Marcel van Hattem e a direita que nem chegou a entrar no armário, mas saiu dele

Marcel van Hattem e a direita que nem chegou a entrar no armário, mas saiu dele

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Do Rio Grande do Sul vem a notícia de que um candidato jovem, e de direita, botou a ex-ministra dos direitos humanos, candidata a reeleição como deputada federal pelo PT, Maria do Rosário, para correr.

 

Não escondi a descrença para com o fato, antes de ver o vídeo que registra a interpelação do jovem ao ver a ministra na rua – ambos faziam campanha. Pois, ora bolas, como ele haveria de fazer isso? Sua estratégia foi simples: resolveu mostrar à petista a insatisfação dele e de muitos gaúchos, imagino, aqui de longe (RJ), para com as posturas adotadas por ela em sua trajetória política, focando, principalmente, no fato de Rosário olhar sempre para o bandido com olhar caridoso, esquecendo-se da vítima.

 

Link Youtube | Marcel van Hattem interpela Maria do Rosário.

 

Após o fato, Marcel, o de megafone, foi notado pela militância do PT. Em sua página no Facebook, denunciou uma ofensiva dos ativistas virtuais do partido para tentar tirar sua página do ar. Atitude próxima da que foi adotada por aqueles que estavam com Maria do Rosário em Porto Alegre, que, de pronto, apenas por serem criticados em público e sem nem conhecerem o rapaz, já o chamaram de fascista.

 

O fascismo, ao que parece, é aderido por quem eles querem, na hora que querem, mais rápido que um estalar de dedos: tudo para calar a voz dissonante.

 

Além de fascista, Marcel é nazista.

Além de fascista, Marcel é nazista.

 

Marcel Van Hattem, de 28 anos, é mestre em ciência política e mestrando em jornalismo. Liberal que concorre para deputado estadual no Rio Grande do Sul, pelo PP. Natural do município de Dois Irmãos-RS, aonde foi eleito vereador em 2004 (com apenas 18 anos), Marcel é uma das poucas boas opções à direita que tentam se eleger esse ano. Rodrigo Constantino, de Veja, lembrou dele quando elencou candidatos liberais que tentam vaga no legislativo tanto estadual como federal nesse pleito. Outros são Paulo Batista (SP), Rodrigo Mezzomo (RJ), Paulo Eduardo Martins (RS) e Adolfo Sachsida (DF).

 

E isto é, afinal, uma notícia boa não só para quem se identifica com valores de direita, mas para a política nacional como um todo.

 

Pois a verdade é que desde a reabertura democrática não temos uma boa e articulada direita no país, para fazer jus a necessidade dicotômica da democracia e equiparar o cenário com a hiper articulada esquerda brasileira, que existe em diversas instâncias e dos mais variados estilos – comunista, socialista, social democrata, trabalhista, progressista, verde.

 

O último grande político de direita do país foi, provavelmente, Carlos Lacerda. Considerar Sarney, Maluf e outros párias do tipo como tais, como consideram muitos analistas políticos por aí, chega a ser ofensivo para com a história da direita liberal e conservadora ao redor do mundo, representada por nomes como Ronald Reagan, Margaret Thatcher e agora por Angela Merkel. E não somente pela ausência de uma conduta moral digna ao longo da vida pública, mas por não serem, realmente, identificados com tal espectro político. Nenhum deles jamais representou bandeiras vinculadas a diminuição do estado, por exemplo, pelo contrário, usam e abusam do tamanho da máquina pública para assegurar poder. São adesistas, fisiológicos ou centristas, tanto faz, menos direitistas.

 

E o PSDB, que quando governou o país aplicou alguns conceitos não-esquerdistas na economia, muito menos. Chamar PSDB de direita é pura retórica do adversário (no caso, todos mais à esquerda que ele), artífice válido, pela subjetividade que talvez possa ser levantada em sua defesa, porém inverídico, do qual qualquer não ignorante escapa.

