Marta Suplicy, o PMDB e o desespero do PT

Marta Suplicy, o PMDB e o desespero do PT

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“O que sinto dos meus companheiros do PMDB é que o Congresso de novembro caminha para que o partido se unifique em torno da indicação de uma candidatura própria à Presidência em 2018. Nesse sentido, deverá decidir por deixar a base do governo para poder formular, com independência, uma proposta de união da Nação.”

 

Foram com essas palavras que Marta Suplicy deu início sua militância no PMDB. Em seu primeiro dia já mostrou de qual lado do partido irá se posicionar. Do lado da facção que defende a ruptura total e unilateral com o governo.

 

Marta não é o primeiro quadro importante do partido a se posicionar dessa maneira. Antes dela o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, já havia anunciado que seria oficialmente oposição e reiterou seu posicionamento durante o evento de filiação de Marta Suplicy ao PMDB:

 

“O PMDB tem de ter candidato próprio à Presidência. Que o PMDB siga seu exemplo, Marta. Vamos largar o PT!”

 

O vice-presidente da República, o qual também já demonstrou descontentamento com o rumo que o governo petista está seguindo, foi outro que prestigiou o evento de filiação de Marta. A filiação da ex-petista as fileiras do partido é mais um passo na marcha inexorável do PMDB no seu distanciamento do governo. E, consequentemente da defenestração de Dilma da presidência. Cada vez mais isolada no Palácio do Planalto, a futura ex-presidente vê sua última base de sustentação se afastar e adotar um discurso cada vez mais independente em relação ao seu governo e ao PT.

 

Em seu desespero para se sustentar no cargo, o qual ocupa de forma ilegítima, viu sua última tentativa de manter o PMDB na base aliada ir pro água abaixo. Na recente reforma ministerial ofereceu cinco ministérios ao partido e mesmo assim o vê cada vez mais longe. O PMDB virou um monstro incontrolável e insaciável. Monstro criado e alimentado pelo próprio PT.

 

O Partido dos Trabalhadores, outrora protagonista da política nacional, bastião da justiça e da moralidade, se vê desmantelar diante da debandada interna, de importantes quadros do partido; das denúncias da Operação Lava-Jato, a qual cada vez mais se aproxima de Lula e Dilma; e agora, diante do crescimento e da sede de poder do PMDB, que pelo o que tudo indica não se contentará mais em ser mero coadjuvante em Brasília.

 

O PMDB numa situação bem mais confortável, cada vez mais próximo de assumir o governo, diante do iminente impeachment ou renúncia da presidente, já começa a se articular para 2018. Resta saber qual nome seria forte o bastante para uma corrida presidencial. Tentariam a manutenção de Michel Temer no Planalto, consolidariam o namoro com José Serra, que já tem conversas iniciadas para trocar de sigla para concorrer à presidência, ou arriscariam Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, o qual já afirmou a assessores próximos, que se o “cavalo passar selado” ele encara a disputa?

 

No meio a tantas incertezas do lado pemedebistas para 2018, uma coisa é certa para hoje do lado petista: o tempo da presidente Dilma está acabando…

 

Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac…

Carlos Santos
Estudante de jornalismo, escritor amador, poeta de ocasião, cronista fortuito e colunista inconstante. Além de tudo, é um ex-comunista que dobrou a Direita.

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