O Chicote do Populismo Latino-Americano

O Chicote do Populismo Latino-Americano

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O populismo, grosso modo, pode ser entendido como o poder de conduzir as massas conforme a conveniência daquele que o possui. É um termo muito utilizado, embora muitas pessoas não conheçam suas reais implicações, sobretudo na América Latina.

 

Como estratégia politica, o populismo foi e ainda é muito utilizado por aqui. Trata-se do uso de todo o tipo de estratagema apelativo e irracional voltado ao convencimento das massas que, costumeiramente, são conduzidas através do sentimento – e não da razão. Todavia, muitos ainda o defendem, alegando que é a forma mais eficiente que a democracia encontra para colocar no poder governantes que sejam sensíveis aos apelos das massas populares. Na verdade, aqueles que possuem inclinações populistas, se ocuparem altas posições no Estado, provocam uma completa degeneração da democracia em um regime puramente demagógico.

 

Sua defesa é feita somente como maneira de legitimar tais regimes; estes, por sua vez, não nutrem apreço algum pelo espírito democrático e pelo império das leis e da ordem, fundamentais à manutenção das liberdades politicas e individuais.

 

Juan Domingo Perón, um dos "fundadores" do populismo latino-americano

Juan Domingo Perón, um dos “fundadores” do populismo latino-americano

 

A origem do populismo, sobretudo no Brasil, está intimamente ligada à dissolução das oligarquias rurais, bem como ao processo de urbanização das nações latino-americanas, o que fornece uma ligação com outras ideologias, como, por exemplo, o trabalhismo e o nacionalismo oriundos da revolta surgida através da ideia de exploração sofrida pelas nações latino-americanas em relação ao mundo desenvolvido. Isto ocorre, por exemplo, nos casos de Juan Domingo Perón, Getúlio Vargas e, mais recentemente, Néstor e Cristina Kirchner na Argentina, Hugo Chávez na Venezuela e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. Em alguns casos, o populismo também se encontra ligado à defesa da “moral e dos bons costumes”, como no caso de Jânio Quadros, que sempre usou dessas pautas completamente vagas frente aos seus adversários políticos.

 

Por óbvio, sempre que se elege um líder populista, coloca-se em jogo o futuro inteiro de uma nação, dado que estes constantemente estão interessados em politicas com resultados de curto prazo, devido a sua notória irresponsabilidade com o dinheiro dos contribuintes, se importando apenas com as curvas de popularidade em detrimento do futuro das nações.

 

Aristóteles descreve o Estado como um organismo moral. Dessa maneira, um líder carismático, mas irresponsável e com qualidades morais duvidosas, só traria dissabores àqueles a quem ele governar. Ademais, para o líder populista, pouco importa seguir o ordenamento jurídico ou respeitar e preservar os direitos individuais. Num país em que o populismo impera, as instituições vivem uma situação completamente crítica, pois são totalmente submetidas à irracionalidade das multidões. Ela se torna senhora suprema dos negócios públicos, lançando por terra toda e qualquer noção de Estado de Direito e grande parte das outras instituições constituídas pelo homem ao longo de eras de organização social, que sobreviveram aos testes impostos pela História e, mais uma vez, se encontram ameaçadas.

 

O cenário atual ainda não é dos melhores. Mesmo com a queda do populismo na Argentina, a conjuntura na América Latina continua preocupante. O ranço anticolonialista e o antiamericanismo latente em todos esses países populistas ilustram um pitoresco processo de dominação. As nações não conseguem deixar de lado toda essa defesa de chavões e slogans nacionalistas, não se convencem, apesar das fartas evidências, de que o inimigo que impede o seu desenvolvimento e perpetua sua pobreza se encontra dentro do Estado e o está usando como extensão de seus quintais para tirar proveitos pessoais e por em pratica projetos escusos.

 

O Brasil não poderia ficar de fora dessa moda: Lula inaugura o populismo contemporâneo a partir de 2003

O Brasil não poderia ficar de fora dessa moda: Lula inaugura o populismo contemporâneo a partir de 2003

 

Enquanto o povo latino-americano não tomar consciência dessa realidade, o chicote dos “novos caudilhos” vai continuar estalando e colocando todas as classes de joelhos: dos operários ao empresariado, dos artistas aos banqueiros. Com exceção das elites politicas mandantes e seus amigos – todos, naturalmente, continuarão em sua posição de subserviência, ano após ano.

Pedro Vitor
Conservador de boa estirpe, palmeirense de coração e mineiro por natureza.

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