Maracanã, 2050

Maracanã, 2050

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Após 36 anos do vexame histórico na Copa do Mundo de 2014, o Brasil volta a sediar uma edição do Mundial. Mas a torcida parece não acreditar que o time irá superar o trauma das edições em casa. Até porque, o desempenho nas últimas copas foi sofrível: duas eliminações nas oitavas de final (Bahrein 2038 e Bósnia 2042) e uma inédita eliminação na primeira fase (Marrocos 2046). Também não se confia muito no treinador, pela primeira vez um estrangeiro, o acriano Pepe Jacaré. Em 2050, a esperança se concentra no veterano Neymar Neto, astro da liga norte-americana, onde jogam a maioria dos convocados (os outros se dividem entre China e Arábia Saudita).

 

Apesar da descrença, o Brasil avança. Passa por adversários traumáticos como França e Holanda e supera com tranquilidade a surpreendente Cingapura (primeira colocada em um grupo só com campeões do mundo: Itália, Espanha e Costa Rica). E, pela primeira vez, faz a final de uma Copa contra a Argentina, que não vence um mundial desde 1986.

 

O Maracanã, reconstruído para a Copa, se agita para a grande final. É o mais bonito dos 16 estádios (incluindo aquele que a Alemanha construiu para si, a Arena Altamira). A torcida argentina canta que Messi é mais grande que Neymar. Mas os brasileiros respondem: “500 gols! 500 gols! 500 gols! Só Neymar, só Neymar! Messi vomitador”.

 

Vem a hora do hino e os jogadores brasileiros, por orientação do psicólogo, se limitam a mexer a boca como se estivessem mascando chiclete. O jogo começa nervoso e sem muitas oportunidades. Por três vezes o chip na bola indica impedimento brasileiro e por duas vezes simulação argentina. Sem gols, o jogo vai para a prorrogação. E vai para a segunda prorrogação. E vai para a terceira prorrogação (a FIFA aboliu a decisão por pênaltis e agora se joga até alguém fazer gol ou até que um único jogador de um time tenha condições de correr).

 

O telão mostra um personagem ilustre e todos se agitam: para quem o pé frio do Lucas Jagger está torcendo?

Henrique Fendrich
Henrique Fendrich nasceu no sul, mora em Brasília/DF, é jornalista e escritor, mantém a Rubem, revista digital sobre crônica, publicou uma coletânea com textos seus chamada "Brasília quando perto", e gosta de ler tanto quanto de falar sobre o que leu.

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  • http://www.feedbackmag.com.br Fernando Henriques

    Gostei de saber que a Costa Rica será campeã.

  • André Luís Marçal Júnior

    Hahahaha…mmmt bom!