O Dia do Trabalho, o Dinheiro e o Mal

O Dia do Trabalho, o Dinheiro e o Mal

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“O Dinheiro é a raiz de todo o mal”. Você já ouviu essa frase. Eventualmente, no fundo do seu coração, até concordou com ela. Se sim, não está sozinho. O conceito que tal assertiva carrega está incrustado na mente ocidental pelos últimos, pelo menos, 150 anos. Mas está errado. Inicialmente, destaco que “a famosa” atravessou os tempos distorcida de seu sentido original, contido, como não poderia ser diferente, no nascedouro cultural e imaginativo do Ocidente pós-clássico, a Bíblia: “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (I Timóteo, 6: 10).

 

Na forma mais “compacta” que abre o artigo, versão que inverte sujeito e objeto, causa e efeito, está a clave de entendimento de boa parte dos “sentimentos” e reações automáticas quando nos defrontamos com relações econômicas e de poder. Metonimicamente, como acontece na transmutação da frase, o objeto passa a ser o gerador e fonte do mal, no lugar dos agentes que, efetivamente… agem. Nessa visão distorcida, o homem se torna produto do dinheiro, quando o certo é o contrário.

 

O cacoete que nos assombra, quase que de modo onipresente no discurso moderno, começa a tomar forma teórica de maneira mais clara a partir do século XIX. Este “produto” é herdeiro de sentimentos do romantismo do século XVIII, cuja concepção do mais “comezinho” constava na ideia de que o mundo burguês só entende ação precificada – relação entre dinheiro e ação, demanda de eficácia etc. Thomas Carlyle, por exemplo, temia que a modernidade fosse transformar todas as relações humanas em relações econômicas. Tal entendimento tem como consequência lógica a obsessão pelo papel do dinheiro para além de “meio de ação”, mas como uma realidade em si mesma. Paradoxalmente, os caudatários desse processo mental condenavam a ganância ao mesmo tempo que reivindicam para si a posse e controle da totalidade deste “mal”. Explico.

 

Em Benjamin Disraeli, Karl Marx, and the Search for Identity, Isaiah Berlin observa de modo certeiro que Karl Marx, à moda de um antigo profeta hebreu (pagando pedágio às suas origens étnicas e à frase do início) n’O Capital: “fala o nome do eleito, prevendo o ônus do capitalismo, o fim do sistema maldito, a punição reservada aos que estão cegos ao caminho e meta da história e são pois autodestrutivos e condenados ao extermínio”.

 

No destaque de Berlin, uma das essências da mentalidade da esquerda, segundo a qual, se os homens forem deixados à própria sorte, destruirão uns aos outros. O dinheiro pavimentaria o caminho a esse extermínio, por meio de um sistema criado ad hoc. Portanto, se o dinheiro é um mal e o homem é autodestrutivo em potência, melhor que este não possua aquele, não é mesmo? Melhor que ninguém o retenha, fora o Estado, pai e senhor de todos nós.

 

A fonte de todo o mal, que nos levará à um inevitável fim apocalíptico. A menos que forneçamos poder àqueles que nos salvarão de tão trágico destino.

A fonte de todo o mal, que nos levará à um inevitável fim apocalíptico. A menos que forneçamos poder àqueles que nos salvarão de tão trágico destino.

 

Para que concepções saltem dos sentimentos difusos para as teorias, doutrinas e, finalmente, para o imaginário popular, a transição através da manifestação cultural é indispensável. Esta que dará forma, contexto e simbolismo para o conjunto de dados que a comunidade absorve – seja através da propaganda ou da realidade. Mais ou menos na mesma época em que Marx concebia o fim escatológico d’O Capital, o também alemão Richard Wagner, ainda que fã professo de Schopenhauer e gênio indiscutível da música, mostrava-se, à diferença de heróis e santos, um filho do seu tempo.

