O amor conservador pelos gays do movimento new wave

O amor conservador pelos gays do movimento new wave

0

Camarada se irritou no meu facebook por eu ter comparado Pablo Vittar com Boy George (do Culture Club). Esta foi a postagem:

 

“Seu amor me pegou”… ah vá! A música do Pablo não é tão ruim assim. Boy George também não era um primor de artista e nem por isso não deixamos de dançar Karma Cameleon ou se apaixonar ao som de Mistake Number Tree.

 

Nos anos 80 os principais meios de debates sobre moralidade do país (no caso os EUA) faziam críticas muito parecidas com as que fazemos hoje a estas novidades musicais. Nós temos a impressão de que o lixo estrangeiro é superior ao nosso próprio lixo cultural. Isso só prova a mentalidade caipira do brasileiro. Proporcionalmente, bandas como Visage, Culture Club, Dead Or Alive, Modern Talking, Erasure etc eram piegas, afeminados. Musicas como Respect do Erasure era tema do movimento gay americano na época. Sempre vai ser assim: tudo aquilo que deu origem a mentalidade gay na musica, se for estrangeiro é avançado e mais belo. Mesmo o ABBA possuía em suas letras uma conotação sexual. Talvez a plastica ritmica fosse mais refinada, mas a Disco Music não difere do que foi o Woodstock. A degradação musical foi piorando no decorrer das décadas, mas nós achamos o ruim antigo melhor que o ruim de hoje e isso é só uma questão de grau. Há bandas oitentistas que gosto muito, mas eu não vejo diferença entre aquela putaria do Freddie Mercury e esta indecência do Vittar, embora Mercury tivesse excelente voz e musicalidade mais clássica; nos anos 80 estas bandas recebiam duríssimas críticas dos conservadores.

 

Freddie Mercury: a extravagância dos anos 80


 

No início dos anos 80, por exemplo havia o movimento musical inglês chamado “new romantic”, que deu início com a nova onda (new wave) de bandas como Duran Duran, Spandau Ballet e Japan, por exemplo.

 

Muito glítter, batom, pó e olhos pintados, roupas femininas e danças tresloucadas, o público composto de homossexuais e lésbicas que possuiam para a época um visual futurista e escandaloso. Não era incomum ver meninos irem à escola com gel e maquiagem, sendo escurraçados pelos amigos.

 

Esse movimento, baseado no estilo Bowie, Gay Numan e Bryan Ferry, possuíam um modo avant gard de transmitir suas idéias de vício e prazer mas nem por isso deixam de diferir esteticamente e ideologicamente daquilo que hoje atribuímos a músicos como Vittar, Pitty ou Restart. E é assim, no exterior é mais hi tech e belo quando uma banda, ainda com os melhores músicos (em comparação com outras bandas mais respeitáveis) fazia apologia a vida homossexual como Pet Shop Boys e George Michael. Se você ler artigos e críticas culturais feitas por direitistas conservadores cristãos, verão que eram muito mais radicais que qualquer opinião que tenhamos hoje sobre Anitta e Pablo Vittar.

 

Perdeu-se a capacidade de fazer análises proporcionais entre uma época e outra, mas nossos conservadores descobrirão que são saudosistas musicais do progressismo oitentista.

Aijalom Wagner
Nascido em Santos, 35 anos. Psicanalista clínico, coordenador do projeto DOE ( Despertar, Orientação e Esperança). Pensador e mentor espiritual. Escreve há 20 anos sobre temas relacionados ao comportamento humano, filosofia, teologia, metafísica, política e sociedade.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.