Notas sobre a final da Copa

Notas sobre a final da Copa

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Há muito não acompanhava futebol, desde 2000, pelo menos, o MMA era mais interessante para mim. Mas com a popularização deste novo esporte, a tomada do posto de número um pelos americanos (antes era do Brasil) e uma certa mecanização da forma de lutar em alto nível, tenho flertado novamente com o futebol.

 

O Campeonato Brasileiro não contribui muito para este flerte e as grandes ligas estrangeiras… bom, não fazem meu tipo. Sigo com o MMA em primeiro lugar, mas diante de uma Copa, para-se tudo para assistir. Eu parei, e valeu a pena. O grande futebol jogado aqui no Brasil, que não inspirou nossa seleção, infelizmente, fez Dilma acertar sem querer, só que com um adendo meu: foi uma das Copa das Copas.

 

Não sejamos nós, jovens, sem pleno conhecimento de tudo que já ocorreu na história futebolística, a dizer que esta foi a melhor entre todas as 20 disputadas. A de 70, por exemplo, onde o Brasil jogou por música, há de ter sido incrível. Sob minha vista, lembro-me que ainda que a de 94 não tenha sido uma grande Copa tecnicamente, foi em emoção. Aquele Brasil e EUA nas oitavas é inesquecível. A de 98, que detinha um recorde igualado nesta — total de gols marcados, 171 –, foi também muita boa. França e Paraguai, também pelas oitavas, marcou época. Assim como tantos outros jogos nessa Copa de 2014, frescos na memória. Copa que merecidamente coroou um grande time, que marcará época.

 

O time alemão cravou recordes: a goleada sobre o Brasil na semi foi a maior derrota da seleção canarinho em 100 anos de história, e não é em toda Copa que vemos um 7 a 1, principalmente numa semifinal, em cima do anfitrião que por um acaso era pentacampeão do mundo; Klose ultrapassou Ronaldo como maior marcador em todas as Copas, com 16 gols, contra o Brasil, sob os comentários do próprio Ronaldo para a Globo; Götze tornou-se o primeiro jogador a sair do banco para decidir uma final.

 

Realmente uma competição marcante, coroada pelo jogo decisivo. Seguem algumas notas sobre a final, a Copa em si e sobre a campeã da vez, Alemanha:

 

1.

 

Torci para a Alemanha porque ela nos fez dois grandes favores: o primeiro foi expor como taticamente somos fracos sob o comando do Felipão; o segundo foi ter nos livrado de uma derrota eminente e histórica para a Argentina em casa, em novo Maracanazo.

 

Nos recuperaremos mais rapidamente do 7 x1 na semifinal, imposto pelos simpáticos alemães, apesar de ser nosso pior resultado na história das copas, do que nos recuperaríamos de uma derrota que fosse por 1 a 0 para a Argentina na final. No maraca.

 

2.

 

Vice em 2002; terceira colocação em 2006 e 2010; campeão em 2014.

 

Era até previsível. Por conta do auge do futebol “tic-tac”, o mundo voltou seus olhos para a Espanha nos últimos oito anos – natural, não é qualquer time que ganha duas Euros e uma Copa. Mas esqueceram de olhar para Alemanha, o melhor país no futebol nos últimos trinta anos.

 

Desde 86 foram 7 copas e a Alemanha esteve entre as três melhores em cinco delas. Incrível! Se Itália já era tetra, a Alemanha haveria de ser.

 

3.

 

Angela Merkel mereceu ver seu país campeão. Politicamente, não haveria país mais merecedor do título.

 

Merkel em "sua" seleção.

Merkel em “sua” seleção.

 

4.

 

A partir dos 30 minutos do primeiro tempo a Argentina foi guerreira e só. Messi sumiu de tal forma, que poderíamos acreditar que não voltou para o segundo tempo.

 

5.

 

Muito mais que Messi, Mascherano merecia ter sido campeão. É um jogador que simboliza o espírito de luta argentino, fator que levou a equipe até esta final. Merecia também ser o capitão do time, pois ele sim exerceu importante liderança perante o grupo ao logo da competição. Com lesão no ânus e tudo.

 

6.

 

Mario Götze, autor do gol do título e conhecido na Alemanha como “Götzinho”, pela semelhança de seu estilo de jogar com o futebol brasileiro, é a cara do Brolin, atacante sueco de meados de 90 e que emprestou seu nome ao meu botão – galalite – mais bonito, à época em que jogava.

 

7.

 

Terceiro lugar nas últimas duas copas, o elenco alemão foi motivado pelo técnico Joachim Löw com o discurso — relatado pelo próprio na coletiva após a partida — de que deveriam fazer mais do que já haviam feito, para alcançarem aquilo que não haviam ainda alcançado. Deu certo. Os jogadores entenderam a mensagem e deram o sangue para serem campeões do mundo. No caso de Schweinsteiger literalmente.

 

Tivesse a mesma mensagem sido transmitida aos jogadores brasileiros, o efeito seria reverso. Capaz de entenderem que era uma crítica, que em campanhas anteriores não deram seu máximo e por isso perderam, e que naquela ocasião deveriam dar. A resposta às palavras do técnico viriam, talvez, em choro; e o sentimento de inconformação reinaria no lugar do de superação.

 

8.

 

A dona FIFA enrolou-se novamente: Messi não está nem na minha seleção de melhores da Copa, quanto mais apto a receber a Bola de Ouro da competição.

 

9.

 

Venceu o país que tinha o melhor Papa vivo.

 

Que venha 2018, e que o espetáculo dentro de campo siga em alto nível. Não sei se no curso deste quatro anos acompanharei futebol, mas certamente a Copa verei novamente.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Victor fortunato

    Fui de argentina…queria que a copa ficasse no continente. Não tenho essa rivalidade boba. Agora o placar está 11×9 para a Europa

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Não tem essa rivalidade boba, tem outra, contra os europeus.

  • André Luís Marçal Júnior

    Campeão com todos méritos! Argentina disputou a copa mais com raça que com a técnica. Faltou o Tevez nessa seleção. Talvez se ele recebesse o presente que o Higuain recebeu no primeiro tempo colocaria para dentro e a história podia ser outra. Mas mesmo assim, acho que a Alemanha merecia pelo trabalho que já tinha feito nos últimos anos.

    Obs.: Tb concordo, Messi não foi melhor da copa, esteve longe da melhor forma, mas ainda é pra mím o melhor do mundo.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Mas tomara que não ganhe a próxima Bola de Ouro, que vença o Schweinsteiger, por exemplo, que fez uma Copa linda.