 

Por suas posições “políticas”, Wagner é mais conhecido pelo antissemitismo. A rejeição surda e morna aos judeus entre europeus salta ao ressentimento quando da formação dos Estados-Nações – alçando os filhos de Abraão da condição de segunda classe à equivalentes cidadãos. Wagner, como filho do seu tempo, apenas ecoa um vezo comum e estimulado. Na mesma toada, o compositor adere à visão distorcida sobre o dinheiro.

 

No famoso ciclo de quatro óperas Der Ring des Nibelungen (O Anel do Nibelungo), como bem destaca o historiador Niall Ferguson, em seu livro The Cash Nexus, Wagner narra deuses, gnomos e outras criaturas mitológicas em volta do anel mágico cuja posse garante poder sobre todo o mundo. Nessa crítica ao capitalismo de modo romântico, o tema central reza, como proferido por uma das donzelas da peça à Alberich, que o ouro, uma vez extraído, beneficiado e feito dinheiro, é poder. Na passagem citada, vai além:

 

“Aquele que do ouro do Reno fabricasse o anel
Que lhe conferiria um poder incomensurável
Seria capaz de obter para si toda a riqueza do mundo”

 

Entretanto

 

“Só quem renegar o poder do amor
Só quem abdicar das delícias do amor
Só esse alguém poderá fazer a mágica
Que poderá transformar o ouro em anel”

 

No bojo transcrito está inferido: a obtenção da riqueza e o ideal do amor, são mutuamente excludentes.

 

Utilizando uma narrativa do século XIII bem conhecida do povo alemão, construída em poema épico, Canção dos Nibelungos (sobre personagens mitológicos das sagas nórdicas e do Nibelungenlied), Wagner insere uma concepção política particular, na forma de elemento cultural, através de outros elementos culturais – de mesmo modo que a frase transfigurada do Novo Testamento. E é assim que o elemento simbólico se apropria do imaginário popular.

 

De acordo com esse entendimento, o “anel” traz maldição: o fim inevitável, que acabará com aqueles que insistirem em seguir o seu caminho:

 

“Em nome do incomensurável poder que me conferiu o seu ouro,
Que por um passe de mágica morra quem o enfiar no dedo!
….Todos se remoerão de cócegas para possuí-lo,
Mas ninguém dele extrairá prazer!
Em vão o guardará seu dono,
Pois através dele será conduzido ao seu carrasco!”

 

Gnomos, seres míticos, anel amaldiçoado com que comandará o mundo? Sim, você já viu isso. Tolkien buscou inspiração em Wagner para a trama de O Senhor dos Anéis. Entretanto, ainda que pareça prestar homenagem ao simbolismo wagneriano, o rejeita, contradiz e demole. Em sua própria narrativa, trata da “troca do lugar teológico”, da tentação de concentrar poder sobre a vida e vontade dos homens. Através do anel, forçar o mundo a moldar-se à sua imagem e semelhança. E, por isso, o controla. Destruirá aqueles que não puder controlar.

 

Ambos tratam de simbolizar no anel o mal e corrupção no coração dos homens. Mas o alemão faz a referência metonímica e errada ao dinheiro. O sul-africano, por outro lado, ao modo com que o homem tenta tomar o lugar de Deus, através do poder, manifestado de maneira mais aprofundada na húbris das ideologias totalitárias modernas.

 

Dinheiro, a diferença do que pensava Wagner, não é poder. Poder é a capacidade que você tem de condicionar as pessoas a fazer o que você deseja. O dinheiro pode fazer isso, claro, mas apenas se algo mais impedir que o tomem de você. Dinheiro não salvou os industriais judeus de Hitler, nem a aristocracia russa de Lênin, muito menos a nobreza francesa de Robespierre.

 

Cenário de “Siegfried”, a terceira das quatro partes que compõem a tetralogia “Der Ring des Nibelungen”. Sob direção de Frank Castorf, homenagem à Marx, Lenin, Stalin e Mao.

Cenário de “Siegfried”, a terceira das quatro partes que compõem a tetralogia “Der Ring des Nibelungen”. Sob direção de Frank Castorf, homenagem à Marx, Lenin, Stalin e Mao.

