Marvel e Fox: entre brigas, certezas e rumores, </br>há esperança para os fãs?

Marvel e Fox: entre brigas, certezas e rumores,
há esperança para os fãs?

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Nesta quarta-feira, 14 de Outubro de 2015, Marvel e Fox anunciaram uma parceira para a produção de duas séries que se passarão no Universo Mutante. Acredite, essa notícia tem muitos lados. Pode ser muito ruim e ao mesmo tempo muito boa.
 
Se você não não é lá um grande entendedor do assunto, uma breve explicação antes de qualquer coisa: em meados dos anos 90, a Marvel Comics estava bem próxima de falir. Numa tentativa desesperada de saldar suas dívidas e de quebra, quem sabe, abocanhar novos fãs para os quadrinhos, a editora vendeu os direitos cinematográficos de muitos de seus personagens. Houve um breve hiato entre esse momento e a produção de algo. O primeiro dessa leva foi Blade, pela New Line. A aceitação do público foi muito boa (leia-se bilheteria) e abriu caminho pra produções mais conhecidas, afinal, quase ninguém sequer sabia (e até hoje não sabe) que Blade era da Marvel. Vieram então os X-men da Fox e o Homem Aranha da Sony.
 
Como você pode ver, os três primeiros grandes filmes produzidos pós-acordo, foram cada um de um estúdio diferente. Mas a editora, por sua vez, colheu os fruto$ e acabou ressurgindo, mesmo que ganhasse muito pouco, diretamente, com as produções. O lucro ficava mais no aumento da procura pelos quadrinhos e na venda de produtos licenciados (em escala bem menor).
 
Com cada um dos estúdios, havia um acordo diferente. Mas todos eles traziam algum tipo de cláusula que implica que os filmes devem ser lançados em determinado período de tempo, caso contrário, os direitos voltam pra Marvel.
E aí que começam as tretas.
 
A própria Marvel começou a produzir filmes em 2006. E como obteve tanto (ou mais) sucesso que suas concorrentes/aliadas, decidiu ter um diferencial, fazer algo audacioso: criar um universo próprio, onde seus filmes são todos interligados e, em determinado momento, chegam a se cruzar.
 
Uma a uma, as detentoras dos direitos começaram a cair e/ou ceder. A Marvel, por ser a criadora dos personagens, e por isso, quem tem os melhores roteiristas e equipe de criação, fazia as melhores adaptações. Além disso, é franca atiradora. O que viesse, seria sempre lucro. E foi. Ou melhor, tem sido.
 
Justiceiro, Motoqueiro Fantasma, Demolidor, e até mesmo o próprio Blade, acabaram voltando pra Marvel Studios. O motivo? Adaptações fracas e/ou com muitas alterações nas histórias e/ou aparência dos personagens. Como resultado, as bilheterias foram fracas. Bilheteria fraca significa falta de interesse em uma continuação. E assim, nada de filmes dentro do prazo pré-estabelecido e, TCHARÃ! Direitos de volta.
 
Foi assim que o Homem Aranha voltou pra Marvel e, em breve, fará seu debut no tão falado MCU (Marvel Cinematic Universe). Na verdade, os direitos não voltaram de fato. Houve um novo acordo entre Marvel Studios e Sony, onde dois fatores foram definitivos: o já citado fracasso em bilheteria (The Amazing Spiderman 1 & 2) e, vejam só, o clamor dos fãs. Afinal, eles são quem compram os produtos (bilhetes de cinema inclusos) e estavam insatisfeitos com os rumos que o estúdio estava dando ao personagem e todo seu (rico) universo. Mais uma vez, adaptações mal feitas. Assim, com o novo acordo, o Cabeça de Teia pode aparecer e se encaixar no MCU e terá (pelo menos) um filme solo pela Marvel Studios e a Sony desfrutará de parte dos lucros e ainda poderá dar palpite, especialmente no filme solo.
 

Neste diagrama podemos ver como está a hoje a divisão dos direitos cinematográficos dos personagens da Marvel


 
No entanto, nem todos estão dispostos a novos acordos. E é aí que a Fox volta ao assunto.
O estúdio é detentor dos direitos de todo o Universo Mutante da Marvel. Os personagens mais famosos são os X-men. Mas hoje muitos modinhas também conhecem o Deadpool (e são ‘fãs’). No entanto, existem dezenas de outros personagens ligados a eles. Há até um caso curioso. O dos irmãos Pietro e Wanda Maximoff. Originalmente, os personagens são mutantes, filhos de Magneto. Chegaram a fazer parte de sua equipe, a Irmandade de Mutantes (se você assitia X-men Evolution sabe do que estou falando). Porém, estão muito mais ligados aos Vingadores, especialmente Wanda, a Feiticeira Escarlate. Isso explica o motivo de vermos Mercúrio no filme Vingadores: Era de Ultron e em termos uma versão, digamos, curiosa, do mesmo em X-men: Dias de um futuro esquecido. Observem, que a ‘versão Fox’ do personagem é a zuada e a da Marvel bem mais fiel e aceita, no geral.
 
Eis que chegamos ao anúncio desta semana. Recentemente, a Marvel Studios resolveu manter sua estratégia de investir em inovação e expandiu seu Universo para séries. Por enquanto, tem apenas Agents of SHIELD e seu Spin-off Agent Carter sob seus domínios e já está indo pra terceira temporada da primogênita. Mas o maior sucesso mesmo veio com Demolidor numa parceria com a Netflix. Mesmo com um personagem ‘menor’ e sendo exclusiva de um veículo ainda um tanto restrito, o que poderia ser um dificultador do sucesso da série, acabou sendo um dos maiores responsáveis pelo seu sucesso: o fato de sua classificação ser 18 anos. Na verdade isso foi uma grande jogada da parceria Marvel/Netflix. Demolidor é um personagem que precisa ser +18. Assim como aqueles que também ganharão sua versão live action pelo canal streaming, Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro, Justiceiro e Elektra. Eles só funcionam com a violência que uma classificação etária mais ampla não permitiria.
 
