New Metal: Ame ou Odeie?

New Metal: Ame ou Odeie?

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Surgido nos anos 90 e com bandas que conquistaram legiões de fãs, o New Metal (também escrito Nu Metal) vem conquistando cada vez mais espaço no cenário musical. Seja nas gravadoras ou nos grandes festivais de música, bandas como Slipknot, Korn e Linkin Park vêm se tornando headliners com mais frequência em grandes eventos musicais como Download Festival, Rock am Ring e, mais recentemente, no Rock in Rio. Mas, como um gênero que arrasta tantas multidões e adoradores por mais de vinte anos consegue ainda ser controverso até os dias de hoje?
 
Infelizmente, o metal possui uma quantidade considerável de ouvintes muito conservadores que ainda acham que o estilo se resume apenas a Black Sabbath e Iron Maiden, ou a Judas Priest e Motörhead, bandas consagradas e que influenciaram praticamente todas as bandas de Heavy Metal que as sucederam. Entretanto, é inegável que os integrantes destas bandas estão cada vez mais velhos e desabilitados para encararem uma turnê mundial ou um novo álbum e esta realidade praticamente “bateu na cara” dos fãs com as notícias recentes do estado de saúde de Lemmy ou da última tour do Sabbath. Então, vemos que nossos ídolos não são deuses, como muitos pensam, mas pessoas que envelhecem, enfraquecem e um dia seguem a Highway to Hell ou a Stairway to Heaven (não consegui perder a piada).
 
O que preocupa é exatamente o fato de o público headbanger não ser muito receptivo com as novas bandas, além de ser difícil de agradar. Se fazem novo, é errado “porque é diferente”. Se fazem algo parecido com bandas anteriores, é errado porque “aí é cópia”. Muitas vezes, os mesmos nem se dão ao trabalho de ouvir a fundo a banda. Geralmente pegam o álbum mais fraco do conjunto para ouvir e depois criticar, ignorando os trabalhos bem feitos. Imagine alguém que só ouviu “St. Anger”, do Metallica e que comece a rebaixar a banda, deixando de lado obras fantásticas como “Kill ‘em All” e “Master of Puppets”. Seria injusto basear a carreira de uma banda apenas nas suas falhas, não? Pois é simplesmente o que muitos fazem para desmerecer as bandas “atuais” de New Metal (nem tão atuais, muitas já têm pelo menos 20 anos de estrada).
 
Outro argumento frequente vindo das mentes mais conservadoras é “ouça Sabbath e aprenda o que é música de verdade”, ou algo do mesmo tipo, porém citando Maiden. Pois bem, Black Sabbath é minha banda favorita e até hoje sinto arrepios ao ouvir “Snowblind”, mas nem por isso deixo de achar “Iowa”, do Slipknot, um álbum genial, com ótimas letras. Afinal, quem disse que só posso ouvir bandas de uma determinada época e rigorosamente odiar as outras? Ninguém é obrigado a gostar ou desgostar de nada, inclusive de Nu Metal. Você tem todo o direito de repudiar as músicas do gênero, mas convenhamos que beira o ridículo comentar todas as notícias do Slipknot ou do Korn nas redes sociais chamando as bandas de “lixo” ou adjetivos do tipo, dando ainda mais ibope para a banda que tanto odeia. O que mais me incomoda é o fato de comentários tão infantis não serem feitos por crianças na faixa etária de 10, 11 anos, mas por adultos entre 30 e 40 anos, pasmem, que acham que tal atitude mudaria a concepção dos fãs.
 
Se tantos grandes nomes da música, como James Hetfield e Max Cavalera, já assumiram sua paixão pelo gênero, então por que não dar uma chance a ele? Tantas bandas do estilo misturam o som de guitarras pesadas ao rap ou até mesmo ao samba, como o Sepultura fez na música Breed Apart, chamando a atenção de mais pessoas, de outros públicos para o metal. Como isso pode ser algo ruim para o estilo se traz ainda mais fãs? Talvez um dia os headbangers sejam um público que receba mais calorosamente as novas bandas, formado por pessoas que não prendem a cabeça ao passado, mas até lá, ainda ouviremos muitos “aprendam com o Maiden, só eles sabem fazer música de verdade”.

João Pedro Oliveira
Estudante de Comunicação Visual Design na UFRJ e músico apaixonado por Heavy Metal. Atua combatendo o crime nas horas vagas, sendo conhecido como "Homem-Aranha", mas shhh, é segredo, tá?

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  • Thiago Amaral

    Ótimo texto, cara. Traduziu muito bem o que penso. Logo os dinossauros do rock partirão deixando apenas suas obras e seu legado. Quem vai dar continuidade a isso se o público simplesmente rejeura tudo que aparece? Se mantivermos o ritmo atual, um dia a máxima ‘rock is dead’ será real. E talvez até os headbangers estarão dead. Vamos tentar fazer essa galera abrir a mente, até porque, rock n’ roll também é sobre isso: aceitar o diferente.

  • Luis Coimbra

    Talvez isso aconteça apenas porque eles querem chamar a atenção mesmo. O desejo de exclusividade/superioridade não se restringe a esses tipos de “fãs”, mas parece que, neles, esse sentimento chegam literalmente ao “fã”natismo.
    Ótimo texto, por sinal !