 

Não entendendo o dinheiro como produto de criação, muitos possuem quase que uma concepção malthusiana da riqueza – se sua totalidade é estanque (mudando apenas de mãos), precisa ser protegido de mesmo modo que um recurso natural limitado. Se é de tamanha responsabilidade, só pode ficar nas mãos do Estado. Em nenhuma outra área as esquerdas têm uma visão mais determinada a negar o resultado de experiências fracassadas, do que na concepção econômica. Os vícios se agrupam: a virulência retórica, o autoritarismo e a desqualificação de alternativas.

 

Sendo quantidade estanque, apenas um projeto de engenharia social e intervencionismo estatal amplo (amplo, não! Total!), poderia promover a distribuição justa desse valor limitado. Assim, produz-se o sem fim de regulações, agravantes da miséria que prometiam abolir. Como resposta, não o exame dos métodos, mas o aprofundamento do veneno como remédio: falta mais regulação. A dose foi pouca.

 

Mas isso tudo apenas introduz ao ponto que pretendo chegar. Para que se deixe de ver o dinheiro como fonte do mal e entendermos como delírio a tentativa de produzir o “homem do futuro” conforme a imagem e semelhança daqueles que ambicionam o poder (fazendo justiça à Tolkien sobre Wagner), ninguém melhor que Ayn Rand descrevendo o que é, e de onde vem o dinheiro.

 

A escritora e pensadora russa, em seu famoso A Revolta de Atlas, produziu a apologia ao dinheiro e trabalho mais amplamente reproduzida através dos tempos – que reiterarei. Capturando magistralmente o sentimento da narrativa influente que trata o dinheiro como um mal, confere a esta farsa resposta demolidora. Transcrevo a “joia” que traduz o dinheiro como produto do esforço, e não como alvo de grupos de pressão. Da edição mais corrente – Editora Arqueiro, tradução de Paulo Henriques Britto, págs. 82 a 85:

 

Link Youtube| A Revolta de Atlas

 

- Sr, D’Aconia, o que acha que vai acontecer com o mundo?
 
- Exatamente o que ele merece.
 
- Ah, mas como o senhor é cruel!
 
- A senhora não acredita na lei moral, madame? – perguntou Francisco, muito sério. – Eu acredito.
 
Rearden ouviu Bertram Scudder, que estava fora do grupo, dizer a uma moça que emitira algum som que traduzia indignação:
 
- Não se incomode com ele. Sabe, o dinheiro é a orgem de todo o mal, e ele é um produto típico do dinheiro.
 
Rearden achou que Francisco não deveria ter ouvido o comentário, porém o viu se virar para eles com um sorriso muito cortês:
 
- Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau?
 
Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver.
 
Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem do dinheiro. É isso que o senhor considera mau?
 
Ninguém respondeu.
 
- Já procurou a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a fazer isso. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na Terra.
 
Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força o senhor se refere? Não à força das armas nem à dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. (…) O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade.
 
O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.
 
(…) E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?
 
Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo sequestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer, não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta.
 
O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau?
 
(…) Não inveje um herdeiro que não vale nada: a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída – criar cinquenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna. O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau?
 
(…) O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente.
 
Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau.
 
Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil.
 
(…) Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo.
 
São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa – bem como de sua própria vida, que é o que ele merece.
 
Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles.
 
Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.
 
Quer saber se este dia se aproxima?
 
Observe o dinheiro.
 
O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade.
 
Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influencia – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada.

 
Pareceu familiar? Pois é, para mim também. A obra é de 1957 e abrimos maio de 2016 no ocaso do petismo, mas não dos saqueadores – filhos, não de um partido, mas de uma mentalidade. A hora é chegada.
 
Bom domingo, e bom dia do trabalho.

Merlin A.
Engenheiro pela PUCPR e empresário em Curitiba.

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  • http://feedbackmag.com.br Guilherme Barauna

    Excelente texto, Merlin. Aliás, não havia de ser diferente, esse discurso de D’Anconia é marcante demais.