode ver nesse breve resumo, escolhi o jornalismo mais ou menos pelo acaso, mas foi amor à primeira vista. Hoje observo tudo que circunda o meio e, das formas possíveis e que me cabem, tento me aperfeiçoar e aprender – sou autodidata e arrogante, acredito que posso aprender qualquer coisa com empenho real, mesmo sem ninguém para transferir diretamente o conhecimento pretendido.

 

Tento escrever, sobre aquilo que gosto, pelo menos uma vez por semana. Algumas semanas mais que isso, em outras semanas nem isso – tenho que por comida na boca das crianças e as letrinhas ainda são mais úteis para este fim.

 

Depois de conhecer, então, a comunicação, e mais tarde especificamente o jornalismo, já na prática, interessei-me realmente por tal ofício por entendê-lo como a melhor forma de expressar meus mil e um pensamentos. Sou daqueles que tem, ou tenta ter, opinião para tudo. Mas não sou leviano, tento focar e realmente entender sobre aquilo que escrevo – hoje estou focando em MMA e política, mas não raro navego por outras águas.

 

E essa diversidade me atrai. O sentimento de vastidão e a certeza que o jornalismo dá, de que o trabalho jamais irá cessar, de que sempre haverá o que comentar, atraem. Interessei-me pelo jornalismo meio que por acaso, assim como achei essa oportunidade (da Abril) por acaso. O jornalismo vem funcionando para mim; por Deus, que este curso também funcione (mentira, dei de ombros…).

 

Sou um abençoado, no fim das contas, de uma forma ou de outra, pois pelo menos este curto texto está sendo lido por alguém. No fim do dia, é somente o que me importa.

 

Nota de rodapé: A história aqui relatada não apresenta exatamente a realidade dos fatos quanto ao início deste periódico e o meu contato com a comunicação, porém foi do entendimento deste autor que assim o texto ficaria mais interessante. Um brinde a literatura.