Lewandowski: E se ele se chamasse Roberto?

Lewandowski: E se ele se chamasse Roberto?

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O dia 22 de setembro poderia ser apenas mais um dia para o futebol alemão. O Bayern de Munique golearia seu adversário, o Borussia Dortmund seguiria sua campanha vitoriosa pós Era Klopp, e as demais equipes brigariam pelo papel de coadjuvante no campeonato. No entanto, a Bundesliga é capaz de nos surpreender a cada rodada, ainda que o campeão já esteja definido antes mesmo da temporada começar. Não acompanhei o jogo ao vivo e confesso que quando soube que Robert Lewandowski – aquele mesmo que trocou o Borussia pelo seu arquirrival da baviera na temporada 2012/13 – havia marcado cinco gols em nove minutos, a primeira coisa que pensei foi: pelo menos um tem que ter sido de pênalti. Não foi. Foi melhor. Teve gol de esquerda, de direita, gol chorado e um voleio magistral da entrada da área para fechar a conta e consagrar a fase espetacular que vive o polonês.

 

Os bávaros foram para o intervalo perdendo por 1×0 para o Wolfsburg na Allianz Arena. Na segunda etapa Guardiola sacou do banco Robert Lewandowski na expectativa de que o centroavante ajudasse a equipe a ser mais efetiva no ataque. Nem ele poderia esperar por um final tão impressionante. A virada veio em apenas nove minutos. E o jogo estava encerrado. 5×1 Bayer de Munique.

 

A Fase

 
Até agora, o camisa 9, marcou 14 gols pelo Bayern em apenas 10 jogos na temporada – 10 na Bundesliga, 3 na Champions e mais 1 na Copa da Alemanha. E quem pensa que o atacante se garante apoiado por uma das melhores equipes de futebol da atualidade, pela seleção polonesa, ele marcou 3 gols em 2 jogos pelas Eliminatórias da Euro 2016, competição do qual também é artilheiro com 10 gols.

 

Robert Lewandowski talvez esteja na melhor fase de sua carreira. Mas não podemos esquecer sua passagem pelo Borussia Dortmund quando foi vice artilheiro na temporada 12-13 marcando 24 gols. Na campanha do título em 2011-12 anotou 22 gols.

 

Na semifinal da Liga dos Campeões 2012-13 ele marcou os quatro gols no jogo de ida contra o Real Madrid de CR7, Kaká, Benzema, Xabi Alonso e Mourinho classificando sua equipe para a disputa da final da Liga – vencida pelo Bayern de Munique.

 

Os números de Lewandowski ultrapassam as fronteiras da Alemanha. Na temporada 2015/16 o jogador tem média de 1,70 gols por partida desbancando Cristiano Ronaldo (0,89), Messi, Benzema (0,75), Suárez (0,60) e tantos outros artilheiros. (confira tabela-lista abaixo)

 


 

Guinness Man

 

Se as atuações espetaculares de Lewandowski forem apenas uma fase do jogador polonês o que importa é que os recordes alcançados por ele seguirão na história. A lista de recordes do atacante na Alemanha não para de crescer: ele é o 14º jogador a fazer cinco gols em um jogo da Bundesliga, o primeiro a atingir essa marca no Campeonato Alemão desde 1991 e o primeiro do Bayern desde 1984, cinco gols em nove minutos é a marca mais rápida na história do torneio nacional, o único substituto da história a marcar cinco jogos em um só jogo, o segundo estrangeiro a marcar cinco gols durante uma partida (o primeiro foi o islandês Atli Edvaldsson, em 1983), o polonês ficou a um gol do recorde de Dieter Müller, em 1977, que marcou seis gols em um só jogo, artilheiro da Bundesliga, com oito gols.

 

E se Lewandowski fosse brasileiro? Será que ao lado de Neymar ele conseguiria ter evitado o vexame do Brasil na Copa? Seus números e sua artilharia na Eurocopa mostram que sim. Agora e se ele jogasse no Brasil. Se Eurico Miranda ao invés de investir em sua ida para a Sibéria, contratasse o atacante polonês?

 

O Botafogo certamente não teria caído temporada passada com um artilheiro com essa média de gols. E ao fim da temporada estaria sendo vendido a preço de banana para a equipe adversária.

 

No Flamengo, facilmente se tornaria ídolo conquistando o título da Libertadores que vem sendo dominada pelos argentinos nos últimos anos.

 

E se o Fluminense ao invés de ir atrás do aposentado Ronaldinho Gaucho, investisse no polones? Certamente uma crise se instalaria nas Laranjeiras, afinal, a camisa 9 tricolor já tem dono.

 

Alucinações a parte, fato é que num futebol cada vez mais centrado no meio de campo, com esquemas de três meia/atacantes alternando seu posicionamento na frente, da Polônia, surge Robert Lewandowski, em um momento de carência de um camisa 9 como foram Ronaldo e Romário.

 

Proponho por fim, um desafio. O que você é capaz de fazer em nove minutos? Tomar quatro gols da Alemanha em uma copa do mundo? Andar 9 metros no trânsito do Rio de Janeiro? Cozinhar uma omelete para a janta? Tomar banho em época de racionamento em São Paulo? Fazer cinco gols na pelada de domingo?

Luíza Calaça
Luíza Calaça é movida por duas grandes paixões: esporte e jornalismo. Estudante de Comunicação da UFF, descobriu recentemente o fascínio pelo rádio. Torce para o Botafogo, mas acima de tudo é uma amante do futebol.

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  • Thiago Amaral

    Muito bom texto. Especialmente nessa ‘viagem’ do final.

  • Robson Cassemiro

    Teria sido legal lembrar que a dupla de zaga era Brasileira e contava com o Dante, inclusive…