O alerta anti-teocracia!

O alerta anti-teocracia!

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Não à toa, sempre que um religioso parece manifestar o mais risível movimento ou o som de sua voz começa a ser ouvido, mesmo que nas últimas cadeiras de um parlamento das comissões mais insignificantes, automaticamente vemos, no dia seguinte, o alerta vermelho contra o estado teocrático nos jornais.

 

Interessante notar que esses alarmes nunca se tornaram realidade. Se um religioso, como no caso do Feliciano, assume a presidência de uma comissão? Teocracia! Se um religioso é contra um projeto de lei qualquer? Teocracia! Por acaso uma pessoa que crê em Deus não tem direito a voto?

 

Dizer que um religioso não pode opinar sobre uma lei não é baseado no Estado laico, mas sim na falácia do “apelo ao preconceito”, como se o argumento da pessoa fosse inválido pelo fato de essa pessoa crer na existência de uma causa pro universo.

 

Subliminarmente, vemos na cultura brasileira (e de todo o Ocidente) um boicote ao pensamento teológico-filosófico (em especial o cristão) de forma a atingir indiretamente tudo o que se entende por “moralidade conservadora”. Como os padrões morais no ocidente foram estabelecidos historicamente pela filosofia moral cristã, atacar um é atacar automaticamente o outro. Entretanto, é irônico e deprimente que esse tenha sido o rumo que a cultura tomou. Esse posicionamento que subestima a filosofia cristã na verdade é um sintoma da patologia cultural deixada de herança pelo século XX.

 

Influência histórica

 

A maior parte das pessoas não sabe que o próprio modelo de universidade foi desenvolvido pela Igreja Católica. A Universidade de Oxford, por exemplo, foi construída por católicos. A Igreja católica ajudou a desenvolver o próprio método científico; desenvolveu a arqueologia e métodos de análise histórica (justamente para estudar os documentos a respeito de Cristo e dos primeiros cristãos, os evangelhos, talmudes etc). A Igreja Católica desenvolveu a arquitetura (olhemos as catedrais, cúpulas, arte gótica, bizantina). No campo da filosofia, os expoentes S. Tomás de Aquino e S. Agostinho. Na medicina, inúmeras contribuições, como os hospitais comunitários.

 

Do lado protestante, o próprio Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, defendeu a igualdade de educação para homens e mulheres (justamente para que todos os cidadãos sem exceção pudessem ter pleno conhecimento da Bíblia). Martinho Lutero ajudou a consolidar a própria gramática da língua alemã (justamente para traduzir a Bíblia para o povo). Lutero incentivou o modelo de educação com apoio do Estado que viria a ser o que conhecemos hoje por educação pública. Será que os cristãos não possuem nenhuma capacidade de opinar sobre a sociedade que ajudaram a construir?! Que traição do destino! Hoje, começando pelo ambiente acadêmico, todo pensamento que tenha um viés teológico é subestimado como semi-intelectual.

 

Universidades católicas e protestantes estão entre as principais instituições de ensino superior no país.

Universidades católicas e protestantes estão entre as principais instituições de ensino superior no país.

 

Voltemos ao famoso Estado Laico

 

Estado teocrático ou teocracia é um estado onde há uma única religião oficial, como o Vaticano ou o Irã. O estado laico (diferente do estado ateu, que reprime todas as manifestações religiosas) apenas é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Repetindo: o estado laico não pode privilegiar… mas também não pode se opor!

 

Esse alerta “anti-teocracia” é um belo dramalhão mexicano, isso sim. Os EUA, um dos países mais protestantes do mundo, tem a sua Constituição promulgada sob a proteção de Deus (assim como a Constituição Brasileira também é), mas jamais foi uma teocracia, sendo, ao invés disso, o país mais democrático do mundo! Percebemos que a maior parte das pessoas que aderem ao “bonde do senso comum” desse alerta anti-teocracia, na verdade não fazem a mínima ideia do que estão dizendo. Provavelmente, estão apenas manifestando suas aversões pessoais à própria religião cristã, tão massacrada na mídia, nas escolas e nas universidades – apesar de ainda ser a religião da maioria dos brasileiros.

 

A situação sob um ponto de vista psicanalítico

 

Se olharmos todo o ocidente, perceberemos uma grande mudança cultural em desenvolvimento. Estamos na mesma correnteza do processo de revolução cultural que começou no século XX.