Vendo que essa história de Universo Cinematográfico conectado dá certo, e que séries são rentáveis (DC/Warner também já estão na onda), a Fox resolveu entrar na brincadeira antes que seja tarde demais. Entretanto, como dito antes, ela não tem um histórico muito favorável. Os personagens sob jurisdição dos estúdios da Raposa são os com piores adaptações. Além disso, a Marvel tem boicotado nos quadrinhos tudo que tem relação com a Fox nas outras mídias. Dissolveu suas equipes, acabou com publicações, mudou a origem de alguns personagens (Wanda e Pietro deixaram de ser mutantes e se tornaram Inumanos, perdendo qualquer ligação com Magneto)… Chegou até a pedir que uma empresa que faz colecionáveis diminuísse a produção de qualquer coisa que remetesse a esses personagens.
 
Mesmo tendo tido resultados recentes não muito agradávei$ e não contando com o apoio da Marvel (muito pelo contrário), a Fox não dá o braço a torcer e continua a investir. E mesmo mediante a essa briga de crianças na hora do recreio, do nível que podemos ouvir xingamentos como ‘cara de mamão’!, ‘feio, bobo, cocô!’ e ‘vou contar pra minha mãe!’, as empresas entraram num acordo e em breve teremos duas produções de TV pelos canais Fox: Legião, que contará a história do personagem título, um mutante irmão de Charles Xavier e que será produzida pelo FX; e Hellfire (título provisório) que se passará nos anos 60 e contará a história da organização secreta de milionários conhecida como Clube do Inferno.
 

O Clube do Inferno já teve dois personagens adaptados para a tela grande: Emma Frost e Sebastian Shaw. Ambos em X-men: Primeira Classe


 
Há potencial? Sim, bastante! Acreditamos que vão ser boas? Muito pouco. Na verdade a única razão pra termos alguma esperança, é que os últimos filmes dos X-men foram muito bons, e há uma expectativa muito boa a respeito do filme do Deadpool que será lançado ano que vem. Além disso, a maior esperança mesmo, está no fato de que Marvel e Fox voltaram a conversar e chegaram em algum acordo depois de alguns anos de farpas e de muito clamor do público por uma reconciliação.
 
Esse clamor aumentou muito, inicialmente, com o anúncio da adaptação cinematográfica de Guerra Civil, o que seria muito melhor se pudesse contar com os mutantes e o Quarteto Fantástico (que também pertencem à Fox). Logo em seguida ao segundo filme dos Vingadores, mais torcida por um acordo com a revelação da adaptação de Guerra Infinita, onde personagens como Galactus, Dr. Destino, Surfista Prateado e, novamente, o Quarteto, seriam muito importantes.
 

Vingadores: Guerra Infinita – Quão incrível seria se a Marvel pudesse contar com todos os seus personagens pra produzir esse filme? #LiberaFox


 
Mas nenhuma gritaria foi mais eficiente do que a que diz respeito ao último filme do Quarteto Fantástico. O reboot foi muito criticado e um fracasso total de bilheteria. Há suspeitas até de um boicote por parte dos fãs, justamente pra fazer a Fox repensar se valeria a pena insistir em suas adaptações meia-boca só pra manter os direitos sobre os personagens. Fato é, que o pessoal da Raposa ficou muito cabreiro com a família mais famosa dos quadrinhos e começou a dar sinais de que vai ceder.
 
Logo após o anúncio do acordo pelas séries de TV, surgiram, no dia seguinte, rumores de que a Marvel estaria recebendo de volta os direitos dos personagens associados ao Quarteto. Faria muito sentido. A Marvel não dá ponto sem nó. E a Fox só quer investir no que está dando certo. Pra que pudesse explorar mais os mutantes (que já estão consolidados e não tem lá mais tanta importância no MCU), devolveriam os personagens do Quarteto, que nunca rendeu muito a eles, e que interessam à Marvel.
 
É claro que ainda no mesmo dia, a Fox tratou de dizer que tudo não passava de rumores e que não existe esse acordo pelo Quarteto. No entanto, sabemos que onde há fumaça há fogo. A Marvel anunciou recentemente um calendário de filmes do seu estúdio pros próximos anos, e em 2020 há uma lacuna. Há previsão de filmes, mas os títulos não foram revelados. É óbvio que a especulação de que seria do Quarteto ficou muito forte após esses rumores. E, novamente, faz muito sentido.
 
Vale lembrar que foi assim com o Homem Aranha. A Sony cansou de perder dinheiro com o Teioso e entrou, secretamente, em negociações com a Casa das Ideias. Num belo dia, alguém tornou pública essas negociações. Tudo foi negado, e logo a verdade veio à tona e o fim já sabemos. Resta agora esperar o fim dessa nova temporada de especulações e aguardar os novos episódios. A pergunta que fica é: teremos um series finale que agradará ao público ou o roteiro dessa história já sofreu alterações demais a ponto de não despertar mais esperanças?

Thiago Amaral
Nerd inveterado. Entretanto, apaixonado por esportes, especialmente futebol. Professor de inglês e jornalista wannabe. Consumidor voraz de cultura pop. Conhecido no underground como pai da Alice.

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