Misoginia na apoteose gay

Misoginia na apoteose gay

0

A novela que terminou na última semana navegou por meses em mares sombrios. Mas nenhuma característica para mim foi mais forte do que a misoginia. Os piores personagens eram todos mulheres, que, segundo a trama, só são capazes de realizar alguma coisa quando usam sexo, recebem herança ou são ajudadas por um homem. E que merecem a morte quando são tão malvadas quanto os homens — que merecem uma segunda chance.

 

Algumas das “mulheres normais” (as que não são incorrigivelmente más) viveram de dar golpes em homens ricos (Valdirene e sua mãe, Edith e sua mãe, Gigi), uma era uma golpista serial para roubar crianças depois de vender-se como útero de aluguel — ou “barriga solidária” –, outra assassinava por ciúmes (Pilar).

 

O piores homens da trama, mesmo tendo recebido punições que parecem lições morais do destino, terminaram apoiado por amor filial (César), reformado na conduta social, encontrado no amor e vivendo numa mansão de praia (Félix), gozando do amor de uma filha que sequestrou (Ninho) ou autor de livro de sucesso sobre a sua nova namorada, irmã da moribunda em quem tentou aplicar um golpe que acabou sendo letal (Tales).

 

As mulheres correlatas morreram num incêndio (Leila), numa cama de hospital confessando seus crimes (Alejandra), explodida num acidente de carro catastrófico (Glauce) ou eletrocutada numa cerca da penitenciária (Aline).

 

Se você comemora o beijo gay, pense de novo: eu ainda espero por um que seja fruto de uma relação equilibrada de duas personagens que não sejam comicamente caricatas e que tenham alguma chance de se atrair no mundo real.

 

Se você está entre aquelas pessoas que ficaram terrivelmente emocionadas com o final (dramaturgicamente patético) da novela, talvez nem consiga explicar. Eu consigo:

 

Link Youtube | Gustav Mahler – Symphony Nº 5. IV Adagietto.

Marcelo de Paulos
Marcelo de Paulos é carioca radicado em São Paulo. Formado em Comunicação Social pela UFRJ, tem pós-graduação em Administração pela Universidade de Stanford, é diretor do Yahoo!Brasil e foi empreendedor em esportes no Brasil.

Leia também...

 
Dê mais vida a Feedback Mag., para sua imagem aparecer ao lado de seu nome nos comentários, cadastre-se no Gravatar usando o mesmo e-mail com o qual você comenta aqui na revista. Leva 2 minutos.