 

Essa luta anti-cristã reflete de certa forma a reação do que o psicanalista Charles Melman definiu como a “nova economia psíquica”, a busca pelo prazer sem limites, o hedonismo. Essa nova economia é aquela onde o mercado consumidor é formado por uma nova geração de jovens frenéticos por prazeres rápidos e que não tragam compromisso, responsabilidade ou nenhum tipo de culpa. Estamos vendo na verdade uma tentativa que já foi subversiva, mas hoje é descarada, de se alterarem os valores morais da sociedade apenas pra satisfação de caprichos.

 

No livro “O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço”, Charles Melman, psicanalista francês, considerado um dos herdeiros de Freud na França, dá o panorama das mudanças culturais:

 

“Passamos de uma cultura fundada no recalque dos desejos e, portanto, cultura da neurose, a uma outra que recomenda a livre expressão e promove a perversão”.

 

Melman cita explicitamente algumas consequências dessa “nova economia psíquica”, inclusive a necessidade desse caos atual evoluir para um despostismo voluntário. E é exatamente o que vemos hoje nos jornais justamente nessas manifestações contra as opiniões diversas. Melman diz:

 

“Tornou-se extremamente difícil fazer valer uma posição que não seja correta, ou seja, uma posição que não vá no sentido dessa filosofia implícita que quer que qualquer pessoa, seja qual for seu sexo, sua idade, possa ver seus votos cumpridos, realizados nesse mundo. Toda reflexão que busque discutir esse implícito é, à priori, barrada, interdita.”

 

É a ditadura dos desejos.

 

Charles Melman.

Charles Melman.

 

Essa ditadura está mudando a própria função do direito, pervertendo os rumos dos processos legislativos. Ele continua:

 

“(…) o direito atual estipula que qualquer reivindicação é legítima e deve ser satisfeita, senão há injustiça e dolo. Não é mais aceitável que alguém fique sem realizar sua satisfação, deve ser levado remédio e a justiça terá esse encargo. O direito me parece, então, evoluir para o que seria agora, a mesmo título que a medicina dita de conforto, um “direito de conforto”.(…) para o direito, ser capaz de corrigir todas as insatisfações que podem encontrar expressão no nosso meio social. Aquele que é suscetível de experimentar uma insatisfação se vê ao mesmo tempo identificado com uma vítima, já que vai socialmente sofrer do que está se tornando um prejuízo que o direito deveria – ou já teria devido – ser capaz de reparar.”

 

O direito, que antes tinha a função de proteger a razão, tem sido encurralado por essa nova geração que acha que o Estado e o Direito tem a responsabilidade de satisfazer-lhes. Em outras palavras, o Direito está se tornando uma babá.

 

E é por isso que a religião incomoda tanto, pois ela é exatamente a força moral que prega uma educação fora dos padrões do hedonismo da nova economia psíquica. Essa geração é totalmente corrompida intelectualmente, doutrinada por uma linguagem propositalmente incoerente com o cristianismo, de forma que seus conceitos não possam ser compreendidos.

 

O antropólogo Pierre Legendré, apontado como um dos precursores dos estudos interdisciplinares entre Direito e Psicanálise , expressou de forma contundente, conforme Elizabeth Roudinesco (psicanalista) no livro “A família em desordem”, p.194:

 

“Legendré vê nas instituições judaico-cristãs montagens simbólicas que permitem aos homens lutar contra as devastações do gozo ilimitado, do indivíduo ‘sem tabu’ e da criança-rei.”

 

Segundo o próprio Legendré, o estado democrático é herdeiro dessas instituições. O direito, que foi fundado no princípio genealógico está “abrindo espaço para uma lógica hedonista” (L’inestimable objet de la transmission: Étude sur le Principes Généalogiques on Occident, Pari: Fayar, 1985), e que isso será fatal para o mesmo.

 

Existem muitas falácias a respeito dessa revolução cultural, que deslumbra e orgulha tanto a geração que aí está. Dizer que algo é bom só porque é novo (no caso, considerar a moralidade cristã como antiga, ultrapassada) na verdade é o que conhecemos por “falácia do apelo à novidade”. É apenas um embuste. Na verdade, vários pontos da moral cristã já são uma evolução histórica da sociedade humana como um todo, que ajudaram a construir o mundo ocidental, mesmo com todas as dificuldades. Em contrapartida, muitos dos falsos avanços da cultura moderna são na verdade retrocessos morais. A mais grotesca delas é a desvalorização da família. Coisas que foram avanços para o crescimento das nações hoje são descartados como “atrasos”.

