O doce prazer da leitura

O doce prazer da leitura

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O homem é fruto do meio, e o meio em que muitos de nós vivemos, aqui na nossa sociedade brasileira, ainda é burro. As escolas não incentivam a leitura como deveriam incentivar, é mais fácil colocar as crianças para correr de um lado pro outro atrás de uma bola de futebol do que incentivá-los a ler, compreender e imaginar.


Eu, por sorte, pude fugir a essa regra. Nos meu tempos áureos de ginásio, foi dentro de uma escola municipal que encontrei a luz e a salvação para a minha mente criativa e imaginativa. Durante uma das aulas de português que tínhamos na semana a professora Sônia, que era a cara da Dona Vilma da Malhação, inventou a chamada “Hora do conto”; um momento onde cada aluno pré-selecionado deveria apresentar um resumo verbal sobre um livro qualquer a sua escolha. Não valia nota e não era obrigatório, mas todos adoravam. Na época eu não compreendia a importância que aqueles momentos poderiam ter pra minha vida.


Por diversas vezes burlei com meus compromissos de leitura, lia um poema qualquer ou apenas o resumo das costas do livro e falava qualquer besteira sobre o assunto, pois ainda fazia parte da juventude manipulada pelo descaso de muitos professores para com a educação neste país. Mas foi naquele momento que as coisas começaram a mudar pra mim. Os frutos foram colhidos alguns anos mais tarde, porém isso não tira nem um pouco a importância da semente plantada pela famosa “Dona Sônia”, que chegou a ser alvo de reportagem e tudo, devido a sua ideia inovadora.


Bons hábitos devem começar cedo.

Bons hábitos devem começar cedo.


Casos como esse deveriam ser normais nos dias de hoje, mas ainda não é. As crianças de agora não querem ler e as de ontem também não, não existe o hábito. A importância de dar asas a imaginação através de um livro ainda não é reconhecida por grande parte das crianças, e o reflexo disso vai ser colhido no futuro de várias formas indesejáveis. Não quero e nem vou falar sobre os prejuízo causados pela falta desse hábito, mas gostaria de pedir encarecidamente a você, que é pai, e a você, que é professor: Incentivem suas a crianças a ler, pois quando você o faz sua mente se abre, e como já dizia Albert Einstein, “uma mente mente que se abre nunca volta ao seu tamanho original”.


“A mente é minha arma. Meu irmão tem a sua espada, o Rei Robert, o seu martelo de guerra, e eu tenho a mente. Uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada.”
(Tyrion Lannister)

Rodrigo "Cotton"
Humorista frustrado, programador ousado. Direto e reto. Muitos me acham bobo, alguns me acham engraçado. Eu me acho foda. No Twitter: @RodrigoCotton.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Bom ter você de volta irmão! Mandou muito bem mais uma vez, sério. Essa “Dona Sônia” deveria ser clonada e distribuída nas escolas, rs. Abraços!

    • Rodrigo Cotton

      Seria bom né, mas como não é possível eu escrevo e espero que algum professor leia e copie. No modelo de escola americano, vários livros fazem parte do plano de aula.

  • Kleiton Ferreira

    Caro Rodrigo. Parabéns pelo texto. Ele mostra um pouco da realidade das salas de aula atuais. Se tivesses escrito este artigo há 20 ou 30 anos atrás ele seria tão atual quanto o é agora. Realmente a leitura é pouco incentivada. Imagine a escrita então? quem aprende a escrever algumas ideias consegue perceber a enorme diferença de quem sabe ler e tem consciência disso, ou de quem apenas identifica as letras sem noção nenhuma de conjunto. Consciência se faz através da vida, como disse Marx, e vida é ação. Dona Sonia é uma entre tantas outras abençoadas que por aí existem, mas coitadas, sozinhas as vezes não conseguem realizar milagres.
    De qualquer forma, o texto alerta para o problema, mas e para a solução? vamos incentivar a leitura não só na escola, mas principalmente em casa, na família, pois é ali onde a educação começa. 

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Boa Kleiton, bom ter você por aqui novamente contribuindo de todas formas possíveis.

    • Rodrigo Cotton

      Verdade Kleiton. Penso muito na solução para esse problema, sei que incentivo todos ao meu redor a leitura, mas é difícil adquirir este hábito já na idade adulta. Gostaria de poder alcançar um grande número de crianças mas não sei ainda como fazê-lo, talvez juntos, nós leitores e colaboradores deste projeto possamos descobrir uma solução para este problema.