O Impeachment é Possível

O Impeachment é Possível

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Pela segunda vez na história da Nova República um presidente pode sofrer o processo de impeachment. O processo desencadeado pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), teve três efeitos imediatos: (1) deu um sopro de esperança para aqueles que lutam contra o aparelhamento das instituições pelo movimento lulopetista; (2) abalou, mesmo que momentaneamente, a convicção do mesmo movimento, o qual acreditava ter alcançado a hegemonia; (3) gerou a desconfiança dos demais, por não acreditarem no sistema político brasileiro e acharem que vai terminar em “pizza”. A esse último grupo que me dirijo.

 

O momento é histórico, disto não resta dúvida. Mesmo que tenha sido através do Cunha – que está envolvido até a medula no caso do Petrolão – o ponto de partida do processo e que o motivo para esse desencadeamento tenha sido uma retaliação ao PT, isso não desqualifica o pedido que tem base legal e que foi apresentado a revelia da vontade de Cunha. O que importa é que o processo foi iniciado. Cunha agora ficou para trás. E o que temos é o fato consumado do início o processo de impeachment.

 

Diferente de Collor, o qual não tinha apoio político, popular e muito menos as instituições aparelhadas a seu favor, Dilma ainda conta com toda a estrutura estatal em sua tentativa desesperada de se manter no cargo. Porém, existem 13 pontos importantes que pensam contra a presidente:

 

1) Seu nível de reprovação é o maior de um presidente na história da República brasileira.
2) Apesar de ter a máquina estatal a seu favor, ela não conta com apoio político. Não é unanimidade nem mesmo dentro do PT.
3) Ela trabalha com o Congresso mais conservador dos últimos 50 anos.
4) Os movimentos pró-impeachment estão bem organizados e já mostraram que tem poder de mobilização.
5) A Operação Lava-Jato cada vez mais se aproxima de Lula, enfraquecendo o Partido e indiretamente desgastando ainda mais a sua imagem.
6) Suas políticas tributárias são impopulares, os brasileiros vivem assombrados com a possível volta da CMPF.
7) Há uma crise econômica sem precedentes.
8) Inflação volta a assustar os brasileiros.
9) Todos os meses mais e mais postos de trabalho são fechados.
10) Há uma escalada da violência.
11) O Governo não conta mais com credibilidade internacional.
12) Ela não sabe conectar duas frases e dar inteligibilidade à sua linha de raciocínio (se é que existe).
13) E por último, mas não menos importante, a esposa do Michel Temer, vice-presidente, é mais bonita. Ao menos esteticamente é melhor que a Dilma.
 

Portanto, a possibilidade de impeachment é real. A presidente está enfraquecida, dá sinais de cansaço. Mas tudo depende da ocupação dos espaços e na luta pela conquista da opinião pública. A pressão que vem sendo feita nas redes sociais tem que se intensificar e o que já foi feito este ano nas ruas tem que se repetir.

 

Outro ponto importante que pesa contra a presidente é que o ano de 2016 é ano eleitoral nos municípios brasileiros, e quase a totalidade dos deputados estarão envolvidos diretamente nas corridas pelas prefeituras, onde eles constroem suas bases eleitorais. Como todas as pesquisas de opinião mostram uma rejeição cada vez maior do povo pela figura da presidente, algo em torno de 90% de rejeição e 60% a favor do impeachment. Caso a presidente consiga salvar o mandato, o povo ficará contrariado, e isso pesará no voto dos deputados. Quem em ano de eleição irá querer contrariar os seus eleitores? Será quase um suicídio político para alguns.

 

Além desse fator complicador, a Câmara já deu mostras este ano que é independente do Planalto. O Governo já sofreu derrotas significativas dentro do Congresso, e com a Dilma cada vez mais isolada politicamente, será muito difícil conseguir uma articulação para que barre o processo entre os deputados. Portanto, tudo indica que o impeachment passará pela Câmara e seguirá para a decisão no Senado.

 

O Senado, por sua vez, é uma incógnita. Existe uma oposição forte liderada pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e coadjuvada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), mesmo a contragosto de alguns caciques Tucanos, além de alguns senadores independentes, como a senadora Ana Amélia (PP-RS). Porém, existe um reduto de resistência em defesa da presidente. O presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), outro investigado pela Operação Lava-Jato, é aliado do Governo, e por vezes conduz o Senado com punho de ferro, além é claro de algumas figuras carimbadas nos mais diversos escândalos, os quais não negarão suas raízes e se posicionarão em favor da presidente, como o ex-presidente, “impitimado”, Fernando Collor (PTB-AL), o corrupto Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-cara pintada e atual aliado do ex-presidente, que ele ajudou a derrubar, Lindbergh Farias (PT-RJ).

 

Como o Senado não se envolveu em questões polêmicas de apelo popular ao longo do ano, é difícil avaliar o termômetro da Casa. Entretanto, um Governo fragilizado e uma pressão popular ferrenha podem ser os ingredientes que levem os senadores a decidirem pelo impeachment da presidente.

 

O que cabe ao próprio Governo favorecer o impeachment, ele tem feito de maneira louvável: instalou uma grave crise econômica; é protagonista no maior escândalo de corrupção da história; está cada vez mais isolado politicamente; e, perdeu quase todo seu poder de barganha, resta-lhe a chantagem e a compra, literal, de alguns parlamentares.

 

Agora cabe a oposição ser firme e se articular em prol do processo, não recuar um só milímetro agora que o impeachment foi desencadeado e sempre que houver a oportunidade deixar a pauta viva na grande mídia. Ao povo cabe, mais do que nunca, ocupar as ruas. A mesma demonstração de força que foi mostrada em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto deve se repetir agora. Dia 13 de dezembro está marcada a primeira grande manifestação em favor do impeachment e após ela tem que ocorrer outra e mais outras, uma após a outra até que a presidente caia.

 

A pressão deve ser forte. Como numa luta de MMA: o golpe foi conectado e o adversário o sentiu, agora é bater até ele ser nocauteado e o Brasil saia vitorioso.

 

“Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil…”

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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