 

Sobre essas mudanças culturais, a própria Elizabeth Roudinesco continua:

 

“Nessa perspectiva, o pai e a mãe são as imagens fundadoras da sociedade – e portanto da família – instituídas pelo direito (…).”

 

Além dela, vemos a psicanalista francesa Monette Vacquin (“Main basses sur les vivants”, Ed. Faraday, 1999) concluindo:

 

“Quando o casamento se torna uma discriminação legal contra cidadãos fundamentada na sua orientação sexual (homossexuais), começamos a ter medo. (…) Também devem desaparecer as palavras “homem” e “mulher”? Devemos deixar de levar em consideração o sexo no direito, senão para aboli-lo, ao menos para ‘persegui-lo’ em nome da ‘igualdade’, acreditando que a linguagem usada é testemunha de antigos furores? A nossa geração continua superando os limites, ou destruindo tudo o que os encarna, em vez de transmiti-los com sua parte de insondabilidade.”

 

Não precisamos ignorar nossa história

 

O erro da nossa geração é ignorar totalmente aquilo que ajudou a construir a sociedade: seus valores culturalmente religiosos; a construção dialética deles com o direito e com a filosofia; o desenvolvimento da ética laica, inspirada na própria ética cristã. Isso pode causar danos a sociedade. Toda sociedade culturalmente suscetível é dominada por outra culturalmente estabilizada.

 

Destruir o cristianismo é destruir uma das bases do ocidente. Calar a religião é como arrancar as pernas que sustentam a sociedade em que vivemos hoje.

 

Poucas pessoas sabem, além disso, (olhem a ironia) que o cristianismo é a base para os Direitos Humanos! Como podem as pessoas que são contra qualquer manifestação religiosa em âmbito político acharem que um cristão não pode opinar sobre uma questão de Direitos Humanos, se o cristianismo é a mais forte influência pro desenvolvimento dele?

 

Acontece que, na nova economia psíquica, obedecer aos próprios desejos está se transformando numa necessidade básica do ser humano. É uma perversão coletiva. Satisfazer fetiches se tornou mais importante do que a fidelidade conjugal. E se o parceiro acha ruim, o errado é ele, que é “retrógrado” e “ciumento”.

 

Esse imperativo cultural faz com que tudo o que atrapalhe o hedonismo tenha que ser afastado, calado. Tudo o que representa prazer fácil deve ser protegido pelo estado. Estamos vendo a dogmatização do hedonismo.

 

A campanha pró-aborto serve como um bom termômetro pra percebermos essa perversão do Direito. Os pretensos “direitos da mulheres” são colocados acima de qualquer reflexão. Em contrapartida, enquanto as mulheres ganham o direito de retalhar os fetos gerados (na maior parte das vezes) de suas aventuras de fim de semana, a mesma moral que a exalta, retira dela qualquer responsabilidade de suas ações. As mulheres transformam-se em crianças que não tem responsabilidade com seus próprios corpos, sendo indenizadas quando suas brincadeiras dão errado.

 

Mas isso não é mau. Retalhar, envenenar fetos não é moralmente um crime (legalmente ainda é, exceto em dois casos). Mau mesmo é o padrão moral do cristianismo, que prega o casamento e a fidelidade. Como o cristianismo é malvadinho! (Percebe como o cristianismo não concorda com o hedonismo?)

 

O aborto é o grande símbolo dessa liberação sexual hedonista. A legalização do aborto é a legalização do prazer fácil, eximido de qualquer responsabilidade ou culpa.

 

Em poucas palavras, essas pessoas não vão querer os cristãos opinando pra não terem que abandonar seus egoísmos, pois não há egoísmo maior que praticar aborto de forma deliberada porque se transou com um desconhecido numa balada. Esses militantes pró-aborto não querem ouvir que liberdade vem sempre acompanhada da responsabilidade. Relativo a esse quesito, o direito humano mais fundamental é o direito à vida. A vida deve ser protegida pelo Estado, obrigatoriamente. As condições para o desenvolvimento da vida devem ser garantidos pelo Estado e não as condições para a interrupção da vida!

