Nove considerações sobre o debate entre Aécio Neves e Lindbergh Farias no Senado

Nove considerações sobre o debate entre Aécio Neves e Lindbergh Farias no Senado

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O famoso Marco Civil da Internet, para minha infelicidade, foi aprovado na Câmara dos Deputados e rumou para o Senado. Lá, ao que parece, deveria ser ainda mais debatido e, se fosse o caso, melhorado pelos nossos senadores. Não será. Nesta terça-feira, 22/04/2014, foi aprovado na Casa um requerimento que garantiu uma inversão de pauta para que o projeto fosse votado no mesmo dia. Feito isso, conforme o interesse do Executivo, o Marco foi aprovado e rumou para sansão presidencial.

 

Antes da votação do requerimento, porém, um forte embate entre senadores de oposição e situação marcou o dia e foi ainda mais comentado do que a própria manobra para aprovar rapidamente o Marco no Senado.

 

O senador tucano Aécio Neves, pré-candidato à presidência, defendia mais tempo para debater o assunto na Casa, citando exemplos de outros projetos onde isso aconteceu de forma bem sucedida, enquanto o petista Lindbergh Farias o acusou de tentar atrasar um desejo da sociedade brasileira (sic), o que considera um “tiro no pé”. O tempo fechou, veja:

 

Link Youtube | Aécio Neves e Lindbergh Farias trocam farpas, com uma intromissão de Mário Couto de bônus.

 

Sem falar exatamente do tema “Marco Civil da Internet”, como não falaram muito os senadores, falemos do debate em si, o que representa e alguns detalhes nos discursos:

 

1) Antes de qualquer comentário, é importantíssimo frisar que embates como esse fazem falta em nossa política. Acalorados, exaltados… Porquê não? Ali são tratadas questões cruciais ao país, que terão reflexo por anos, assistir os políticos as tratarem como se fossem múmias paralíticas incomoda. Este calor que apresentaram Aécio e Lindbergh é o que devemos esperar pelo menos nos temas mais importantes, considerando a premissa de que a discordância é combustível na democracia.

 

2) É uma lástima ter um senador do Rio de Janeiro que não se identifique com o estado. E não é o fato de ser natural daqui ou não, visualize: “Com a palavra o ilustre senador do Rio de Janeiro”, e então se levanta um cara com sotaque nordestino. Não dá pra deixar passar.

 

3) Em sua fala, o senador Lindbergh diz que o Brasil quer e pode pautar uma agenda mundial sobre a internet. Alguém acredita nessa possibilidade? Fora o fato de ser desnecessário, é irreal e somente o desejo de fazer isso revela como aqui ainda existe um pensamento de grandeza que não condiz com a realidade – para o nosso azar. Como quando o Governo se ofendeu com as espionagens dos americanos e prometeu fazer algo a respeito.

 

4) Se Aécio vai pouco mesmo ao Senado, como acusou Lindbergh, não sei. Mas é certo que ultimamente, neste ano em especial, Aécio não só tem ido ao Senado, como tem marcado forte presença em debates importantes. Este com Lindbergh e os anteriores imbróglios com Gleise Hoffman (que por trás de um rostinho meigo esconde uma fera), sobre a Petrobras, provam isso. O processo eleitoral que impulsiona e tem dado visibilidade ao tucano têm feito muito bem ao país, pois temos visto maiores debates e enfrentamentos. Ainda é pouco, porém é possível notar e entender como é importante para a democracia o interesse pela renovação no poder.

 

5) Interessante notar que antes de ser interrompido por Mário Couto (PSDB-PA), Lindbergh defendeu-se, ou tentou se defender, de uma falta de autoridade política apontado por Aécio, mas ignorou a acusação de falta de autoridade moral. O tucano, certamente, como comentou depois, referiu-se ao fato do petista ser o campeão do Senado em processos no STF, em disputa acirradíssima. Realmente, era difícil defender-se.

 

6) Lindbergh diz que o Marco Civil recebeu forte apoio da juventude brasileira, e a prova é que foi assinado por 350 mil pessoas. Temos 201 milhões de pessoas no país, mas, nossa mãe, 350 mil! A título de exemplo: o abaixo-assinado pela saída de Renan Calheiros da presidência do Senado teve mais de um milhão de assinaturas e nada. Não que concorde com uma coisa ou outra, mas é importante comentar como assinaturas e quaisquer outros dados numéricos são usados a bel prazer, sendo suas reais proporcionalidades ignoradas.

 

7) O grande pesar, nos dez minutos de vídeo, fica por mais uma vez perceber que no embate entre situação e oposição, uma real postura de direita – que seria então uma oposição ideológica direta ao atual governo, de esquerda – nos falta. Apesar do “tiroteio”, ambos concordam com o Marco Civil. Os dois mais importantes partidos do país concordam que a Internet, que não faz mal a ninguém, tadinha, pelo contrário, só nos tem ajudado, precisa de regulamentação governamental para funcionar. Ela funciona bem até hoje por mera sorte, presumo. Enfim, cada um que fique no seu lado nesse debate, mas Aécio e Lindbergh estão no mesmo, divergindo apenas sobre quem sabe regular melhor. Isso não há de ser bom. Cadê o pessoal que é anti-regulação? Os chamados “liberais”? Faltaram nas últimas muitas eleições.

 

8) Em suma: Nesse debate curto, Aécio varreu Lindberg para debaixo do tapete. E isso sem as condescendências que marcam nossa política, o tucano foi direto e reto. Good!

 

9) E, por fim, friso a participação do senador Mário Couto, que outro dia tentou aprovar um impeachment contra a presidente Dilma. Ele é um “22″ de marca maior. Poderia ser eleito com folga como o mais exaltado da casa. Mas… Talvez precisemos de outros malucos como ele.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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