Mate-me, por favor

Mate-me, por favor

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- Quem nunca escutou Ramones?

- …


- Nunca? Xi, que droga. Vamos lá, de novo: Quem nunca escutou Green Day?

- …


- Só de nome? Caraca. Último, vai. Quem nunca escutou Fall Out Boy?

- Ah, amo o Pete Wentz.


- Eba, consegui!


Mate-me, por favor - versão standardQuem escutou alguma dessas bandas sabe que têm algo em comum. Alguns podem me xingar a vontade, mas a verdade é que os exemplos dados acima são de punk rock (embora alguns me apedrejem e digam que Green Day é pop rock-punk pirulito, e outros digam que Fall Out Boy é emo ou sertanejo universitário). Todos compartilham da influência Punk, alguns como percussores, outros com um alcance pop fenomenal, e mais além os guris caídos destruidores do gênero (não fui eu que falei, tá?).


Pra quem gosta, já gostou ou está com vontade de conhecer o âmbito histórico da cena que resultou no Punk, é obrigatória a leitura desse livro. Sensacional relato, com entrevistas dos que participaram da revolução (os vivos né, porque a heroína e outras mazelas deram cabo e mitificaram alguns). Sem ser chato, mesmo com entrevistas, pode-se vislumbrar uma história em ordem cronológica, uma narrativa doida sobre as origens da cena roqueira nova-iorquina, concluindo nos já dinossauros Ramones e Sex Pistols.


É impressionante como um bando de garotos sem rumo, provocaram uma revolução cultural e artística sem pretensões. Locais como Max’s Kanas city, CBGB e a Factory receberam desde junkies picados até, o hoje respeitável, Sir Mick Jagger. O livro é realmente uma história sem censura. Saiba como a geração regada a heroína chamada Blank Generation (geração vazia) entrou para história e criou moda.


CBGB


A LP&M lançou o livro inicialmente em formato standard, de cor laranja. Depois foi lançado o formato pocket em 2 edições, essas que possuo. Se alguém encontrar a versão standard, compra logo que é rara. Ou vende pra mim. Na verdade eu queria ganhar, mas se for insensível e quiser vender…


Um livro muito bem escrito, sem perder o fio da meada. De Legs McNeil e Gillian Mccain, dois caras com legitimidade para escrever sobre o punk. Yeah!


Indicado pra? Quem tem estômago, adora NY, sem preconceitos, e quer saber como o Bowery passou de “cracolândia” para o m² mais caro de Nova Iorque. Leia e saiba que Iggy Pop não é apenas um cantor doido-veio-caído, descubra que Nico não está acima da lei, que MacLaren não é apenas um carro de corrida e porque Sid Vicious fez jus ao nome.

Paulo N.
Paulo N. vive em Porto Alegre e é quase um bocado de coisas. Gosta de escrever, de prosa a poesia, e criticar o que gosta. Iconoclasta como poucos, odeia que não valorizem Clarice Lispector.

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  • Anderson Barboza

    UoW!!! Paulo, Parabéns pelo texto. Sou amante do Punk, vou tentar ler o livro, pois ele parece ser maneraço! Abraço

  • http://www.twitter.com/neomarcelou Marcelo Henrique

    ‘É impressionante como um bando de garotos sem rumo, provocaram uma revolução cultural e artistíca sem pretensões.’

    Impressionante é A palavra!
    Parabéns pelo texto, Paulo, muito bem escrito!

  • Paulo N.

    Muita gente crítica o movimento punk, dizendo que nem mesmo pode ser considerado música. Isso está aquém da apreciação da arte, que admira sutilezas, ousadia e criatividade.

    Obrigado pelos comentários, e a dica está dada. O livro é muito legal!

  • Alessandra

    Amo o movimento punk e apesar do q seja a opinião de grande maioria das pessoas eles tem bagagem seja política, seja cultural pra serem considerados como apenas um bando de garotos sem rumo e o resultado disso só poderia ser uma revolução cultural!!! conheço o livro e tbm recomendo a sua leitura !!!! parabéns pela matéria foi ousado nos seus comentários