 

E se vivemos num país democrático, os cristãos, não só podem, mas devem ter sua voz respeitada e ouvida sim. Assim como o ateu também tem que ter sua voz respeitada e ouvida. É isso que defende o jurista Ives Gandra:

 

“Se a maioria do Brasil é favorável a que não haja o aborto, não pode-se dizer que aqueles que não acreditam em Deus são aqueles que tem o direito de votar numa sociedade democrática sob a alegação “quem acredita em Deus não pode viver numa sociedade democrática e ela tem que ser dirigida exclusivamente por quem não acredita em Deus, por ateus e agnósticos”. Ora, o estado democrático é aquele em que os que acreditam em Deus e os que não acreditam em Deus tem o mesmo direito. E tendo o mesmo direito de votar, se a maioria declara que é contra o aborto, na verdade essa maioria tem que prevalecer.”

 

Dar voz às igrejas não é dar margem a um estado teocrático. Pelo contrário! Isso é exatamente necessário pra que haja democracia legítima. As igrejas representam sim uma parte da população brasileira que tem o mesmo valor que o brasileiro que não acredita em Deus. O valor de voto individual é o mesmo. Isso é democracia e não teocracia! A sociedade brasileira foi construída pelo cristianismo e a maioria da população é sim, confessadamente cristã. Essa é a realidade.

 

Expressão religiosa também é um direito humano

 

O que podemos perceber no Brasil hoje é uma verdadeira anarquia semântica: qualquer um dá o significado que quer pra qualquer palavra, sem se preocupar com o significado do que realmente está dizendo. E as massas despreparadas absorvem esses discursos como verdades, quando não passam de sofismas.

 

Qualquer manifestação cristã é taxada de teocracia. Qualquer opinião que desagrade o movimento homossexual é taxada de homofobia. Essa anarquia semântica é o instrumento claro de uma chantagem violenta que busca intimidar qualquer lampejo de pensamento divergente (e isso sim é autoritarismo). É na verdade um ataque institucional, onde os Direitos Humanos dos Cristãos estão sendo ameaçados.

 

A maior parte das pessoas que se manifesta contra a religiosidade brasileira se escondendo por trás do estado laico, mas isso é um ato de ignorância (conforme explicado acima). Duvido sequer que eles tenham tido a curiosidade de ler a Declaração dos Direitos Humanos pelo menos uma única vez. Vejamos o que ela diz a respeito da liberdade religiosa.

 

A Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pelos 58 estados membros conjunto das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, no Palais de Chaillot em Paris, (França), definia a liberdade de religião e de opinião no seu artigo 18:

 

“Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.”

 

Ou seja, proibir os cristãos de opinarem baseados em suas crenças é uma clara afronta aos Direitos Humanos dos cristãos!

 

Vejamos agora o ponto da Constituição Federal que dá aos cristãos todo o direito de votarem em suas emendas baseados em suas convicções.

 

“Art. 5º , VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

 

Então por que querem criar uma classe de pessoas que não tem legitimidade de exercer mandato ou direito de voto por serem religiosos? Isso sim é ferir a democracia. Isso sim é destruir o estado laico. Esses dramáticos do “alerta anti-teocracia” estão pregando o verdadeiro fim do estado laico e a discriminação religiosa.

 

Grupos ateus tem o mesmo poder de contestação que foi dado à CNBB e outras instituições e nem por isso os jornais fizeram um “alerta anti-estado ateu”. Por que? Não é no mínimo estranho?

 

O direito não pode, em hipótese nenhuma, se deixar vencer pela linguagem dos sofistas, que tem o único objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, aparentemente lógica, mas que não é. No caso, a intenção desses desonestos “intelectuais anti-teocracia” é simplesmente assustar as pessoas.

 

Possíveis causas no Brasil

 

No Brasil não existe debate de ideias, mas sim uma imposição implícita de filosofias baseadas na luta de classes, de raças e de gênero. Marxismo, infelizmente, tudo marxismo. Fumantes contra não fumantes, negros contra brancos, ateus contra religiosos. Marxismo aplicado ao absurdo, onde a luta de classes entra dentro das casas com leis que dão às crianças o poder de colocar os pais na cadeia (Lei da Palmada). Todo tipo de luta e diferenciação exaltadas para dividir a sociedade. E a máxima “dividir para conquistar” de Sun Tzu, por mais banal que pareça, é a mais realista descrição da tática marxista. Todos lutando contra todos. E acreditem: nessa briga, todos saem perdendo, pois a sociedade brasileira está cada vez mais fragmentada.