 

Mas agora temos, de Batista a van Hattem, políticos que não só tem pensamento alinhado com bandeiras à direita, mas que fazem bom uso delas em suas campanhas. O Raio Privatizador é o maior exemplo disso, pois representa o uso de uma linguagem moderna (da zoeira) para afirmar e reafirmar um valor caro da direita: a iniciativa privada é mais eficiente que o estado.

 

A atuação de Marcel Van Hattem na Praça da Redenção, no Rio Grande do Sul, que segundo consta, é reduto de maconheiros e outros usuários de entorpecentes, foi emblemática. Olavo de Carvalho costuma dizer que a direita no Brasil possui um corpo fortíssimo, mas sem cabeça. Pois bem, talvez tal corpo não esteja mais decapitado. Há, ali, entre os ombros, uma cabeça nascente, como quando do começo de um parto normal. Um milagre!

 

Na internet, a saída da direita de um armário da qual nunca entrou, pois sequer existia para entrar em algum lugar, já se ensaiava. Mas daí para as ruas, o caminho ainda era (é) longo. Marcel deu um passo, foi corajoso e enfrentou aqueles que foram sempre conhecidos como donos das ruas (o PT), na política. Botou, como se pode constatar, Maria do Rosário e seus comparsas para correr. Apoiado apenas pela família, poucos correligionários e com um megafone.

 

Parece que o milagre do ressurgimento de um cérebro, onde não mais havia, dá uma proposição como certa: A esquerda perdeu o monopólio das ruas. Na fala mais sozinha ao povo, não vence mais o debate por W.O.

 

A direita – agora sim, uma verdadeira direita! – não tem mais vergonha de se assumir. Aguardem os desdobramentos dos próximos anos.

Fernando Henriques
Idealizador e editor desta revista, Fernando Henriques é um consumista informacional. Formado bacharel em Ciências da Computação, encontra na Comunicação um elo natural. Viciado em séries, filmes, rock, MMA, política e desafios.

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  • Cida Santos

    Boaaaaa docinho rsrsrs desculpa pelo docinho rs eh q vc arrasa como sempre.

    • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

      Então você gostou da atuação do Marcel na Praça da Redenção, em Porto Alegre?

      • Cida Santos

        o boaaaa do meu comentário eh para ti, naum gostei dessa atuação foram muitos radicais rs ,naum sou de direita e muito menus de esquerda valorizo o centro, o certo vamos dizer assim, coisa q nunca teremos no nosso PAIS, odeio os petistas e adoro os comunistas, tipo: Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido por CHE GUEVARA (Rosário, Argentina, 14 de Junho de 1928 – La Higuera, Bolívia, 9 de Outubro de 1967) foi um dos mais famosos revolucionários comunistas da história, ganhando grande notoriedade em Cuba, onde atuou entre os principais dirigentes do governo de Fidel Castro. Palavras dele:”O conhecimento nos faz responsáveis.

        “O revolucionário deve sempre ser integral. Ele deverá trabalhar todas as horas, todos os minutos de sua vida, com um interesse sempre renovado e sempre crescente. Esta é uma qualidade fundamental.

        “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira.
        CHE GUEVARA.Um abraço querido

        • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

          Então, Cida, se me permite: docinho é extremamente inapropriado, e não só para mim, que sou um chato confesso, mas para com qualquer outro que acaba de gastar “mufa” num texto versado e tema mais ou menos complexo. No comentário seguinte, avançou um pouco numa questão marginal ao texto. Comento isto, então, que importa mais que qualquer “docinho”:

          Che Guevara foi um facínora e o comunismo matou milhões. Ambos com um discurso, à priori, de libertação; no fim, apenas colocaram mais grilhões naqueles que tiveram azar de servir de povo para eles.

          Recomendo um estudo sobre a biografia do “Che”, uma vez que sua figura foi mitificado pelo tempo, desconsiderando as atrocidades que praticava – era um assassino frio, em síntese.

          Recomendo também “O livro negro do Comunismo”, para aprender mais sobre a aplicação prática daquilo que diz gostar.

          • Cida Santos

            valeuuu Fernando obrigada pelas dicas

          • Cida Santos

            desculpa pela linguagem inapropriada, foi sem querer obrigada por me responder