O cabelo ruim do Emicida

O cabelo ruim do Emicida

0

Emicida deu piti no Facebook. Reclamou dos “racistas” que chamam seu cabelo de “cabelo ruim”. Disse que o certo não é “ruim”, mas crespo, cabelo crespo!, e ponto final. Comento.

 

O post, antes de mais nada.

O post, antes de mais nada.

 

Uma coisa que o senhor Emicida parece desconhecer, e é bem simples aliás, é que “cabelo ruim” não é uma mera adjetivação negativa de cabelos como o dele, mas um nome que se dá a certos tipos capilares por uma característica específica que possuem, como o “cabelo loiro”, que é loiro por sua cor. No caso, o tal “cabelo ruim” é assim chamado por ser ruim de pentear. Nada mais.

 

Não é mau, não causa câncer, não te faz morrer mais cedo, não dá barato — apesar de possibilitar esconder algo que dá –, é apenas difícil de ser penetrado por um objeto utilizado por outros tipos de cabelo.

 

E há alguma mentira em afirmar isto? Decerto que não. Algum racismo ou preconceito? Via de regra acharei que não, mas aí dependerá da forma com que for colocado, obviamente.

 

Ora, ser inimigo do pente é uma característica, como o é ser vermelho. Características geram apelidos em nós e dão nomes populares a coisas, em processo que foge de nosso domínio – seu cabelo será chamado de ruim, de pentear, mesmo que você diga que não é bem assim.

 

Mas Emicida, pobre rapper canhoto de nome estranho, que curte umas roupas bem transadas e caras, apesar da retórica socialista, não gosta muita que assim chamemos seu “pacote”.

 

(Será que “pacote” é pior que “cabelo ruim”? Enfim.)

 

Talvez o problema esteja em querer que todo cabelo seja “penteável”. Por quê? Quem disse? Eu mesmo não sou lá muito chegado a pente. Sim, meu fuá não é dos melhores, apesar de aceitar pente melhor que o do Emicida. Mas isto não vem ao caso. A questão toda é que nem todo cabelo, ao natural, foi feito para para pente. Assumir isso é o melhor caminho para… parar de quebrar pentes!

 

Não, falando sério.

 

Seu cabelo pode ser ruim para pente, Emicida, mas é bom para diversos looks que não demandam esse maldito objeto. O famoso “black power” (claro!), que foi moda nos Anos 70, por exemplo. Imagine como os brancos sofriam para montar os seus. Taca-lhe brilhantina e gel… E mesmo assim não era a mesma coisa.

 

Chamá-lo de crespo pode parecer algo melhor, mas não é. O que denota o adjetivo “crespo”, afinal? Algo de superfície desigual, com altos e baixos, ou algo obscuro, difícil de entender.

 

Eu diria que Emicida é um sujeito meio encrespado, mas preferiria chamar seu cabelo de ruim, mesmo, para pentear. Seriam ambas afirmações verídicas.

 

P.S.: Dito este monte de asneiras, confesso que chamo cada cabelo de cabelo apenas, sem adjetivações especiais. “Viu aquele cabelo? Muito bonito.” “Viu aquele outro? Bem estranho.” Já me é suficiente.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.