 

O socialismo necessita da derrubada do cristianismo porque o cristianismo sempre foi seu opositor no Ocidente. Lembremos do apoio que a Igreja Católica deu aos militares para o contragolpe de 64. Percebamos que os mesmos que queriam transformar o Brasil em um país comunista estão hoje no poder. São veteranos dos movimentos revolucionários que nunca tiveram muita simpatia pelo cristianismo. Eles desistiram de seus intentos revolucionários e sua patológica admiração pelo totalitarismo demagógico? Bom, ainda ama Cuba e alguns chegam ao cúmulo de elogiar ditaduras como a norte-coreana ou mesmo o Maoísmo. Os partidos esquerdistas partilham de uma mesma visão arreligiosa. Isso está na própria ideologia marxista. Diversas teorias apontam apenas para uma mudança de métodos: das armas para a pressão cultural, que encurrala a intelectualidade de todos os indivíduos. A coalizão dos marxistas espalhados em todas as áreas em busca da hegemonia cultural. Intelectuais coletivos e intelectuais orgânicos.

 

O que você acha, essa dominância do pensamento “vermelho” na política e outras áreas ligadas (jornalismo, história), não é uma boa causa para essa inversão de paradigmas culturais?

 

Charge de Carlos Latuff que circulou na internet semana passada, em função da decisão da Comissão de Constituição e Justiça que deu a instituições religiosas representadas nacionalmente o direito de propor ações de constitucionalidade e inconstitucionalidade no STF.

Charge de Carlos Latuff que circulou na internet semana passada, em função da decisão da Comissão de Constituição e Justiça que deu a instituições religiosas representadas nacionalmente o direito de propor ações de constitucionalidade e inconstitucionalidade no STF.

 

Mais do que um acidente semântico de seus locutores incultos, esse discurso de “alerta anti-teocracia” na verdade é uma forma de superação do senso comum – conforme bem doutrinou o comunista Antonio Gramsci para o estabelecimento da revolução passiva. A mudança de paradigma: querem enfiar a religião pra baixo do tapete, como uma semi-intelectualidade. Como se ela não fosse equiparada a outros pensamentos filosóficos, numa descarada fraude intelectual. E pra isso, vale tudo, até proibir as pessoas de pensarem.

 

O que estamos vendo hoje é muito grave, caros leitores. Estamos assistindo à tentativa de assassinato da racionalidade. A sociedade está sendo privada, metódica e gradativamente, do seu próprio direito à racionalidade e à religião. E aqueles que ousam raciocinar estão sendo cinicamente criminalizados.

 

Fontes:

 

    - Ives Gandra: http://www.youtube.com/watch?v=jRZcVyM1TnA;

 

    - Melman, Charles. “O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço”. Editora Companhia de Freud, 2008. pág. 15, 38 e 106;

 

    - Monette Vacquin no artigo “Não a um mundo sem sexos”.

Antônio Vitor Barreto
Antônio Vitor cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Cristão por convicção e direitista por consequência.

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  • Misael Bandeira Silveira

    Argumentação perfeita.
    Penso que quando julgam valores morais como retrógrados, por terem uma tradição antiga, o ideal seria contra-argumentar por despojar todo o conhecimento, tecnologia e ciência desenvolvida.
    Se analisarmos, todos os avanços científicos que temos disponíveis no século atual, são frutos de conhecimentos e ciência desenvolvida através de vários séculos passados.
    A escrita, por exemplo, vem dos primórdios, da humanidade. E será que deveríamos abandoná-la por ser algo tão velho num universo de tantas coisas novas? =D

    • Vitor Barreto

      Amigo, se me permite, vou guardar esse seu argumento pros momentos de necessidade. :) E obrigado pelo comentário.

  • Jader Santos Correia

    Teocracia ? os EUA é i país do mundo com o maior número de cristãos evangélicos do mundo e é a maior democracia da terra ,me mostre um país do mundo de cultura cristã que é uma ditadura ou teocracia ? agora quem quer estabelecer uma ditadura comunista aqui é os partidos de esquerda comunista ,lutar contra as drogas é teocracia ?

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Jader, sua opinião está plenamente de acordo com a do autor do texto.