Ninguém é de ferro: Iron Man 3 e a política externa <br />americana

Ninguém é de ferro: Iron Man 3 e a política externa
americana

0

Vi ontem Iron Man 3, um filme descartável e quase inocente, mas que pelo enorme sucesso de público e pelas mensagens políticas merece atenção. O filme fez mais de US$ 1,2 bilhão de bilheteria no mundo para um custo estimado que não ultrapassa US$ 500 milhões entre produção e marketing, uma máquina de fazer dinheiro.

 

Não há um corte ideológico explícito, mas é possível identificar como eixo principal do roteiro a ideia essencial da esquerda americana em política externa: os inimigos do país, especialmente islâmicos, são fantoches criados pelos próprios americanos com a conivência de políticos mal intencionados, o que mostra a arrogância preconceituosa dessa elite do cinema que realmente pensa que o resto do mundo é incapaz de criar seus próprios vilões. Para um típico intelectual americano das faculdades da Ivy League e seus seguidores no colunismo político, qualquer aposentada do Kentucky é uma ameaça muito maior à paz mundial do que toda a Irmandade Muçulmana.

 

O filme não me incomodou particularmente, não é um panfleto ideológico ultrajante como os primeiros minutos de Argo, e a única parte realmente imperdoável é a morte da estonteante Rebecca Hall. De resto, é o filme pipoca que se espera de uma produção como essa. Mesmo assim, Hollywood não perde a chance de espalhar seus ovos de Páscoa ideológicos aqui e ali.

 

Patriota de Ferro.

Patriota de Ferro.

 

A imagem da foto é de um armamento que imita a roupa do Homem de Ferro para usos militares – a cor vermelha e azul com estrelas é uma referência direta à bandeira americana e indireta ao Capitão América. Quando vi a imagem desse armadura, antes mesmo de assistir o filme, não tive dúvidas de que ela “cairia em mãos erradas” em algum momento, o que serviria como alerta para o público de que o complexo militar americano pode ser o maior inimigo do próprio país se controlado por gente má, esse pessoal que Hollywood não gosta, mas que a velhinha do Kentucky insiste em votar nas eleições.

 

O final do filme também tem um recado claro quando Tony Stark aciona o “clean slate protocol”: vamos destruir nossas próprias armas que o mal irá embora do planeta como num passe de mágica, um tipo de raciocínio entre o inocente e o suicida que influencia da esquerda até parte da direita infelizmente.

 

Os conservadores alfabetizados defendem o conceito que tem origens no império romano e que virou uma espécie de marca registrada do governo Reagan: “Peace through strength” (vejam esse vídeo da campanha de Reagan em 1980). A estratégia defende que a paz é alcançada pela força do próprio poderio militar, que age como o mais forte argumento de dissuasão. Uma guerra é evitada quando o inimigo calcula que o custo dela é insuportável para ele, uma ideia que qualquer conservador entende, mas que é impenetrável num cérebro esquerdista ou anti-americano.

 

Para se comprar esse argumento, é necessário que você acredite na estatura moral do Ocidente e dos EUA e é por isso que parte do esforço intelectual e cultural da esquerda nas últimas décadas, especialmente em Hollywood, é destruir a autoridade moral do país.

 

O governo Obama, diretamente influenciado pelos intelectuais que acreditam que os EUA são o mal do mundo, assim como nos tempos do desastroso Jimmy Carter, prefere o “lead from behind”, com os resultados que estamos vendo no Oriente Médio. Obama nunca disse a frase publicamente, mas ela é aceita por representantes do seu governo como uma maneira alternativa de dizer que basta “sentar e negociar” ou sair de cena que tudo se resolve. Neville Chamberlain também pensava assim em relação a Hitler.

 

O atual governo americano claramente busca diminuir a influência dos EUA no mundo, como vimos recentemente no episódio em que Barack Obama e John Kerry chegaram a ensaiar uma ação militar na Síria mas, depois de levarem um humilhante passa-moleque de Vladimir Putin, saíram assoviando e olhando para o lado como se nunca tivessem mencionado a intenção de bombardear as forças de Bashar al-Assad (o que a grande maioria dos conservadores foi contra, registre-se).

 

Reagan lembrava que os valores da liberdade não passam pela corrente sanguínea e que estamos sempre a uma geração de perdermos tudo e por isso a importância de ficarmos atentos às ideias políticas que Hollywood passa para as novas gerações. “Iron Man 3″ é um filme sem grandes pretensões e só merece a menção por ter essa mensagem política equivocada e, no limite, autodestrutiva para o país.

 

O filme termina, assim como Tropa de Elite 2, com um discurso em off do protagonista, com texto e imagens que resumem cada uma dessas ideias para que o público não perca nenhum detalhe da aula e faça depois do dever de casa. Cabe à direita fazer o seu também e sempre que puder lembrar dos resultados obtidos no mundo real tanto pelo “peace through strength” quanto pelo “lead from behind” ao longo da História. Os fatos falarão por si.

 

Nota de rodapé: Sobre “Batman – The Dark Knight Rises”, leia mais aqui.

Alexandre Borges
Alexandre Borges é carioca, flamenguista, pai de uma princesa, mas sem títulos nobiliárquicos. Publicitário, diretor da B Direct Comunicação e do Instituto Liberal.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.