Notas sinceras de um pai de verdade

Notas sinceras de um pai de verdade

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Serei pai pela terceira vez em Janeiro. Alice, quatro anos. Logan, dois. Aurora, zero. Se tem um assunto que posso discorrer com propriedade é paternidade (ideólogos de gênero, que tentam emplacar o termo “parentalidade” na tentativa de reformar a linguagem e suplantar as figuras materna e paterna – querem tudo neutro em prol do gênero único -, se contorcem nesse exato momento).

 

1. Uma das preocupações que tenho com a chegada do terceiro filho é a possibilidade de motim, no futuro. Agora eles serão maioria, o quê ou quem poderá impedi-los de depor eu e minha esposa de nossa autoridade soberana dentro do lar? Farão o que quiserem? Por sorte não sou nenhum esquerdista com crise de consciência e frearei o motim antes que exista, com boas doses de palmadas. Nesse caso específico, a maioria terá que se sujeitar à minoria.

 

2. Aliás, sobre palmadas, veja se não é estranho: O mesmo sujeito que me diz que não devo ter tido filhos (quando incentiva o aborto sem restrição alguma senão a própria conveniência dos pais), diz-me que eu não deveria corrigir meus filhos, estes mesmos que sequer deveriam existir, com punições físicas, nem que seja o tradicional tapa no bumbum (Lei da Palmada). Idiota é quem os ouve.

 

3. O bom de ter quase uma penca de filhos é o aumento da probabilidade de não envelhecer num asilo. Com apenas um herdeiro o risco é muito grande. Com mais de um, a coisa já melhora e com três, como é o meu caso no momento, fica realmente muito difícil que nenhum deles tenha piedade em seu coração.

 

4. Um dos piores deveres dos pais é a necessidade de limpar bundas. Ainda que pequenas bundas. É sempre um choque para mim, quando verifico a fralda e vejo o estrago que podem causar. Almas tão puras, seres tão pequenos, envoltos por ingenuidade contagiante dão uma pausa no encanto que exercem sobre nós quando seus pequenos corpos expelem aquilo que não é necessário. Todo mundo sabe que o maior e o menor de nós, Homens, precisa fazer aquilo. Mas não deixa de ser chocante constatar, diariamente, que nem a mais pura alma escapa da podridão humana.

 

5. A missão da mãe é mais nobre desde o início, não podemos mentir, é ela que alimenta o bebê desde o útero até sua maturidade digestiva – órgãos preparados para alimentos “comuns”, dentição em formação… O Pai pode dar “papinha” na colher milhares de vezes, mas este ato jamais se comparará à amamentação e, antes dela, a transfusão direta de alimentos via cordão umbilical. E pensar que feministas radicais pregam que a mulher deve livrar-se deste “fardo”… A julgar por aí, não precisa ser um gênio para antecipar outros atos de nobreza, desta vez do Homem, que passarão a ser vistos como “fardos”. O cavalheirismo já é um.

 

6. A principal missão de um pai, além de dar suporte à mãe em tudo que for necessário, é brincar com suas crias. Depois do provimento das necessidades básicas, à saber, vestimenta, alimentação e educação, o divertimento é a principal função de qualquer pai que se preze. Sustento com orgulho o apelido que minha primogênita dedicou a mim: Papai City. Uma alusão ao Play City, informo aos desavisados, um parque de diversões que certa vez posou no Rio de Janeiro e teve a honra de receber minha família.

 

7. Tenho um casal (a próxima menina chega em breve, desempatando o placar). Observá-los é como aprender sobre o mundo de maneira expressa. As diferenças constitutivas de cada um, desde tenra idade, denotam a falsidade da chamada “ideologia de gênero”, que prega que o sexo é mero elemento imaterial em nosso corpo, neutro, incapaz de influir em nossa personalidade, sendo exclusivamente a cultura responsável por este papel. Em suma, observar a evolução de dois seres, um do sexo masculino, outro do feminino, desde a saída do ventre, é uma boa maneira de notar como quem prega a não distinção entre meninos e meninas está errado. Pura falácia. Logan – pois é, chama-se Logan, não é incrível? – desde o início interessa-se por quebrar as coisas. Somente para ver como são, como funcionam. Não estão errados aqueles, como Simon Baron-Cohen, que afirmam serem os homens propensos a sistematização. Já Alice, apesar da “brutalidade” com que foi criada, de tanto brincar comigo (brincadeiras de jogar para cá e para lá, algumas quase “lutinha”), é uma princesa. Delicada e faladeira, como toda boa mulher, atenciosa e cuidosa com a aparência – sim, desde cedo. Dada comunicação, certamente. Prefere cores de menina, do rosa para lá, assim como Logan as de menino, e os carrinhos e dinossauros. Ele tem outras coisas a disposição, como as bonecas da irmã, mas prefere carrinhos, mesmo sem nenhum apelo do pai, que não é lá um fã de automotivos. Tudo isso que atesto sobre os dois não lhes foi ensinado, eu estava lá e posso testemunhar. Grande parte já veio com eles.

 

8. Não se pode dizer, realmente, que sou um pai convencional. Uma das brincadeiras que venho praticando com Alice chama-se “Treinamento contra estupro”. Ela não perguntou o que é isso, estupro, graças a Deus, mas já sabe se defender de um. A brincadeira consiste em ir para cima dela quando está deitada, tentando dominar seu pescoço com minhas mãos. Ele não pode deixar. Para por aí a simulação, obviamente. A ensinei como evitar que dominem seu pescoço – agressores buscam essa posição de domínio, antes de focar na abertura das pernas -, controlando minhas mãos com suas mãos e usando as pernas constantemente para me empurrar. Ela se sai muito bem.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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